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Estado de Minas

Líder do Bando da Degola vai a júri popular

Frederico Flores foi pronunciado por homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado, extorsão, ocultação de cadáver e formação de quadrilha


09/09/2011 18:25 - atualizado 09/09/2011 19:53

Frederico está preso na Penitenciária Nelson Hungria
Frederico está preso na Penitenciária Nelson Hungria (foto: Jair Amaral/EM/D.A.Press)
O líder do Bando da Degola, Frederico Flores, vai a júri popular. Ele foi pronunciado nesta sexta-feira, pelo juiz sumariante do II Tribunal do Júri de Belo Horizonte, por homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado, extorsão, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Flores é acusado de torturar, assassinar e decapitar os empresários Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos, e Rayder Santos Rodrigues, de 39, em abril de 2010 num apartamento no Bairro Sion, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O julgamento ainda não tem data marcada.

Outros réus do processo já haviam sido pronunciados pela Justiça. O norte-americano Adrian Grigorcea, os ex-policiais André Bartolomeu e Renato Mozer, o advogado Arlindo Lobo, a médica Gabriela Costa e o pastor Sidney Beijamin vão responder por homicídio qualificado, cárcere privado, extorsão, destruição e ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Já o advogado Luiz Astolfo foi absolvido pelos homicídios, mas responderá pelos outros crimes. O advogado, a médica e o pastor vão responder em liberdade. Os outros réus seguem presos.

Sanidade mental


Em março deste ano, Frederico Flores passou por exames de sanidade mental no Instituto Médico Legal (IML). Os médicos diagnosticaram Frederico como um agente semi-imputável, o que significa que o réu, acusado de ser o mentor da trama e dos assassinatos, não é inteiramente capaz de compreender o caráter ilícito e a gravidade dos crimes.

O laudo também mostrou que o líder do bando da Degola, usou maconha no dia do exame quando já estava na Penitenciária Nelson Hungria

Entenda o caso

7 de abril de 2010
O garçom norte-americano Adrian Gabriel Grigorcea leva o genro Rayder Rodrigues até o apartamento de Frederico Costa Flores Carvalho, no Bairro Sion. Lá, o dono do imóvel em companhia de dois supostos policiais, armados, teriam amarrado, ameaçado e torturado Rayder para conseguir informações sobre contas bancárias de suas lojas, a fim de conseguir dinheiro da vítima

8 de abril

No segundo dia, além de um dos policiais e de Frederico, um advogado e uma médica também estavam no apartamento e, à frente do computador, Rayder era obrigado a conseguir mais dinheiro com o sócio, Fabiano Ferreira Moura, por meio de um programa de mensagens e de um contato chamado Márcio Henrique Macedo de Paula.

9 de abril

Rayder foi obrigado a sacar R$ 6 mil num banco e R$ 22 mil em outro, entregues a Frederico. No mesmo dia, seu sócio Fabiano foi levado ao apartamento e obrigado a levar a documentação de um automóvel, o que não foi feito. Os dois policiais então o teriam levado a um quarto, apagado a luz e o enforcado. Rayder teria sido drogado e Frederico o teria esfaqueado várias. Os dois tiveram seus dedos e cabeças cortados e enrolados em lonas

10 de abril

Os corpos foram jogados numa estrada que liga a BR-040 à Fazenda Rio de Peixe, em Nova Lima, na Grande BH. Os autores teriam lavado os carros e o apartamento, onde foi feito um churrasco. À tarde, seguranças de uma mineradora encontraram os corpos carbonizados.

12 de abril

Pela manhã, ao chegar no apartamento de Frederico, Adrian foi obrigado sacar todo o dinheiro que tinha sido transferido para sua conta dias antes, o que totalizaria cerca de R$ 150 mil. Mas, na agência, conseguiu retirar apenas R$ 6,5 mil e fez programação para sacar R$ 70 mil no dia seguinte. Ao sair, teria sido obrigado por Frederico a avisar onde estava de hora em hora.

13 de abril

De madrugada, Márcio Henrique Macedo de Paula e Christian Ribeiro de Oliveira se encontraram com Adrian, que confessou participação nos crimes e decidiu fazer denúncia com medo de ser também morto. Pela manhã, a PM montou um operação para prisão, em flagrante, de quatro suspeitos.


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