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Estado de Minas

Guardas municipais estabelecem relação de conflitos na Praça Raul Soares

Após agressão de guarda municipal a criança, frequentadores de espaço no Centro de BH expõem desavenças constantes com agentes. Policiais também se queixam de ameaças


postado em 17/08/2013 06:00 / atualizado em 17/08/2013 07:00

Presença dos guardas garante preservação da área, também frequentada por moradores de rua e travestis(foto: João Miranda/EM/D.APress)
Presença dos guardas garante preservação da área, também frequentada por moradores de rua e travestis (foto: João Miranda/EM/D.APress)

 

Uma relação conflituosa. Assim frequentadores e moradores de rua definem o tratamento dado por guardas municipais a quem passa na Praça Raul Soares, no Centro de Belo Horizonte. Depoimentos de pessoas que aproveitam a praça para descansar e de andarilhos mostram que a agressão de um agente a uma criança na quarta-feira é um caso extremo, mas não isolado. “Eles não têm educação para falar com a gente. Já chegam xingando e abusam da autoridade que têm”, conta a cabeleireira Érica Martins, de 22 anos, frequentadora da praça. Os guardas se defendem e dizem ser hostilizados durante o trabalho, especialmente por menores de rua.

No caso da agressão, o menino estava em companhia de dois garotos banhando e brincando na fonte da praça. Pouco depois, um guarda foi até o grupo e pediu que saísse da água. Três deles obedeceram, mas um permaneceu. Em um vídeo divulgado por uma testemunha, o guarda é visto chutando o rosto do menino, que caiu na água novamente.

Érika Martins conta ainda que o tratamento dispensado pelos guardas deveria ser melhor e que para isso eles deveriam ser mais bem treinados. “Eles estão aqui para zelar pelo patrimônio público, mas podem ser educados para cobrar que as pessoas cumpram as regras da praça”, diz.

O morador de rua Claudiomar Moreira, de 45 anos, é frequentador assíduo da Raul Soares. Ele diz que, salvo algumas exceções, há casos de abuso de autoridade. “Eles são grosseiros, agressivos quando falam com a gente. Alguns são extremamente mal-educados.” Ele lembra que o trabalho da Polícia Militar é diferente: “A PM é mais tranquila quando nos aborda.”

Claudiomar diz ter visto a violência contra a criança no jornal de ontem e não gostou da notícia. “Os guardas precisam zelar pelo patrimônio e chamar atenção de quem tenta invadir a fonte, por exemplo. Mas a atitude do guarda não tem justificativa. Eles deveriam ter agido com mais educação”, conta.

Repúdio

O estudante de direito Domingos Soares da Rocha, de 36, também repudia o comportamento do agente. Para ele, ainda que a situação chegasse ao extremo, o funcionário público deveria ter mantido o controle. “Ele estava a trabalho. Por mais raiva que tivesse da criança naquela situação, não poderia ter agido com violência”, afirmou o estudante, enquanto descansava na Praça Raul Soares.

A ambulante R. J., de 19, defende o agente envolvido no caso. Segundo ela, a criança foi resistente em sair da água e ameaçou molhar o guarda. “Ele chutou a roupa do menino e não o rosto dele. Ele então escorregou e caiu na água”, diz. Segundo a mulher, as crianças voltaram para a praça poucas horas depois.

Ameaças

Os guardas municipais que estavam a trabalho ontem na praça confirmam que a relação com pessoas que atentam contra o patrimônio é realmente difícil, mas dizem ser vítimas de agressões verbais. “Temos de manter a ordem e o patrimônio. A gente conversa com quem infringe as regras, como entrar na fonte. Quando a gente pede para eles saíram, nos xingam e ameaçam”, contou um deles sem se identificar.

O guarda lembrou o caso recente de um usuário de drogas que diariamente ia à praça para fumar maconha. “Depois de tanto alertá-lo, sem sucesso, fiz a prisão dele e o levei para a delegacia. Foi numa manhã e à tarde, ele estava aqui de volta, zombando de mim”, contou.

Proteção ao patrimônio

A Guarda Municipal, por meio de sua assessoria de imprensa, esclarece que moradores de rua, assim como os travestis, que também são alvo de muitas reclamações dos moradores do entorno, têm o direito constitucional garantido de permanecerem na praça. Os guardas, segundo o órgão, só podem intervir quando há uma situação de conflito ou atentado ao patrimônio. Ainda assim, eles devem ter o bom senso e discernimento para ir até onde a lei o resguarda.

Ainda segundo a assessoria, os agentes passam por treinamento para gerenciamento de crises e qualquer reclamação sobre o comportamento deles deve ser levada à corregedoria para ser investigada. Sobre o caso da suposta violência contra a criança na quarta-feira, o órgão já havia informado que não admite e não tolera esse tipo de conduta por parte dos agentes e que as circunstâncias do fato serão apuradas. Acrescentou que, caso seja constatada a culpa do agente, ele pode ser punido com advertência e até mesmo demissão. Ele também poderá responder pelo crime.


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