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Estado de Minas

Crack agrava situação de moradores de rua


postado em 31/03/2013 00:12 / atualizado em 31/03/2013 10:35

Na última terça-feira, o albergue Tia Branca, na Floresta, Leste de BH, o mais antigo da capital mineira, completou 21 anos. Durante as comemorações, o comentário entre funcionários e trabalhadores dos setores sociais da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) era de que o número de moradores de rua e de migrantes só aumenta. Só no local, desde a inauguração, foram 2 milhões de pernoites, num espaço que agora abriga 320 pessoas em situação de rua e 80 migrantes, parte deles atendidos pelo antigo abrigo da Pedreira Prado Lopes, que foi demolido. Cada usuário custa diariamente R$ 20 ao município.

“É um público que mudou muito daquele dos primeiro 18 anos do albergue”, reconhece o presidente da Associação Grupo Espírita O Consolador (entidade que administra o espaço), Gladyston Lage. “A gente via, naquele tempo, uma ruptura dos laços familiares e uma forte questão de alcoolismo entre os albergados. Hoje, há uma presença forte de toxicomania, com muita incidência de crack”, afirma.

Medidas A secretária municipal de Políticas Sociais, Glaucia Brandão, disse que os quadros técnicos e gerencias da assistência social serão adequados e que parte dos trabalhos com a população de rua será orientado com mais qualidade depois que o censo for feito nas ruas. “Precisamos avançar além do acolhimento. Precisamos estudar cada caso e saber quais as necessidades e situações que levaram essa população a esse estado. Buscamos o aprimoramento. Temos dois albergues e queremos que façam intercâmbios”, afirma.

Para ela, a sensação de aumento das pessoas vivendo nas ruas decorre, em grande medida, de dificuldades familiares. “As famílias não estão dando conta, porque o alcoolismo e as drogas, em especial o crack, se tornaram problema muito sério, que leva ao abandono”. A pasta promete ainda, até novembro, a ampliação do sistema em mais 50 vagas, com a inauguração de mais uma unidade de acolhimento institucional na Avenida Nossa Senhora de Fátima, no Carlos Prates. Para o ano que vem, também estão prometidas 50 vagas em terreno ainda a ser definido.

Há planos, ainda, de que o Albergue Municipal funcione durante o dia como Centro de Referência da População em Situação de Rua. Todos os moradores de rua cadastrados em Belo Horizonte têm direito a receber alimentação gratuita nos restaurantes populares, que serviram 13 mil refeições em 2012. Também no ano passado, 249 pessoas deixaram as ruas, segundo a PBH.

Cachaça
no plástico

Assim como os traficantes de crack, que despejam a droga nos grupos de noiados, fabricantes de cachaça de péssima qualidade apostam também no nicho formado pelos moradores de rua para faturar. Por R$ 2, que conseguem com facilidade de transeuntes, eles compram a bebida em supermercados, botequins e até em sacolões. A mais popular delas é envasada em recipiente de plástico (material não apropriado para bebida alcoólica), bojudo, com capacidade para 430ml. A pinga está presente em todas as rodas, o consumo é constante e o teor alcoólico altíssimo.


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