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Estado de Minas VIGILÂNCIA VAI À ESCOLA

Presença de PMs em universidades federais é cada vez maior

Preocupação com crimes leva universidades federais do interior de Minas a fechar parceria para manter policiais militares dentro dos câmpus, sob crítica de estudantes


postado em 07/11/2013 06:00 / atualizado em 07/11/2013 06:40

Militares atendem ocorrência no câmpus da Universidade Federal de Viçosa, na Zona da Mata. Presença policiai será cada vez mais frequente para prevenção e combate a crimes(foto: EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS - 24/8/2012)
Militares atendem ocorrência no câmpus da Universidade Federal de Viçosa, na Zona da Mata. Presença policiai será cada vez mais frequente para prevenção e combate a crimes (foto: EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS - 24/8/2012)

 

Viaturas, homens armados e câmeras de monitoramento passam a fazer parte da rotina não apenas da Universidade Federal de Ouro Preto, mas também de outras federais no interior de Minas. A preocupação com a segurança e a ocorrência de crimes nos câmpus põem policiais militares permanentemente nas universidades de Lavras (Ufla), no Sul do estado, e de Viçosa (UFV), na Zona da Mata. Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a Justiça Federal determinou a liberação de espaço no câmpus para instalação de postos permanentes da PM, mas a decisão ainda está sendo analisada pelo departamento jurídico da instituição.

O alerta da violência foi acionado em Lavras há três anos, quando dois vigilantes de uma agência bancária dentro da Ufla foram feitos reféns durante assalto. Depois disso, a reitoria fechou parceria com a PM para criação de um posto policial comunitário no câmpus, onde, desde junho de 2011, seis agentes se revezam em duplas com o apoio logístico de quatro motos e uma viatura. A universidade montou uma central de videossegurança, com 228 câmeras monitorando a rotina das 12 mil pessoas que circulam diariamente pela instituição de ensino.

Em Viçosa, a segurança está nas mãos de policiais que trabalham num ponto de apoio dentro do câmpus e de vigilantes terceirizados, que têm suporte de 200 câmeras de monitoramento e 300 centrais de alarme. “Temos parceria com a PM, que circula pela universidade e entorno. Além disso, temos vigias em no quadro de funcionários. Essa presença ostensiva dá sensação de segurança ao câmpus, que tem 400 mil metros quadrados de área construída e uma comunidade de 20 mil pessoas”, afirmou o diretor de Logística e Segurança da UFV, Belmiro Zamperlini.

Na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a violência não é considerada desafio pela reitoria. Apesar disso, duas licitações estão em andamento: uma para compra de viaturas e motocicletas e outra para aumento do número de vigilantes armados terceirizados. “Sem dúvida, não há delitos graves no câmpus. Eventualmente, há furtos de celulares e acidentes de trânsito, mas não roubos ou homicídios. Por isso, não há parceria com a PM e não vemos necessidade. Os vigilantes terceirizados e nossos servidores preenchem todas as lacunas”, informou o secretário de Segurança da UFJF, José Carlos Tostes.

A UFMG tem convênio que garante a presença permanente de PMs no câmpus da Pampulha, com rondas diárias com carros e cavalos. A reitoria anunciou em maio que estava em processo de licitação um sistema de monitoramento das entradas e saídas de veículos, por meio do qual o motorista seria obrigado a se identificar na portaria para ter a entrada liberada. A expectativa era de que o sistema começasse a funcionar neste mês, 24 horas por dia, o que ainda não ocorreu. A instituição também previa a instalação de mais de 200 câmeras de vigilância, além das 535 que existiam, mas não informou se isso foi feito. Procurada pelo EM, a UFMG não se pronunciou sobre a questão.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) é contrária à presença da PM em universidades. “Há medidas mais eficazes, como a melhoria da iluminação e a contratação de mais seguranças. Muitas vezes policiais se utilizam de formas repressivas, violentas. Eles podem cometer abusos, parar e constranger qualquer estudante”, afirma o vice-presidente da entidade, Mitã Chalfun.

 

 

SEM PREJUÍZO

"Para as mulheres, é pior ainda. Sempre tento encontrar pessoas para irem embora comigo" - Isabela Gonzaga, de 19 anos, estudante de medicina na Ufop (foto: LEANDRO COURI/EM/D.A PRESS)
A presença da PM não causa qualquer prejuízo à vida universitária, na avaliação do chefe do Comando de Policiamento Especializado, coronel Antônio de Carvalho Pereira. “É claro que o ambiente acadêmico tem peculiaridades. Algumas pessoas acham que a presença policial é contrassenso, mas a polícia tem relação muito tranquila com as federais”, afirmou.

Sem policiamento constante, as instituições de ensino podem se tornar “ilhas” desprotegidas, alertou o oficial: “As universidades públicas são locais de livre acesso, com uma comunidade muito grande. Viram ilhas onde bandidos aproveitam para se esconder ou praticar crimes”. Ele contesta a ideia de que vigilantes próprios ou terceirizados sejam suficientes para garantir a segurança: “Os infratores respeitam mais a polícia do que vigilantes, que geralmente têm pouco treinamento e missão diferente, mais voltada à defesa do patrimônio”.


SEGURANÇA NAS FEDERAIS


UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG)

» Convênio garante presença permanente de PMs no câmpus, rondas diárias com viaturas e cavalos. Câmpus tem mais de 600 porteiros em horários distintos e mais de 300 vigilantes, além de ao menos 535 câmeras em toda a área da universidade. Em maio, a UFMG informou que abriria licitação para instalar vigiar 24 horas por dia a entrada e saída de veículos, cujo sistema passaria a funcionar neste mês, e implantaria 268 câmeras.


UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
» Câmpus tem um posto policial comunitário desde 2011. São seis militares se revezando em duplas, com apoio de quatro motocicletas e uma viatura. Conta ainda com uma central de videossegurança com 228 câmeras em pontos estratégicos


UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV)
» Câmpus tem ponto de apoio da PM desde o início do ano. Conta também com sistema de monitoramento com 200 câmeras, sendo 14 de alta resolução, e 300 centrais de alarme com equipamentos instalados em 1,2 mil pontos estratégicos

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
» Câmpus tem sistema de vigilância interna com servidores efetivos, além de funcionários terceirizados para a guarda patrimonial. E está em andamento projeto de vigilância eletrônica com câmeras. Está em análise a notificação da Justiça Federal para que a instituição instale postos permanentes da PM, a partir de ação civil pública apresentada pelo Ministério Público.


UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (UFJF)
» Câmpos conta com 35 vigilantes da instituição e uma empresa de vigilância terceirizada. Licitação em curso para aumentar número de vigias, comprar mais viaturas e motocicletas. Até o fim do ano, iniciará canteiro de obras para instalar sistema de monitoramento por vídeo.

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO (UFOP)
» Câmpus conta com cerca de 25 vigilantes da instituição e 12 de uma empresa terceirizada. A escola quer instalar câmeras em pontos críticos, quatro delas até o início de 2014, nos acessos do câmpus. A reitoria quer que a PM faça rondas diárias.


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