(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas A APREENSÃO SOBE. A SEGURANÇA DESCE

Mais um acidente com elevador reacende preocupação com estado de equipamentos

Prefeitura aumenta a fiscalização e autuações disparam. Dados do sindicato das empresas de conservação indicam que pelo menos 30% dos aparelhos do Centro da capital operam precariamente, alguns com mecanismos de sete décadas de uso


postado em 27/09/2013 06:00 / atualizado em 27/09/2013 07:03

Acidente que interditou um dos equipamentos do Edifício Maletta e feriu três pessoas deixou frequentadores do prédio preocupados(foto: Leandro Couri/EM/D.A.Press)
Acidente que interditou um dos equipamentos do Edifício Maletta e feriu três pessoas deixou frequentadores do prédio preocupados (foto: Leandro Couri/EM/D.A.Press)


A queda de um dos elevadores do Edifício Arcângelo Maletta, no Centro de Belo Horizonte, expôs um problema conhecido para quem frequenta prédios antigos da cidade: o medo de usar os equipamentos, muitos deles com décadas de funcionamento e maquinário defasado. A sensação de insegurança, que chega a fazer funcionários e visitantes optarem pelas escadas, se traduz em números. Somente nos quatro primeiros meses deste ano, o total de notificações e multas emitidas pela Prefeitura de BH a condomínios que têm elevador cresceu 400% em relação a todo o ano passado. Enquanto em 2012, 228 advertências foram emitidas, apenas de janeiro a abril deste ano 1.139 prédios foram notificados. Dos 14 mil elevadores de BH, 50% estão em prédios da Região Centro-Sul.

Os salvamentos de vítimas presas nos equipamentos também registra alta. No ano passado foram 606 ocorrências, 34% mais que em 2011, quando 449 pessoas precisaram ser retiradas de elevadores pelos bombeiros. Em BH, 2009 foi um dos anos mais críticos em relação à segurança dos usuários, com o registro de dois graves acidentes. Um deles ocorreu em fevereiro, no prédio do Hotel Othon Palace, no Centro, e matou o garçom Wellington Marinho da Silva, que caiu no fosso do equipamento de serviço. O colega dele, Cláudio Damião Rodrigues, de 21, sobreviveu à queda. No mês seguinte, 11 pessoas ficaram feridas quando um elevador despencou do 12º andar do Edifício Joaquim de Paula, na Praça Sete.

Em um dos episódios mais graves na cidade, queda de elevador feriu mais de 10 pessoas em 2009(foto: Leandro Couri/EM/D.A.Press)
Em um dos episódios mais graves na cidade, queda de elevador feriu mais de 10 pessoas em 2009 (foto: Leandro Couri/EM/D.A.Press)
O medo que assombra passageiros a cada solavanco do aparelho tem seu maior peso na idade. De acordo com o diretor comercial do Sindicato das Empresas Conservadoras e de Manutenção em Elevadores de Minas Gerais, Adriano Acácio dos Santos, os condomínios, especialmente os antigos, alegam não ter dinheiro para a modernização. “Muitos são tombados pelo patrimônio e precisam investir alto para adequar os equipamentos. Mas, de forma geral, a maior parte não tem recursos”, afirma o diretor, que estima em 30% o índice de aparelhos que operam de forma precária na região Central. “Pelas regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas, os elevadores devem ser atualizados a cada 10 ou 15 anos, mas há maquinário funcionando com comandos ultrapassados, alguns com mais de 70 anos”, garante.

A equipe do Estado de Minas visitou cinco prédios da Região Centro-Sul para conhecer a situação dos elevadores em prédios de intenso movimento, construídos na metade do século passado: um na Rua dos Timbiras; um na Avenida Bias Fortes e dois na Avenida Afonso Pena. O EM também voltou no Arcângelo Maletta, cenário do acidente anteontem. No local, a queda do equipamento do quarto andar até o térreo, que feriu três pessoas, era o assunto do dia. Um dos funcionários admitiu a precariedade das máquinas e disse que elas estragam com frequência. “São como uma geladeira velha, de 50 anos ou mais, que você tem em casa. Ela não vai funcionar bem, não é? E não é por falta de manutenção. É porque são velhos mesmo”, disse, sem se identificar. Ele acrescentou que a maior parte das pessoas que usaram o transporte ontem disseram estar com medo.

