
Congonhas –Lua cheia e novas luzes na Cidade dos Profetas. A noite de ontem marcou a história de Minas e, em especial, do Santuário Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). No Dia do Barroco e da abertura do bicentenário de morte de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738–1814), foi inaugurada na cidade, a 89 quilômetros de Belo Horizonte, a iluminação cênica interna e externa, com lâmpadas LED, das seis capelas que recriam a via crucis e guardam 64 figuras de autoria do mestre da arte colonial brasileira.
Ao escurecer, o sistema foi acionado, e autoridades, moradores e visitantes viram o tom âmbar no cenário da Santa Ceia, branco azulado do Horto das Oliveiras e violeta da Crucificação. A luz dos Passos da Paixão de Cristo, composto ainda de Flagelação e Coroa de Espinhos, Cruz às Costas e Prisão – conclui o trabalho iniciado há sete anos com recursos do Programa Monumenta/Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A noite teve momentos de grande beleza, com poesia e música. Diante de cada capela, artistas locais declamaram poemas sobre Congonhas e sua riqueza cultural. Participaram Regina Bahia, Cristiane Melo, Terezinha de Paula, Daniela Junqueira, Hudson Raoni e José Félix Junqueira. Na escadaria do santuário, o ator José Félix, vestido como o profeta Joel recitou aos pés do Santuário do Bom Jesus. Ao fim da festa, o coral Cidade dos Profetas, sob a regência de Herculano Amâncio, apresentou músicas barrocas.
“Estamos fazendo uma volta no tempo e vendo, ao vivo, o que aprendemos nos livros, na época do colégio”, disse o empresário José Cândido, de 73 anos, ao lado da mulher, Neusa Dária, residentes em Maringá (PR). Nesta primeira viagem a Congonhas, o casal ficou impressionado com as obras de Aleijadinho. “Tudo aqui emociona e vai além das nossas expectativas”, disse Neusa. A família Fernandes, de Congonhas, também foi conferir a iluminação e valorizar o seu patrimônio. “Está muito bonito. Antes, as capelas ficavam às escuras e ninguém podia visitá-las à noite”, disse Adriano, junto da mulher, Ana Paula, e dos filhos, Arthur, de 7, Vitória, de 5, e Larissa, de 3. A partir de agora, as capelas ficarão abertas para visitação até as 20h30.
LEGISLATIVO
Em reunião especial no Plenário da Assembleia Legislativa, teve início ontem as celebrações do bicentenário (1814–2014) de morte de Aleijadinho e também a comemoração do primeiro Dia do Barroco Mineiro, instituído pela Lei estadual 20.470/12. Durante o evento, tomaram posse os integrantes da Comissão Curadora que será responsável pelos festejos, sendo lançado pelos Correios o selo alusivo as homenagens ao escultor em 2014.

O presidente da Assembleia Legislativa, Dinis Pinheiro (PP), falou sobre o papel da comissão para os festejos do bicentenário da morte do artista. “A comissão constituída pelo poder público e pela sociedade terá um trabalho gigantesco para reverenciar este momento maior do barroco mineiro, representado pela imortalidade de Aleijadinho”, disse Pinheiro, acrescentando que a intenção das homenagens é dar a Aleijadinho o reconhecimento popular que ele já tem nos meios artístico e acadêmico como artista genial.
A solenidade foi encerrada com a exposição Barroco Mineiro – fragmentos e degustação de Quitandas mineiras do século 18. O evento marcou também a apresentação da edição póstumas do último número da Revista Barroco, criada pelo poeta e ensaísta mineiro Affonso Ávila.
