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Estado de Minas

Abuso do álcool é subnotificado em BH

Relação do consumo de álcool com acidentes de trânsito é baixa por causa de brecha na legislação


postado em 25/07/2012 06:00 / atualizado em 25/07/2012 06:38

As ocorrências analisadas pelo Projeto Vida no Trânsito demonstram uma realidade que tem mascarado a importância do consumo de álcool entre os envolvidos em acidentes graves, com feridos e mortos. O consumo de bebidas alcoólicas respondeu apenas por 1,8% dos componentes de acidentes com mortos e feridos, sendo que entre os motociclistas a participação cai para 1%. “Isso mostra que as ocorrências policiais não conseguem identificar quem bebeu, pois os condutores não são obrigados a soprar o bafômetro”, avalia a diretora de Informação e Atendimento da BHTrans, Jussara Bellavinha. Um indicativo de que esse número é muito maior é que o Instituto Médico Legal da Polícia Civil divulgou para o grupo de estudos que 20% dos mortos (condutores ou não) envolvidos em acidentes e que passaram por autópsia tinham ingerido álcool.

Outro fator sobre cuja influência pouco se sabia é a importância da infraestrutura das vias nos desastres mais graves. De acordo com o estudo do Projeto Vida no Trânsito, esse aspecto esteve presente em 7,1% dos feridos graves e mortos em ocorrências de trânsito. De acordo com Jussara, isso foi indicado nos registros policiais, geralmente apontando locais onde não havia rotatórias, vias cujo traçado causam conflito de tráfego, que precisam de sinalização ou que têm marcações de tinta sobre o asfalto apagadas. A Avenida Cristiano Machado, que liga o Aeroporto Internacional Tancredo Neves ao Centro de Belo Horizonte é uma delas. Na altura do Bairro Floramar, na Região Norte, por exemplo, os recapeamentos recentes acabaram de cobrir linhas e zebras que não haviam desapareceram ainda pelo desgaste provocado pelo tráfego.


“A partir de todos esses dados orientamos a instalação de radares e detectores de avanço de semáforo. Parte do projeto do BRT da Cristiano Machado teve orientação de especialistas do Projeto Vida no Trânsito para serem mais seguros”, afirma a diretora da BHTrans. Ainda de acordo com ela, no ano passado a empresa realizou curso para 660 motofretistas e doou coletes refletores de segurança para melhorar a segurança do setor.


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