
A Avenida Antônio Carlos foi a via mais congestionada na manhã de ontem, no terceiro dia da greve dos metroviários e no segundo do fechamento da Santos Dumont para implantação das obras do BRT (transporte rápido por ônibus). A via registrou grande retenção de veículos entre o Complexo da Lagoinha e o Hospital Belo Horizonte, no Bairro Cachoeirinha, na Região Nordeste de BH. As filas se formaram na faixa dos carros e na pista exclusiva para ônibus e táxis e complicaram todas as opções de ligação com o Centro. A BHTrans informou que a lentidão foi causada principalmente por conta de duas ocorrências: um caminhão estragado e uma manifestação que interditou várias ruas da região.
No horário de pico, a lentidão seguiu a rotina de um dia normal, conforme a empresa. Mas depois das 9h o trânsito na Antônio Carlos ficou parado nas proximidades do Complexo da Lagoinha. Os reflexos ultrapassaram o Hospital Belo Horizonte e testaram a paciência dos motoristas. O tráfego ficou complicado até para motociclistas, que tiveram dificuldade de transitar entre os veículos parados.
O administrador de empresas Leonardo Botelho Vieira e Silva, de 25 anos, mora na Região da Pampulha e passa todos os dias pela avenida para chegar ao Centro. Ele tem a possibilidade de esperar o horário de pico e achou estranha a retenção por volta das 10h. “Hoje (ontem) foi atípico. Imaginei que seria um acidente, mas não vi nada diferente que motivasse uma retenção tão grande e tão tarde”, diz ele.
De acordo com a BHTrans, os problemas começaram exatamente às 9h11, quando um caminhão teve problemas mecânicos na esquina da Antônio Carlos com a Rua Comendador Nohme Salomão, no Bairro Lagoinha, Região Noroeste de BH. O veículo só foi removido às 9h44. Nesse intervalo, por volta das 9h30, manifestantes do movimento dos sem-teto percorreram várias ruas da área central e chegaram a fechar completamente o cruzamento das avenidas Amazonas e Afonso Pena, na Praça Sete. Ainda segundo a BHTrans, o trânsito só foi liberado às 11h03.
No entorno da Avenida Santos Dumont, não houve retenção no trânsito. O movimento esteve normal no trecho da avenida que segue liberado e o comércio funcionou em meio à circulação intensa de pedestres. Nas ruas Guaicurus e Caetés, usadas como desvios, o tráfego fluiu normalmente, apesar do grande movimento de carros e pedestres. Já na Rua Tupinambás, principalmente no cruzamento com a Avenida Olegário Maciel, o trânsito ficou lento, o que causou vários bloqueios de cruzamentos. Como a rua é um acesso importante à Afonso Pena, onde ocorria a manifestação, a opção foi a Rua Curitiba.
Depois de dois dias tumultuados no trânsito, inclusive com chuva, a volta para casa ontem foi tranquila nos principais corredores. Mas veículos com problemas mecânicos complicaram o trânsito na Avenida Olegário Maciel, no Bairro de Lourdes, Centro-Sul, na Rua José Rodrigues Pereira, na saída do Buritis, Oeste da capital, entre outras vias. Na Avenida Antônio Carlos, na Pampulha, um atropelamento deixou o tráfego lento. De acordo com a BHTrans, os problemas no trânsito no fim da tarde e começo da noite foram relacionados a quebras de veículos e a pequenos acidentes, em locais específicos.
Greve no metrô
A paralisação dos metroviários entrou no terceiro dia com escala mínima de trens. De acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), ontem, foi registrada movimentação de 57 mil passageiros no pico da manhã, entre as 5h20 e as 8h30, o que corresponde a 88% da demanda normal nos dias úteis no mesmo horário. Vinte e um trens rodaram durante a manhã com intervalos de quatro a sete minutos, como acontece em períodos quando os funcionários não estão em greve.
Graças a uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho, todas as estações devem funcionar normalmente em dias de semana nos dois horários de pico da manhã e da noite. Aos sábados, o serviço deve funcionar normalmente, com capacidade máxima, das 5h30 às 9h. Está marcada audiência entre o sindicato da categoria e a CBTU para segunda-feira, quando as negociações podem ser abertas. Segundo o sindicato, os metroviários querem reajuste de 5,74%, além de outros benefícios para a categoria.
