
Na avaliação da Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel), os problemas mais frequentes enfrentados por moradores de assentamentos precários são o saneamento básico, a acessibilidade e as construções em áreas de risco. De acordo com o último levantamento da prefeitura, 3.789 famílias viviam, até o fim de 2009, em moradias de risco geológico alto ou muito alto, problema que faz acender o sinal de alerta em épocas de chuva. Os dados deste ano devem ser divulgados nos próximos dias. “A interceptação de esgoto é nosso maior desafio. Embora haja estações de tratamento (Arrudas e Onça), falta conectar muitos domicílios à rede geral”, reconhece a diretora de planejamento da Urbel, Maria Cristina Fonseca de Magalhães.
Como política pública voltada para a melhoria da qualidade de vida nos aglomerados, a Urbel destaca o programa Vila Viva, que já beneficiou 12 comunidades de BH nos últimos cinco anos. Com investimentos de R$ 1,15 bilhão, as intervenções englobam obras de saneamento básico, remoção de famílias, construção de unidades habitacionais, reestruturação do sistema viário, urbanização de becos, implantação de parques e áreas de esporte. Inaugurado na Serra, em 2005, o Vila Viva foi levado aos aglomerados Morro das Pedras, Taquaril, Santa Lúcia, Califórnia, São José e Pedreira Prado Lopes, entre outros.
Divergências
Os números de vilas e favelas presentes na pesquisa inédita Aglomerados Subnormais, divulgada ontem pelo IBGE, não coincidem com os dados da Prefeitura de BH. Pelo último levantamento da Urbel, a capital tem 450 mil habitantes em 216 assentamentos precários – contra 307 mil pessoas em 169 comunidades identificadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A divergência, segundo a PBH, se deve aos diferentes critérios observados nos levantamentos. A administração municipal contabiliza vilas e favelas identificadas como Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) e também conjuntos habitacionais com irregularidades urbanas ou jurídicas. Já o IBGE, usa dados do Censo 2010, de imagens de satélite de alta resolução e de pesquisa específica sobre as características morfológicas das áreas.
“Nosso trabalho extrapola o conceito do IBGE de subnormalidade e dificilmente vamos chegar aos mesmos dados, pois usamos fontes diferentes. Mas a pesquisa divulgada agora é um grande avanço, pois o instituto e a prefeitura atuaram conjuntamente na definição dos setores censitários, com os limites de vilas e favelas. A partir disso, vamos usar os dados para esclarecer melhor as diferenças estatísticas, construir uma série histórica e ter informações mais claras para a definição das políticas públicas”, diz Maria Cristina.
