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Estado de Minas

Por esporte, lazer ou transporte, skatistas dominam as ruas de Belo Horizonte

Capital já tem 120 mil skatistas e esporte ganha cada vez mais novos adeptos. Belo-horizontinos de todas as idades passeiam pelas ruas ou fazem manobras radicais em pistas


postado em 11/10/2014 06:00 / atualizado em 11/10/2014 07:45

Amigos que se dizem da
Amigos que se dizem da "velha guarda" de skatistas de BH se reúnem uma vez por semana: eles notam que número de praticantes cresceu (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)

Para quem olha torto para skatistas, é melhor se acostumar. Seja por esporte, lazer ou transporte, cada vez mais belo-horizontinos dão “rolés” nas ruas e em pistas de skate da capital mineira. Segundo a Federação Estadual de Skate de Minas Gerais, só Belo Horizonte conta hoje com 120 mil adeptos do shape. É assim que eles chamam a tábua de ‘madeira’ sobre rodas onde desafiam o próprio corpo, equilibrando adrenalina, coleguismo e criatividade. “Skate é viiiiida!”, define, em poucos segundos, o estudante Breno Ferreira, de 17 anos, enquanto desliza em alta velocidade pela ladeira da Rua Professor Estevão Pinto, no Bairro Serra, em direção ao Centro da cidade.

Para muitos, andar de skate tornou-se uma opção mais divertida de meio de transporte. Ou de lazer. Ou dos dois. É o caso da tatuadora Aline Ribeiro, que usa um long board (maior) para se locomover com a filha de 3 anos na Região Central. “Viemos para o trabalho de carro. Na hora do almoço, para agilizar, vamos de skate. Com ela no colo, ficaria muito pesado”, conta a mãe, que leva a pequena Aléxia na “prancha”. Ela se equilibra bem e as duas nunca caíram andando juntas.

Quem costuma andar de skate nota que a prática cresce na cidade. Para Rodrigo de Angelis, de 47, muitas mães deixaram de ter pavor de o filho virar skatista. Fundador do Mumm-Ra, grupo da velha guarda de skatistas de BH, que se reúne toda semana, ele diz que o apelido surgiu do desenho animado ThunderCats, adaptado do lema “forma decadente, skate eterno”. “Tem garoto que, em vez de jogar pelada, faz umas aulas particulares e sai para andar de skate com a turma no Belvedere ou na Avenida Bandeirantes”, afirma.

A mania deixou de ser exclusividade de tribos tatuadas e de calças largas, tachadas de ‘roupa de skatista’. “O cara precisa de agilidade para executar as manobras. Hoje, as calças levam stretch para ficar mais confortáveis e sóbrias. As roupas estão mais sérias”, compara Maurício Massote, dono da Blunt, complexo com loja e pistas particulares no Bairro Sion. No local, são oferecidas aulas de skate, artigos para a prática do esporte e passe de R$ 14 a cada duas horas para frequentar as pistas. “Não existe classe social nas pistas”, diz.

“Antes, a gente andava na rua mesmo porque não havia tantos carros. E os skates eram daqueles de supermercado, com rodinhas de plástico. Hoje, o nível de organização do esporte é fantástico”, compara o administrador de empresas Marcelo Canuti, de 42. Morador de Nova Lima, ele acompanhava durante a semana o filho João Marcelo, de 13, na aula particular de skate, para aprimorar as manobras. O adolescente começou aos 7 anos e costuma sair com a turma nas ruas planas do Belvedere nos sábados à tarde. “Não deixo ele sair sozinho no trânsito. Só se for com a turma”, preocupa-se o pai, que libera de vez em quando o garoto seguir de skate da casa da avó para o Colégio Santa Doroteia, no mesmo bairro. Só não conseguiu ainda soltar a filha, de 4, que já antecipou o pedido de um skate de presente para o Papai Noel.

Aos poucos, meninas também invadem o território que costumava ser dominado pelos rapazes. Bárbara Correa, de 16 anos, conta que a mãe não apoia as aventuras dela com o skate nas ruas. Ela gosta de se encontrar com os amigos e deslizar pela calçada. Em dois anos, aprendeu relativamente pouco, apenas quatro manobras. “Os meninos têm mais força na perna e podem ficar mais tempo fora de casa, treinando. É desigual”, protesta Thayna Pimenta, de 15, que herdou o gosto pelo esporte do próprio pai, ex-skatista. Em tom de brincadeira, conta já ter quebrado diversos azulejos da cozinha andando de skate dentro de casa. No fim, as alegrias de surfar no asfalto compensam mais do que eventuais aborrecimentos.

Segurança Um indicativo da maior difusão do skate na cidade, que serve de alerta para a necessidade de se proteger, é o aumento do número de acidentes envolvendo skatistas. Entre janeiro e o início de outubro, foram registrados 89 atendimentos no Hospital de Pronto-socorro João XXIII. Felizmente, nenhum traumatismo mais grave. No máximo, fraturas nos braços e pernas. “Não atendi a um único caso de skatista sem capacete. As pessoas que fazem esportes radicais são as que mais se preocupam com segurança”, afirma o coordenador médico do HPS, Marcelo Lopes Ribeiro, que deixa transparecer ser ele próprio um ex-skatista. Aos 39, parou depois de machucar o joelho.




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