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Estado de Minas

Três mil leitos para combater o crack na capital

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anuncia recursos contra a epidemia da droga e garante abertura de vagas para tratamento


postado em 30/06/2012 06:00 / atualizado em 30/06/2012 07:05

Usuário consome a pedra: enfrentamento ao vício que se tornou um desafio à saúde pública ganha reforço de R$ 476 milhões, parte para investir em policiamento(foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press %u2013 7/12/11)
Usuário consome a pedra: enfrentamento ao vício que se tornou um desafio à saúde pública ganha reforço de R$ 476 milhões, parte para investir em policiamento (foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press %u2013 7/12/11)


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve ontem em Belo Horizonte para assinar junto com o governador Antonio Anastasia e o prefeito Marcio Lacerda o Plano Mineiro de Enfrentamento ao Uso Indevido de Álcool, Crack e outras drogas. Ele anunciou que estão garantidos R$ 476,7 milhões para o estado enfrentar a epidemia e, entre as ações, está prevista a abertura de 3 mil leitos para tratamento de viciados, em enfermarias especializadas, Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) e unidades de acolhimento. Hoje, existem 1.750 leitos no estado. Do total, R$ 6,7 milhões são do Ministério da Justiça para reforçar equipamentos das áreas de segurança pública, como câmeras de vigilância e bases móveis da Polícia Militar na capital. Minas é a quinta unidade da federação a aderir ao plano do governo federal anunciado em dezembro e recebe o maior repasse de recursos, junto com São Paulo.

O ministro defendeu a internação compulsória de dependentes químicos, principalmente usuários de crack, quando a pessoa tiver risco de morte e for avaliada por uma equipe médica. Para isso, Padilha aposta na ampliação dos chamados consultórios de rua, que são 90 em todo o país, quatro em Belo Horizonte. São profissionais de saúde que junto com assistentes e agentes sociais trabalham em horários alternativos, até de madrugada, fazendo buscas ativas nas ruas e em áreas mais vulneráveis. A previsão é que a capital receba mais dois consultórios de rua e o mesmo tipo de atendimento seja expandido para o interior.

A pessoa internada, segundo ele, deve ser levada a um projeto de tratamento continuado e com equipamentos adequados para a realidade da pessoa. Com a ampliação dos consultórios de rua no país, para o ministro, as internações compulsórias serão cada vez mais comuns. “Os profissionais criam um vínculo com as pessoas. Muitas vezes, são os únicos representantes do poder público que chegam àquele lugar. Para tirar uma pessoa da dependência química é preciso reconstruir o projeto de vida dela, conhecer a sua realidade e estabelecer uma relação de segurança e confiança”, disse Alexandre Padilha.

O secretário de Saúde de Minas, Antônio Jorge de Souza Marques, informou que todos os equipamentos de saúde, como os centros de atendimento psicossocial e casas de passagens e consultórios de rua, terão agora um financiamento consistente, distribuído para todas as regiões de Minas. “Estamos com capacidade de credenciar mais 50 unidades terapêuticas”, disse o secretário.

O subsecretário de Política Antidrogas, Cloves Benevides, informou que o Centro de Referência Álcool e Drogas já identificou e encaminhou para tratamento cerca de 40 mil pessoas desde 2005. “Por ano, 4 mil vagas são abertas regularmente para atender pessoas usuárias de drogas e agora vamos ampliar essas ações”, disse. Hoje são 20 CAPs de álcool e droga e o número será dobrado. Pela estimativa dele, são cerca de 340 mil mineiros dependentes de crack.

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