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Estado de Minas

Antigos cines de BH vão da restauração ao abandono

Destino dos espaços variam do resgate, que devolveu o luxo aos prédios de Brasil e Palladium, à completa degradação, como é o caso das ruínas do Candelária, na Praça Raul Soares


postado em 14/12/2013 06:00 / atualizado em 14/12/2013 07:19

Donos do Candelária terão de recuperar a fachada do imóvel, tombado após incêndio(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press )
Donos do Candelária terão de recuperar a fachada do imóvel, tombado após incêndio (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press )

Os belo-horizontinos andam em lua de mel com o Cine Theatro Brasil, que reabriu as portas em outubro depois de 15 anos fechado. O espaço, um dos ícones da arquitetura da capital, exibiu na reabertura a exposição Guerra e paz, de Candido Portinari.

O público compareceu em massa e mostrou que BH tem sede de cultura. Da mesma forma ocorreu com o Cine Palladium, reaberto há dois anos como complexo cultural. Mas nem todos os cinemas de rua de Belo Horizonte conseguiram reencontrar sua vocação artística. O exemplo mais recente é o prédio do antigo Cine Pathé, que, apesar do projeto para voltar a exibir filmes, abre as portas na segunda-feira como shopping popular, depois de ser igreja e até estacionamento.

Destino pior teve o Cine Candelária, na Praça Raul Soares. Inaugurada em 1952, a sala viveu seu apogeu entre 1950 e 1970. Fechou as portas em 1995, quando já exibia apenas filmes pornográficos. Em 2004, foi destruído por um incêndio em circunstâncias até hoje não esclarecidas. O tombamento só ocorreu em 2009, quando só haviam sobrado ruínas. Este ano, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte determinou a recuperação da fachada pelos proprietários. Um projeto com a definição do novo uso do espaço e com detalhes da revitalização ainda não foi apresentado.

No primeiro semestre do ano que vem, o Cine México, na Avenida Oiapoque, famoso pelos filmes de faroeste e de artes marciais na década de 1970, volta a abrir as portas. Tombada pelo patrimônio municipal em 1994, a construção em art-decó do renomado arquiteto italiano Raffaello Berti está sendo adaptada para receber um shopping popular. “É um projeto com terraço, praça de alimentação e 187 boxes. A edificação foi toda preservada”, explica a arquiteta Edwiges Leal, do escritório B&L Arquitetura, à frente da revitalização.

O mesmo escritório foi responsável pela transformação do Cine Odeon em um spa masculino voltado para o público homossexual. Na Avenida do Contorno, no Bairro Floresta, Região Leste, era considerado o cinema de bairro mais charmoso da cidade, especializado em filmes considerados alternativos. O prédio, tombado, é original de 1947. “Restauramos todo o telhado, a fachada e a portaria e mantivemos a cortina vermelha. A caixa interna do cinema está toda preservada e a obra é reversível. Se houver interesse, há como retornar com o cinema. As cadeiras foram recuperadas e estão guardadas”, conta Edwiges.

A exemplo do Cine Brasil e do Palladium, o Cine Santa Tereza voltará ao circuito de exibições no próximo ano e deixará de ter apenas participação pontual em festivais. O espaço, na Praça Duque de Caxias, no Bairro Santa Tereza, Região Leste, está em obras e será transformado em centro cultural, com sala de exibição para 150 pessoas, espaço multiuso, biblioteca e cafeteria. Parte da revitalização é de responsabilidade da Prefeitura de BH e outra está sendo custeada pela Vale, com investimento de R$ 1,8 milhão, parte do pacote de intervenções no trecho ferroviário entre BH e Sabará.

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