(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Grande volume de carros faz UFMG rever trânsito

Tráfego crescente e descontrolado de carros e falta de vagas para estacionamento levam UFMG a contratar empresa para disciplinar fluxo de veículos na Pampulha


postado em 16/06/2012 06:00 / atualizado em 16/06/2012 07:20

Câmpus recebe veículos que nada têm a ver com a comunidade acadêmica, porque serve de atalho para escapar de congestionamentos(foto: PAULO FILGUEIRAS/EM/D.A PRESS)
Câmpus recebe veículos que nada têm a ver com a comunidade acadêmica, porque serve de atalho para escapar de congestionamentos (foto: PAULO FILGUEIRAS/EM/D.A PRESS)


O que era para ser via de trânsito interno virou atalho para muitos motoristas de Belo Horizonte. Por estar localizado estrategicamente entre as avenidas Antônio Carlos e Carlos Luz, na Pampulha, o câmpus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tornou-se ponto de passagem para quem quer ganhar tempo fugindo de congestionamentos. O uso do “desvio”, que já aumentou em mais de 10% o volume dos 18 mil carros que circulam diariamente pela área, tornou-se mais frequente depois do início das obras do BRT (transporte rápido por ônibus) na Antônio Carlos e se transformou em grande problema.

Preocupada com o caos instalado, a instituição anunciou a contratação de uma empresa para fazer estudos que vão disciplinar o trânsito no câmpus. Medidas emergenciais também foram tomadas e caminhões já estão proibidos de transitar no local, exceto os de prestação de serviço. O aumento de vagas pelo Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) também aumentou a demanda por espaço e contribuiu para o crescimento do volume de carros na UFMG.

A decisão de fazer novo estudo de circulação para o câmpus partiu dos resultados negativos constatados pela universidade. “Estamos tendo desgaste no pavimento, que não foi feito para suportar tantos veículos e muito menos pesados, como caminhões. Também lidamos com o trânsito de passagem, ou seja, motoristas que usam a universidade para fugir do tráfego”, relata o pró-reitor de Administração, Márcio Baptista. Segundo ele, essas situações expõem alunos, funcionários e visitantes ao risco maior de acidentes. “Os carros que usam a universidade como passagem cruzam o câmpus com velocidade muito maior do que aqueles de quem realmente está vindo aqui com algum objetivo”, explica o pró-reitor.

Outra medida anunciada por Baptista é a criação de um convênio com a Guarda Municipal. “Temos parceria com a Polícia Militar, que faz patrulhamento rotineiro. Eles têm uma pequena base aqui e fazem o monitoramento da segurança. Agora, vamos procurar a guarda para tratar também das questões de trânsito”, disse. Com o estudo orçado em R$ 100 mil a ser desenvolvido pela empresa licitada pela UFMG, novas regras de estacionamento também podem ser adotadas, já que esse também é um dos problemas listados pelo pró-reitor. “Com falta de vagas na rua, especialmente por causa das obras da Antônio Carlos, muitos motoristas param aqui”, conta.

O professor afirma que parte do aumento está relacionada à chegada de unidades de ensino ao câmpus, mas afirma que a interferência da obra é nítida. Os seguranças orientam motoristas sobre estacionamento, mas como não são multados, ninguém respeita. Com a presença da Guarda Municipal, as multas poderão ser aplicadas.

"Quando chego por volta das 9h, não há vagas perto Rafael Vaz de Melo, de 28 anos, estudanteda Faculdade de Ciências Econômicas", (foto: PAULO FILGUEIRAS/EM/D.A PRESS)
Essa é a principal reclamação de quem estuda ou trabalha no câmpus. Cursando economia, Rafael Vaz de Melo, de 28 anos, percebeu ao longo dos anos o aumento do número de carros que trafegam pelas vias internas da universidade. “Meus horários de aula costumam variar. Quando chego por volta das 9h, não há vagas perto da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) e tenho de estacionar quase na saída para a Antônio Carlos, bem longe de onde estudo”, afirma. Segundo o estudante, a única solução seria criar uma estação de metrô dentro do câmpus. “Só usa ônibus quem mora mais perto. Aqueles que moram longe preferem o carro, pois é bem mais rápido”, completa.

Abusos

"Os motoristas fazem o que querem e ninguém fiscaliza", Cleide Freitas, de 33 anos, servidora (foto: PAULO FILGUEIRAS/EM/D.A PRESS)
A falta de vagas de estacionamento contribui para vários abusos. O principal é o estacionamento em local proibido, como passeios e pontos de ônibus. A reportagem do EM chegou a encontrar carros parados no espaço entre duas vagas a 45 graus, situação inimaginável em vias urbanas. Para a servidora Cleide Freitas, de 33, o trânsito no câmpus é caótico. “Falta disciplina. Os motoristas fazem o que querem e ninguém fiscaliza. É necessária a presença de pessoas para avisar os motoristas e também precisamos de mais áreas de estacionamento”, diz.

Se hoje a demanda por estacionamento é grande, a expectativa é aumentar mais, já que nos próximos anos a comunidade acadêmica da Pampulha deve ganhar mais alunos, professores e servidores. A mudança do curso de direito, que hoje funciona na Avenida João Pinheiro, no Centro da capital, e conta com 2,5 mil pessoas, já está acertada. Atualmente, já estão em andamento os projetos para as obras das unidades que vão abrigar o curso e a expectativa é de que em quatro anos os futuros advogados já estejam estudando no câmpus Pampulha. Além do direito, que já tem a mudança acertada, ainda permanece fora da Pampulha a Escola de Arquitetura, que fica na Savassi, e não tem nenhuma previsão de transferência. O câmpus Saúde da UFMG será mantido na área hospitalar, já que conta com o Hospital das Clínicas e uma mudança seria inviável.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)