
Jean Charles foi morto aos 27 anos pela polícia britânica ao ser confundido com um terrorista em 22 de julho de 2005. Duas semanas depois dos atentados contra o transporte público londrino, que deixaram 52 mortos e mais de 700 feridos, outros extremistas tentaram repetir a matança, o que levou à morte de Jean Charles por engano, quando ele entrava no metrô e foi confundido com um dos autores do ataque fracassado.
Segundo a imprensa inglesa, um porta-voz da campanha “Justiça para Jean” afirmou ontem que uma seção que criticava a comissão independente de denúncias, que acompanha o caso e investigou a morte, teria sido suprimida da página por um editor anônimo, que teria feito as mudanças a partir de um computador do governo britânico, em 2006 e 2008.
“O governo leva muito a sério estes casos”, afirmou um porta-voz do Executivo ao Channel 4 News, que divulgou a suposta alteração na Wikipédia, em resposta às acusações. “Recentemente, recordamos aos funcionários suas responsabilidades sob o Código do Serviço Civil e nos ocuparemos de qualquer infração do código”.

Tristeza que não acaba
Em Gonzaga, no Vale do Rio Doce, a 306 quilômetros de Belo Horizonte, onde vive a família de Jean, um primo disse que os pais do eletricista sofrem a cada notícia falsa divulgada. Nessa quinta-feira, a mãe do eletricista, Maria Otoni de Menezes, de 71, que mora na zona rural, precisou ser atendida no centro de saúde do município. Parentes que vivem em São Paulo também estão indignados. “Não é porque Jean era meu sobrinho, mas ele era um menino bacana”, disse Orlando.
Dois meses antes de ser morto, Jean ficou hospedado na casa dele quando retornava a Londres, depois de visitar os pais no interior de Minas. “Eu estava com ele no supermercado e ele me disse que Londres era um lugar abençoado, que recebia muito bem os brasileiros. Falou de um atentado no trem e fiquei assustado. Falei com ele: ‘filho, larga tudo isso e volta para o Brasil. Aqui, a gente ganha pouco, mas vive bem na terra que a gente conhece’. Ele disse que pretendia ficar por lá por mais um ano e meio para terminar o curso de eletricista, que era sua profissão, e que queria se especializar”, comentou o tio.
