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Estado de Minas

Furtos de materiais deixam consumidores sem serviços e causam prejuízos

Concessionárias gastaram R$ 500 mil em sete meses para repor material furtado. Mesmo valor a BHTrans desembolsou em um ano com o vandalismo. À população, resta o transtorno


postado em 10/10/2014 06:00 / atualizado em 10/10/2014 07:46

Os fios de alta tensão e de telefonia são alvo frequente de ladrões, por causa do cobre, que é negociado no mercado clandestino, mesmo com o risco de choque elétrico(foto: Marcos Vieira/EM/D.A PRESS )
Os fios de alta tensão e de telefonia são alvo frequente de ladrões, por causa do cobre, que é negociado no mercado clandestino, mesmo com o risco de choque elétrico (foto: Marcos Vieira/EM/D.A PRESS )

Suspensão no fornecimento de água e energia elétrica, piora nos serviços de telefonia e precariedade dos abrigos de ônibus são a face visível da ação de vândalos que depredam e, muitas vezes, furtam cabos e outros equipamentos em espaços públicos de Belo Horizonte. O lado invisível compreende os recursos que os cofres públicos precisam despender para reparar os danos. Condutores de energia, principalmente os de cobre, transformadores, reguladores de tensão, semáforos e até tampões de bueiros são os alvos mas frequentes dos ladrões.

Os gastos para substituir os materiais subtraídos apenas de janeiro a agosto deste ano chegam a R$ 500 mil. Esse valor dobra se entrarem no cálculo reparos devido a atos de pura depredação. Como os cabos estão em redes energizadas, ainda há risco de morte para quem os furta. Na maioria das vezes, o prejuízo entra na conta das instituições como vandalismo, pela dificuldade de caracterizar o crime. Outros R$ 500 mil foram gastos pela BHTrans em reparos de equipamentos de fiscalização eletrônica e sinalização de trânsito depredados no último ano.

O vandalismo resultou, nos últimos dois dias, na suspensão do abastecimento de água em 300 bairros da capital, boa parte de Sabará e Vespasiano, quase todo o município de Nova Lima, Justinópolis (Ribeirão das Neves), Raposos e Santa Luzia, na Grande BH. Embora tenha sido aprovada legislação estadual para coibir os roubos, há indícios de aumento desses casos.

Sancionada em 13 de janeiro, a Lei 21.138 objetiva dificultar a revenda dos materiais surrupiados, ao estabelecer que os ferros-velhos e empresas que trabalham com sucatas, reciclagem e recuperação de materiais metálicos são obrigadas a emitir nota fiscal de entrada de mercadoria a cada operação de compra.

Mesmo assim, a TIM registrou aumento de 20% nos furtos de cabos, entre agosto e setembro deste ano, na rede de transmissão em Minas. Em nota, a empresa informa que os cabos, de cobre ou alumínio, são estruturas indispensáveis para a transmissão de voz e dados e, quando comprometidos, interferem diretamente na prestação do serviço. Cada ponto vandalizado tem entre 50 e 70 metros de cabos e leva, em média, de 10 a 15 dias para ser recuperado. A operadora Oi registrou 1.019 casos de furtos de cabos de telefonia em Minas, de janeiro a setembro deste ano. A companhia informou que adota medidas preventivas para dificultar a ação dos ladrões. A empresa mantém em funcionamento um canal para denúncias de furto de cabos de telefonia, por meio da linha gratuita 0800 282 5531.

ROMBO A Cemig desembolsou cerca de R$ 480 mil para corrigir problemas decorrentes do furto de cabos de energia elétrica em Minas, apenas de janeiro a agosto deste ano. Somente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a mais afetada, a empresa gastou R$ 140 mil em medidas corretivas. O valor gasto até agosto representa quase 70% do que foi desembolsado nos 12 meses de 2013. Foram necessários cerca de R$ 700 mil para corrigir problemas ligados ao furto de cabos de energia elétrica no estado no ano passado.

A empresa tem a maior rede da América do Sul, com 486 mil quilômetros de cabos espalhados por todo o estado. Os furtos podem ser tanto de cabos aéreos como os instalados no subterrâneo. “O furto na rede subterrânea é mais fácil. Na rede aérea, há riscos de tensão e de quedas”, afirma o engenheiro do sistema elétrico Márcio Moreira Gonçalves.

Os recursos da estatal são usados não só em obras para regularizar o fornecimento de energia, mas também para substituição do material furtado. A Cemig conduz ações para tentar impedir os furtos, desenvolve equipamentos de proteção para as redes e mantém contato com as polícias Militar e Civil para coibir a comercialização do material furtado.

Os danos se estendem por toda a cidade e afetam até mesmo o trânsito. De acordo com a BHTrans, em 2013 foram danificados por vandalismo equipamentos de 23 cruzamentos e 3,6 mil metros de cabos elétricos. Foram gastos R$ 32,9 mil para substituir o material perdido. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram danificados equipamentos em 27 semáforos e 1.069 cabos elétricos foram furtados. Em 2013, foram danificados 194 placas, 17 suportes e 90 abrigos de ônibus. Para o conserto, a despesa foi de R$ 72,1 mil. Este ano, foram danificadas 173 placas, além de 26 suportes e oito abrigos, com um custo total de R$ 39,1 mil.


Tentativa de furto de cabos na estação Bela Fama afetou abastecimento(foto: Beto Magalhães/EM/D.A/PRESS 25/3/11)
Tentativa de furto de cabos na estação Bela Fama afetou abastecimento (foto: Beto Magalhães/EM/D.A/PRESS 25/3/11)

Promessa de água na torneira

O abastecimento de água em 300 bairros em BH e seis cidades da região metropolitana deverá se normalizar hoje, de acordo com a Copasa. O fornecimento foi comprometido devido a uma tentativa de furto de cabos na estação do sistema de captação de Bela Forma, no Rio das Velhas, em Nova Lima, na Grande BH.

A Copasa informou que a manutenção do sistema foi feita na madrugada de ontem e que o abastecimento será normalizado de maneira gradativa. Em nota, a concessionária pediu a colaboração dos moradores para evitar desperdício e fazer o uso consciente da água, para agilizar o restabelecimento do serviço para as partes altas e distantes.

Não só os cabos são alvo de ladrões. Na capital, são substituídos de 15 a 20 tampões de redes de água e esgoto, em decorrência de extravios relacionados a diversos fatores, que incluem os furtos. Para combater essa situação, a Copasa substitui a rede atual por novos modelos de tampão. No lugar dos convencionais, de ferro, estão sendo usados os feitos de concreto.


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