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Estado de Minas

Falta de tratamento de esgoto em Nova Lima ameaça abastecimento em BH


postado em 28/03/2011 06:41 / atualizado em 28/03/2011 07:23

Sistema de tratamento de Bela Fama, responsável por 65% do abastecimento de Belo Horizonte. Para ambientalistas, falta de estações de tratamento de esgoto em Nova Lima é um risco que não pode ser ignorado(foto: Beto Magalhaes/EM/D.A Pres)
Sistema de tratamento de Bela Fama, responsável por 65% do abastecimento de Belo Horizonte. Para ambientalistas, falta de estações de tratamento de esgoto em Nova Lima é um risco que não pode ser ignorado (foto: Beto Magalhaes/EM/D.A Pres)

A falta de tratamento adequado para o esgoto de Nova Lima põe em risco o abastecimento de água de Belo Horizonte. O alerta é da presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB)/Seção Minas Gerais, Cláudia Pires, para quem a negligência por parte do poder público municipal diante das questões ambientais pode trazer problemas graves para municípios de toda a região metropolitana. “A preservação dos mananciais de Nova lima é essencial e estratégica para Belo Horizonte, já que o município vizinho fornece 65% da água potável consumida na capital, captada principalmente no Rio das Velhas”, afirma a dirigente do IAB. Mesmo assim, apenas 13,9% do esgoto gerado em Nova Lima têm tratamento adequado, conforme dados da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

De acordo com o Plano para Incremento do Percentual de Tratamento de Esgotos Sanitários na Bacia do Rio das Velhas, elaborado pela Feam, Nova Lima foi incluída na lista de 14 cidades da bacia hidrográfica que apresentam alta prioridade para solução da insuficiência de rede coletora e de tratamento de esgoto. Até o ano passado, o município deveria ter cumprido a determinação do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Copam) e feito estações de tratamento (ETEs) necessárias para evitar o lançamento da carga tóxica in natura no Rio das Velhas e a contaminação dos lençóis freáticos – mas nada foi executado. A falta de saneamento básico na cidade compromete ainda mais o Vetor Sul, que enfrenta o crescimento desordenado, o trânsito caótico e outros problemas urbanos crônicos. Além dessa situação, muitos moradores, sem rede de esgoto, usam as chamadas fossas negras, que poluem os lençóis freáticos e aumentam a degradação ambiental._

Segundo a Prefeitura de Nova Lima, entre 2005 e março de 2011, a municipalidade investiu cerca de R$ 24 milhões em saneamento básico, sendo R$ 8 milhões destinados à construção da Estação da ETE Vale do Sereno, iniciada em abril de 2006 e concluída em abril 2009, e atendendo hoje cerca de 20 mil pessoas. Além das ampliações das ETEs Jardim Canadá e Vale do Sereno, a prefeitura informou que vai construir outras três estações, ao custo de cerca de R$ 26,5 milhões. “Estamos pleiteando no Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC), R$ 42 milhões para obras de drenagem pluvial e redes coletoras de esgoto. Além disso, solicitamos à Câmara de Vereadores autorização para celebrar convênio com Copasa para a coleta e tratamento de esgoto”, disse o prefeito Carlos Roberto Rodrigues (PT). A estimativa, se aprovada a solicitação, é de que em quatro anos o município esteja 100% saneado.

Grande BH

Outras cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte também matam a sede com as águas provenientes de Nova Lima. De acordo com informações da Copasa, 42% do recurso natural que abastece as cidades metropolitanas, com exceção de Caeté, Rio Acima e Itaguara, são provenientes do sistema de tratamento do Rio das Velhas, que fica no Bairro Bela Fama, em Nova Lima. O volume captado diariamente neste local é tão grande (300 bilhões de litros), que daria para encher 586 ginásios do Mineirinho, na Região da Pampulha, na capital, considerando a estrutura do estádio como uma caixa-d’água.

Por sorte, a captação no Velhas ocorre antes do lançamento dos esgotos de Nova Lima no rio, diz o diretor do Departamento de Operações Metropolitanas da Copasa, João Andrade do Nascimento. Na contribuição para o abastecimento da população belo-horizontina, Nova Lima ainda participa, embora em menor escala, com o Sistema Morro Redondo, localizado no Bairro Belvedere, na Região Centro-Sul da capital, que trata as águas dos mananciais de Fechos e Mutuca. A RMBH também recebe o recurso natural dos sistemas de Rio Manso (30%), em Brumadinho, Serra Azul (18%), entre Juatuba e Mateus Leme, Várzea das Flores (8%), em Betim e Contagem e outros (2%).

Por enquanto, a situação crítica em que o Vetor Sul (Nova Lima e Brumadinho) não representa ameaça imediata aos mananciais da Copasa, garante Nascimento. Mas ele ressalta que o Rio das Velhas, onde as captações são feitas desde 1973, sofre muito com o esgoto não tratado, o assoreamento causado pela mineração e lixo e a falta de matas ciliares, fatores fundamentais para aumentar a turbidez da água. “Quando temos água bruta de melhor qualidade, os custos para tratamento são menores”, afirma.

Fossas negras

O esgoto é um dos grandes vilões da poluição dos rios, e com o Velhas não é diferente. Em Honório Bicalho, em Nova Lima, há uma estação de tratamento de esgoto municipal, que serve para reduzir um pouco da poluição que chega a Bela Fama. Outro problema sério em Nova Lima, até mesmo em alguns condomínios, é a presença de fossas negras, que ao contrário das sépticas, não têm nenhum tipo de tratamento ambiental e lançam os dejetos diretamente na terra, comprometendo os lençóis freáticos.

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