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Estado de Minas

Apesar de ter a maior malha viária do país, MG receberá pacote modesto de obras


postado em 16/05/2013 06:00 / atualizado em 16/05/2013 06:41

Apesar de ter a maior malha viária do país, Minas Gerais receberá apenas 5,71% dos empreendimentos federais com licitações a serem lançadas até março de 2014 pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A autarquia planeja iniciar este mês o processo licitatório de 70 projetos de construção ou adequação de obras rodoviárias no país, segundo documento elaborado pela diretoria executiva do órgão. Na relação, apenas quatro itens para Minas. O Dnit alega que são iniciativas “de grande vulto”, mas especialistas discordam.

Ainda neste mês deve ser publicada a licitação para obras no Trevão, que se estende por 2,1 quilômetros na BR-365, no entroncamento com a 153, perto de Monte Alegre de Minas, no Triângulo. Em agosto, será a vez da construção de uma ponte sobre o Rio Paranaíba, na BR-153, para ligar Araporã a Itumbiara (GO). Em setembro, haverá licitação para pavimentação de 48,7 quilômetros da BR-135, em Itacarambi, no Norte de Minas. A quarta e última obra prevista para o estado começará a ser licitada em novembro. Trata-se da construção da variante, rodovia de 38,8 quilômetros — tamanho aproximado, já que “ainda não foi realizado o estudo de traçado”, ressalta o Dnit — que ligará Nova Era a São Gonçalo do Rio Abaixo, na Região Central, desviando o fluxo da BR-381 de João Monlevade e municípios vizinhos.

O Dnit informou, por meio da assessoria de imprensa, que essas licitações serão realizadas em regime diferenciado de contratação, ou seja, a empresa contratada será responsável pela elaboração do projeto e pela execução da obra. Cada processo licitatório deve durar de 60 a 90 dias.

Críticas

Professor da PUC Minas, o engenheiro de transportes Paulo Rogério da Silva Monteiro discorda da avaliação do Dnit: “Não são obras de grande vulto. A BR-153 tem apenas importância regional, com trecho muito pequeno em Minas e volume de tráfego que não consideraria relevante. Por sua vez, a 135 atende mais São Paulo e Goiás, corta Minas na ponta, mais para oeste de Uberaba e Uberlândia.”

Para Monteiro, a variante é o projeto mais substancial. “É o que mais importa, pois terá grande volume de tráfego e poderá diminuir os acidentes na 381. O fluxo pesado será aliviado”, analisa. A nova estrada cortará morros e fazendas em Nova Era, São Gonçalo do Rio Abaixo e em áreas de Itabira e João Monlevade, eliminando trechos sinuosos. O atual trecho voltaria a ser BR-262, sentido Espírito Santo e passando em Monlevade. Para o engenheiro, há outros projetos que mereceriam mais atenção do Dnit. “Um exemplo: se não houvesse melhoria de estrutura no trecho entre BH e Conselheiro Lafaiete da BR-040, como duplicação e construção de viadutos, pelo menos a sinalização e a pavimentação deveriam ser recuperadas”, aponta.

O documento elaborado pela diretoria executiva da autarquia inclui também uma lista de 73 postos de pesagem a serem reformados e 35 a serem implantados em todo o país. A relação de reformas abrange os 15 postos em atividade em Minas, mas, entre os novos, apenas dois funcionarão no estado. Um deles estará, provavelmente, no km 383 da BR-251, no sentido Montes Claros-Salinas, em Grão Mogol, no Norte do estado. O outro deve ficar no km 359 da BR-365, entre Paracatu e Patos de Minas, em Presidente Olegário, no Noroeste.

Para o engenheiro de transportes e consultor Frederico Rodrigues, o número de novos postos é insuficiente: “Além de Minas ter enorme extensão de malha viária, grande parte dos veículos trafega com carga acima do peso. Deveria haver maior fiscalização”. Rodrigues aponta prejuízos que o sobrepeso pode acarretar: “O pavimento se desgasta com mais rapidez e aumenta o risco de acidentes graves, inclusive por causa da menor capacidade de frenagem e maior poder de estrago em colisões”.

Rodovia da morte

O novo edital para duplicação da BR-381, lançado em 28 de março, já teve quatro erratas. A última, publicada em 30 de abril, no Diário Oficial da União, informou o adiamento dos prazos para propostas. Antes, os documentos deveriam ser recebidos entre 4 e 6 de junho. Depois a data mudou para 13 a 17 do mesmo mês. Essa é apenas mais uma protelação no conturbado processo de licitação para duplicação, essencial para reduzir o número de mortes e acidentes na estrada. No início do ano, os dois editais do projeto foram suspensos.


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