
Passos e Pouso Alegre - Quando a tarde chega nos arredores da praça da Unidade Básica de Saúde (UBS) Fortunato Borsari, em Passos, no Sul de Minas, quem precisa de atendimento aperta o passo. Mães de mãos dadas com crianças e idosos desconfiados aceleram para entrar no casarão da UBS, que mais se parece uma prisão por causa das grades nas janelas e portas. A praça, antes bem cuidada e com duas quadras esportivas, tornou-se um lugar perigoso. Traficantes negociam livremente com usuários de crack e, muitas vezes, agridem viciados que devem dinheiro. Perto dali, um estudante de 16 anos que já matou, roubou e jurou de morte o diretor, professores e colegas, exibe um revólver na cintura. Por causa das ameaças dele, as aulas na Escola Estadual São José chegaram a ser suspensas por três dias.
Em Passos, que tem 107 mil habitantes, o número de homicídios na cidade mais que dobrou em comparação com 2010. Este ano, apesar da queda de 15% no primeiro semestre, o número continua alto. Já foram registrados 18 assassinatos. A falta de policiamento é um dos problemas: há apenas quatro policiais civis na delegacia de homicídios e a PM admite que, com os homens de que dispõe, faz apenas o que é prioritário. A 250 quilômetros dali, em Pouso Alegre, a situação não é muito diferente. O tráfico, segundo a Polícia Civil, é coordenado diretamente por uma organização criminosa paulista que se infiltra em Minas. A Polícia Civil na cidade informou que carece de mais 10 delegados.
Unidades Outro indicativo de falta de estrutura é a quantidade de municípios com unidades de ação especializada contra quadrilhas mais organizadas. Segundo a Seds, apenas cinco das 21 cidades médias listadas em estatísticas de segurança dispõem de unidades táticas móveis e rondas táticas metropolitanas. “A Polícia Civil precisa contratar e a PM deve colocar mais policiais na ativa”, cobra o pesquisador da Fundação João Pinheiro Marcus Vinícius Cruz. Ele critica a burocracia administrativa, que em muitos casos impede que mais homens atuem nas ruas. “As polícias estão sobrecarregadas, mas muito porque não conseguem dividir os serviços com os vários agentes da sociedade”, analisa.
