
O que era para ser via de trânsito interno virou atalho para muitos motoristas de Belo Horizonte. Por estar localizado estrategicamente entre as avenidas Antônio Carlos e Carlos Luz, na Pampulha, o câmpus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tornou-se ponto de passagem para quem quer ganhar tempo fugindo de congestionamentos. O uso do “desvio”, que já aumentou em mais de 10% o volume dos 18 mil carros que circulam diariamente pela área, tornou-se mais frequente depois do início das obras do BRT (transporte rápido por ônibus) na Antônio Carlos e se transformou em grande problema.
Preocupada com o caos instalado, a instituição anunciou a contratação de uma empresa para fazer estudos que vão disciplinar o trânsito no câmpus. Medidas emergenciais também foram tomadas e caminhões já estão proibidos de transitar no local, exceto os de prestação de serviço. O aumento de vagas pelo Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) também aumentou a demanda por espaço e contribuiu para o crescimento do volume de carros na UFMG.
A decisão de fazer novo estudo de circulação para o câmpus partiu dos resultados negativos constatados pela universidade. “Estamos tendo desgaste no pavimento, que não foi feito para suportar tantos veículos e muito menos pesados, como caminhões. Também lidamos com o trânsito de passagem, ou seja, motoristas que usam a universidade para fugir do tráfego”, relata o pró-reitor de Administração, Márcio Baptista. Segundo ele, essas situações expõem alunos, funcionários e visitantes ao risco maior de acidentes. “Os carros que usam a universidade como passagem cruzam o câmpus com velocidade muito maior do que aqueles de quem realmente está vindo aqui com algum objetivo”, explica o pró-reitor.
Outra medida anunciada por Baptista é a criação de um convênio com a Guarda Municipal. “Temos parceria com a Polícia Militar, que faz patrulhamento rotineiro. Eles têm uma pequena base aqui e fazem o monitoramento da segurança. Agora, vamos procurar a guarda para tratar também das questões de trânsito”, disse. Com o estudo orçado em R$ 100 mil a ser desenvolvido pela empresa licitada pela UFMG, novas regras de estacionamento também podem ser adotadas, já que esse também é um dos problemas listados pelo pró-reitor. “Com falta de vagas na rua, especialmente por causa das obras da Antônio Carlos, muitos motoristas param aqui”, conta.
O professor afirma que parte do aumento está relacionada à chegada de unidades de ensino ao câmpus, mas afirma que a interferência da obra é nítida. Os seguranças orientam motoristas sobre estacionamento, mas como não são multados, ninguém respeita. Com a presença da Guarda Municipal, as multas poderão ser aplicadas.

Abusos

Se hoje a demanda por estacionamento é grande, a expectativa é aumentar mais, já que nos próximos anos a comunidade acadêmica da Pampulha deve ganhar mais alunos, professores e servidores. A mudança do curso de direito, que hoje funciona na Avenida João Pinheiro, no Centro da capital, e conta com 2,5 mil pessoas, já está acertada. Atualmente, já estão em andamento os projetos para as obras das unidades que vão abrigar o curso e a expectativa é de que em quatro anos os futuros advogados já estejam estudando no câmpus Pampulha. Além do direito, que já tem a mudança acertada, ainda permanece fora da Pampulha a Escola de Arquitetura, que fica na Savassi, e não tem nenhuma previsão de transferência. O câmpus Saúde da UFMG será mantido na área hospitalar, já que conta com o Hospital das Clínicas e uma mudança seria inviável.
