
O gargalo no trânsito e o risco de atropelamento para pedestres, que se espremem entre os carros para atravessar sem segurança, compõem um cenário alheio que carece de intervenção do poder público. Passageira do metrô, a relações-públicas Raquel Araújo, de 38 anos, convive diariamente com o perigo. O acesso à Estação Calafate pela Platina é feito em uma altura da via em que não há faixa de pedestre. O jeito é esperar. “A dificuldade aqui é muito grande para chegar ao outro lado. O trânsito é muito intenso e é preciso implantar mais faixas de pedestre”, diz.

Outro grave problema é o estacionamento irregular. Há grande demanda e pouca oferta de vagas. Entre a Avenida Silva Lobo e as ruas Doutor Gordiano e dos Andes, onde o comércio é maior, não é permitido estacionar, mas motoristas ignoram a proibição e deixam os carros em pontos de ônibus e sobre as calçadas. O engenheiro civil e consultor em transporte e trânsito Silvestre de Andrade Puty Filho ressalta que um veículo estacionado em local de grande circulação, como a Platina, compromete muito a fluidez. “Um carro que para em uma faixa livre pode prejudicar 2 mil veículos em uma hora”, alerta.
Andrade destaca que os problemas na Platina têm reflexo grande na região que exige fiscalização e manutenção frequentes. “Ruas como a Platina, Niquelina (Leste) e Jacuí (Leste e Nordeste) refletem a realidade de uma cidade que cresceu desordenada”, avalia o engenheiro.
No caso do entorno da Platina, falta opção para criar mão única na via, que vai da Avenida do Contorno até a Avenida Silva Lobo. “Não há uma via com capacidade para o trânsito no outro sentido. Há muita descontinuidade nas ruas em volta, o que obrigaria a abertura de um verdadeiro caminho de rato para o trânsito circular no sentido contrário”, acrescenta.
Fiscalização e requalificação
Comandante do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), o tenente-coronel Roberto Lemos afirma que a Rua Platina tem fiscalização constante de uma equipe integrada com a BHTrans. “Como a área é de trânsito frequente de militares, sempre há fiscalização, seja pela equipe do BPTran integrada com a Guarda Municipal e BHTrans ou por outros policiais em serviço”, garante. O militar atribui os problemas ao crescimento da região e critica as condições do asfalto, além da falta de faixas de pedestres. “A região necessita de um tratamento na pista e nas calçadas para ordenar a circulação”, completa.

A empresa afirma que não existe outra via para reduzir o fluxo de veículos da Platina, o que inviabiliza a criação de mão única. A BHTrans garante que faz fiscalização constante com equipes integradas com a Polícia Militar e a Guarda Municipal. Também por meio de nota, a Secretaria Municipal de Obras informou que não há projeto de obra viária de grande porte para a região, nem sequer previsão de recapeamento.
