
Depois de ser aprovado em primeiro turno pela Câmara Municipal de Belo Horizonte, o projeto de lei que proíbe o uso de uniformes de times de futebol em eventos não esportivos com mais de 300 pessoas foi suspenso pelo próprio autor, o vereador Reinaldo Preto do Sacolão (PMDB). Sob pressão de colegas de plenário, que confessaram não conhecer a proposta mesmo depois de a apreciarem, o peemedebista desistiu de levar o texto original para o segundo turno, mas promete apresentar projeto 'mais elaborado' sobre o tema. O PL 1.507/2011 foi aprovado na semana passada em votação simbólica 'quando não é necessária a marcação de votos de cada vereador, mas apenas o voto verbal .
Na justificativa da proposta, Preto do Sacolão destaca brigas entre torcidas organizadas que, segundo ele, causaram a morte de 10 torcedores nos últimos 10 anos. 'Ultimamente, as torcidas organizadas têm levado medo e pavor aos nossos estádios e às ruas da cidade, registra a proposta. Se fosse aprovado em segundo turno e sancionado pelo prefeito da capital, ficaria proibido o uso de qualquer peça de vestuário que ostente o símbolo de clube ou torcida organizada de futebol em casas noturnas, boates, danceterias e eventos com mais de 300 pessoas.
Procurados pela reportagem na terça-feira, vereadores criticaram a proposta que eles mesmos haviam aprovado. Para Henrique Braga (PSDB), o projeto não tinha 'nexo'. Já Heleno (PHS) acredita que o uniforme não é o culpado pelas brigas entre torcidas. O projeto passou em primeiro turno sem discussão, uma vez que dependia apenas de votação simbólica. 'Esses projetos que não dependem de votação no painel acabam passando despercebidos pelos vereadores. Ninguém sabe o que vota', diz um parlamentar, que pediu para não ser identificado.
Apesar de ter suspendido a proposta, Preto do Sacolão não desistiu da ideia. 'Creio que é um projeto importante para a segurança da população. A pedido de vereadores, retirei desta vez, mas vamos elaborá-laonovamente', comentou.
