
Outro filho do fazendeiro, Nilton dos Santos, de 24, além do menor Y.O., de 14 anos, filho de Neide, conseguiram escapar. A polícia ainda não tem pistas dos autores do crime e suspeita que os homicídios tenham como causa vingança por rixas políticas.
A tragédia já parecia ser prevista por um dos filhos do ex-parlamentar. Conforme a Polícia Civil, Nilson, conhecido como Baiano, havia deixado sua casa no distrito de Divino do Sul, zona rural de Tumiritinga, por volta das 7h, e seguia para a fazenda dele, a aproximadamente cinco quilômetros do povoado.
De acordo com o delegado Luciano Cunha Lima, de Conselheiro Pena, já na chegada à propriedade, o homem avistou um Fox Prata parado na porta e, desconfiado, voltou para pedir ajuda. “Ele retornou à fazenda em companhia do irmão Nivaldo, o Vaguinho, e do vaqueiro Adriano Ferreira de Carvalho. No local, foram surpreendidos pelos três homens, que disseram ser policiais civis. Os supostos bandidos deram voz de prisão aos três e os algemaram”, afirma o delegado. De lá, segundo a polícia, o grupo seguiu para a Fazenda Rancho Alegre, do ex-vereador, a cerca de 15 quilômetros da cidade.
Na propriedade, Jandir e o filho Nilton dos Santos, que estavam no curral ordenhando as vacas, ainda tentaram fugir diante da ameaça de morte feita pelos suspeitos. A tentativa foi em vão para Jandir, que morreu no local com pelo menos três tiros na cabeça. O filho, no entanto, conseguiu escapar e foi pedir socorro em uma fazenda vizinha. “Os outros dois irmãos e o vaqueiro foram levados para a varanda da casa, com a empregada doméstica Neide. Ainda algemados e sem chance de defesa, todos foram executados com tiros na cabeça”, informou o delegado. Apenas o filho de Neide, que viu toda a cena, foi poupado. Ele seguiu até o distrito de Divino do Sul para chamar a polícia.
INVESTIGAÇÃO
Logo após ser informada do crime, as polícias Militar e Civil montaram um cerco na região na tentativa de capturar os suspeitos, mas, até a noite de ontem, ninguém havia sido preso e também não havia pistas dos autores da chacina. “Estamos colhendo depoimentos e fazendo retratos falados dos autores. É prematuro dizer quais são os motivos do crime. Mas, conforme testemunhas, é possível que as mortes podem ser uma vingança pelo suposto envolvimento da família do Jandir na morte de um ex-vereador de Tumiritinga, há alguns anos”, afirmou o delegado.
A notícia do crime deixou estarrecidos os moradores de Tumiritinga. De acordo com o secretário municipal de Administração, Vladimir Fernandes, foi uma tragédia que ninguém imaginaria ocorrer em um lugar pacato e sem violência: “Aqui a gente sabe que eles não têm inimigos, pois eram pessoas queridas. A cidade inteira está de luto”, explicou. Conforme o vereador Joaquim Raimundo Gomes, Jandir deixa viúva e dois filhos. “A família está indignada, em estado de choque”, contou.

Memória
A execução em Tumiritinga tem muitas semelhanças com o massacre ocorrido há 22 anos no Vale do Mucuri. Em 15 de fevereiro de 1990, seis homens armados, que também se apresentaram como policiais, invadiram a Fazenda Canadá, em Malacacheta, e executaram a tiros sete pessoas da família Cordeiro Andrade. Segundo apurações, as vítimas foram executadas a mando da família Nunes Leite, por causa de uma disputa de terras. Como em Tumiritinga, três pessoas conseguiram fugir dos assassinos e foram fundamentais para a identificação e prisão dos acusados. As investigações apontaram os irmãos José, Aldécio e Alírio Nunes Leite como mandantes da execução. Também foi levantado que um ano antes os Leite haviam contratado um pistoleiro para matar pessoas da família rival. Mas o homem foi identificado e morto pelos Cordeiro Andrade, o que levou a família Nunes Leite a planejar o ataque à Fazenda Canadá. Dois irmãos Leite foram julgados e condenados como mandantes da chacina, em um processo que se arrastou até 2005, com o júri sendo transferido para BH. Alírio Nunes Leite foi condenado a 126 anos de prisão. Aldécio recebeu pena de mais de 100 anos e José Nunes Leite foi absolvido por falta de provas. Em 16 de janeiro desse ano, o ministro Ari Pargendler, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de liminar em habeas corpus para Aldécio Nunes, que pedia concessão de indulto por extinção de punibilidade.