Um deles, um vendedor de 56 que pediu para ter a identidade preservada, disse que a apreensão que já tinha se tornou ainda maior. “Depois que soube do acidente, desci mais de 10 andares de escada. Quando cheguei hoje (ontem), subi tudo de novo. Não sei quando vou voltar a andar de elevador”, relata. O advogado Lázaro Ávila Rodrigues, de 57, atribui o problema à falta de melhorias e de manutenção. “Não acredito em acasos. Há cerca de três anos, dois elevadores despencaram do terceiro andar”, diz. No bloco em que três há aparelhos, apenas um estava funcionando ontem. Além daquele que caiu, outro está em manutenção.

O medo também ronda os frequentadores de um edifício famoso pela concentração de lojas de vestidos de noivas, na Afonso Pena. O temor é reconhecido até pelo síndico, que se negou a dar informações à reportagem. Trabalhando no local há três anos, a vendedora Rose Campos Nunes, de 37, diz que os aparelhos passaram por recentes melhorias e, de modo geral, não têm tido problemas.

Nas imediações do Elevado Castelo Branco, moradores e funcionários de um dos prédios antigos da região, que pediram para não serem identificados, contaram que, dos três aparelhos, apenas um funciona adequadamente. O projeto, diz o condomínio, está prestes a ser executado.

Em um dos edifícios mais conhecidos no Centro, na Avenida Afonso Pena, a insegurança se repete. Dos seis equipamentos do prédio, de 1943, e que tem intensa movimentação comercial, um estava em manutenção ontem. Segundo uma usuária que prefere o anonimato, é comum que dois elevadores fiquem parados para reparos.

Já no Edifício JK, que tem o projeto de Oscar Niemeyer, o gerente do condomínio, Manoel Freitas, garante que a manutenção é diária, mas assume que problemas são constantes. No prédio de 23 andares e 1.067 apartamentos, há 17 elevadores. “As máquinas que temos são as melhores e, recentemente trocamos uma gaiola e o quadro de comandos. Não dá para trocar tudo de uma vez, porque são equipamentos caros”, afirma, lembrando que andar de elevador no JK é seguro.

LINHA-DURA O aumento das notificações por irregularidades em elevadores em BH ocorreu após a criação do plano de ação fiscal específico para aparelhos de transporte, implantado neste ano pela prefeitura. De acordo com a Secretaria Municipal Adjunta de Fiscalização, os problemas constatados sujeitam as empresas responsáveis ou proprietários dos aparelhos à notificação, multa (de R$ 214,64 a R$ 10.732,10) e até interdição do aparelho. Além do trabalho rotineiro, a fiscalização também é motivada por denúncias pelo telefone 156 ou pela internet (portaldeservicos.pbh.gov.br).

 

 

Escalada de problemas

Apenas nos quatro primeiros meses deste ano, fiscalização sobre equipamentos já é 290% maior que em todo o ano passado, mas o índice de infrações é altíssimo. Confira os números do setor

14 mil

elevadores estão espalhados por Belo Horizonte

50%

dos equipamentos, aproximadamente, estão em prédios da Regional Centro-Sul

435

vistorias em edificações com equipamentos de transporte vertical foram feitas em 2012 e resultaram na emissão de 228 notificações e multas por constatação de irregularidades

1.699

vistorias em elevadores foram registradas apenas entre janeiro e abril deste ano

67%

do total de fiscalizações de 2013, ou 1.139, resultaram em notificações

606

pessoas foram resgatadas de elevadores em 2012, seja por acidente ou travamento das portas

449


salvamentos de vítimas presas em elevadores foram feitas pelo Corpo de Bombeiros em 2011


Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte e Corpo de Bombeiros


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)