
Pinturas, fotografias, desenhos, vídeos e intervenções urbanas que retratam o universo feminino podem ser vistas até amanhã no Espaço Mari’Stella Tristão, no Palácio das Artes. É a mostra Não provoque – é cor-de-rosa-choque, que reúne criações dos 49 alunos de artes visuais do Programa Valores de Minas, do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas).
A mostra comemora os 10 anos do Valores de Minas, programa de inclusão social destinado a crianças e adolescentes moradores de áreas de risco social. O universo feminino, com seus contrastes, questionamentos e dramas, foi a fonte de inspiração dos jovens, que buscaram informações em nomes da arte contemporânea como Lygia Pape, Lygia Clark, Márcia X, Basquiat e Frida Khalo, entre outros.
Para a primeira-dama de Minas e presidente do Servas, Célia Pinto Coelho, o fundamental na exposição é o fato de ela espelhar a maturidade, o equilíbrio e a força dos alunos do Valores de Minas. “Acompanhei o trabalho dessa turma e do professor Carlos Normando desde fevereiro, quando eles começaram o projeto, e só posso dizer que essas crianças e adolescentes conseguiram superar dificuldades de vida e se tornaram protagonistas desse projeto. Tenho certeza de que a riqueza da vivência proporcionada a eles pelo Valores de Minas terá grande importância no seu futuro e que eles já podem se considerar vencedores.”

RITA LEE O nome da mostra foi retirado de uma música de Rita Lee e Roberto de Carvalho, e, segundo o professor Carlos Normando, curador e responsável pela coordenação da exposição, “dá o tom irônico do projeto e os paradoxos do universo feminino: ‘feminino forte, feminino mulher e feminino homem’”. Acrescenta que a predominância da cor rosa na exposição é intencional. “É uma cor culturalmente conhecida como feminina e delicada, mas subvertida ao ser denominada cor-de rosa-choque. Choque remete ao impacto, à força, à quebra, a mudanças radicais.”
Ele destacou ainda a seriedade dos alunos durante todo o desenrolar do projeto. “Este é o trabalho mais maduro dos últimos quatro anos. Todos convivemos no universo feminino, mas é muito complexo descrevê-lo. Os alunos encararam muito bem a empreitada”.
Coordenadora-executiva da área de artes visuais do Valores de Minas, que também desenvolve projetos nas áreas de circo, dança, música e teatro, Carolina Cabral ressalta a pesquisa que os alunos participantes da mostra em exibição no Palácio das Artes fizeram para conhecer nomes representativos da arte contemporânea. “É a arte mais próxima da realidade desses meninos e meninas, e lhes permitiu explorar a linguagem da arte de rua, presente em algumas intervenções que integram a exposição.”
Para as crianças e adolescentes que participam do projeto, a mostra é a concretização de um sonho. “Estou acostumado a ver trabalhos dos outros. Quando vi o meu, achei o máximo”, disse Victor Emannuel da Silva de Calais, de 14 anos, aluno do módulo I de artes visuais e que tem desenhos expostos. Já Khawelly Rodrigues Cordeiro, de 17, que produziu um espelho com quadrados de papel e desenhos de objetos femininos que fazem parte do seu cotidiano, participar da exposição está sendo algo diferente. “Nunca imaginei que fosse capaz de criar uma obra de arte.” Esta também é opinião da aluna Maria Luíza Gonçalves de Freitas, de 14: “Estou emocionada em poder participar e ver como todos os trabalhos se completam dentro da exposição”.

