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Estado de Minas Arte final

Ano começa com expectativa positiva, desafios e exemplo de resiliência


02/01/2022 04:00

Pessoal da Asa Criação de Publicidade
Em foto de 1967, no centro, a partir da esquerda: Jader de Oliveira, Paulo Venâncio, Edison Zenóbio, Kélio Rodrigues, Roberto Drummond, José Cândido, Xisto, Mário Pataro, Hamilton Gangana, Ricardo Parreiras, Fernando Virgílho, Theo, Newton Silva, Hélio Faria, Edgard Melo, Iberê, mais o pessoal de apoio, secretárias e office-boys. (foto: Hamilton Gangana/Divulgação)

 
O ano começou. Na virada de ontem, juntos ou separadores, desejamos "que tudo se realize no ano que vai nascer..." E eis que 2022 começou pra valer. Cheio de esperança, sim! Mas os velhos problemas ainda nos perturbam. O ano passado está fresquinho. Parece que 2021 insiste em ficar. A pandemia ainda nos atormenta com uma nova onda. Mas a experiência adquirida nos dois últimos duros anos alimenta a expectativa de retomada das atividades e do consumo. No mercado publicidade, o ano se abre com a velha pergunta de sempre:  como conseguir chamar a atenção da audiência para minha marca, para meu produto ou meu serviço?
 
A criatividade e o talento do publicitário mineiro são testados dia a dia. O esforço é hercúleo, mas Minas Gerais se mantém resiliente. Desde sempre. A constatação está na origem, com grandes e marcantes vitórias. Como na conquista do maior prêmio de propaganda de varejo do país, no distante ano de 1963, pela extinta agência Asa Criação de Publicidade. 

REVOLUÇÃO  Criada e dirigida pelos publicitários Edgard Melo 1931/2012)  e  Hélio Faria (1929/2020), a ASA Criação de Publicidade foi um celeiro de talentos. E trouxe para Minas o maior prêmio de propaganda de varejo do país, na época, superando a concorrência do eixo Rio/São Paulo, o que parecia improvável naqueles tempos. Quem narra a história é o publicitário mineiro Hamilton Gangana, um dos integrantes da equipe da Asa. A campanha foi toda produzida em Belo Horizonte, para o lançamento da primeira grande loja popular de departamentos - o PEP`S. "Eram três andares e 10 mil metros quadrados, na movimentada e tradicional rua da Bahia", recorda.    

TEASERS Segundo Gangana, o Grande Prêmio Anual de Propaganda foi criado pelo Jornal do Brasil, um dos principais do país, naquela época, para comemorar o Dia Mundial da Propaganda (4 de dezembro).  "É válido destacar que estamos falando de campanhas premiadas há mais de cinquenta anos, com planejamento, criatividade e resultados. A do PEP´S mostrou ineditismo para a época, como a veiculação de 'teasers', durante mais de 15 dias, com mensagens curtas e bem-humoradas", pontua o publicitário. 

PÁGINA NO EM No lançamento, dia 6 de dezembro de 1966, foram publicados 17 anúncios em formatos diferentes. "No jornal Estado de Minas, inclusive, uma página inteira, diagramada, em cores, com o título "Pep´s News", ideia inusitada para o varejo, repleta de fotos e textos com informações sobre eventos, desfiles de moda, cursos de culinária, ofertas e lançamentos exclusivos", descreve. Dia seguinte, na abertura da nova loja, a recompensa. Desde cedo, havia uma multidão de ávidos compradores, congestionando o trânsito na rua da Bahia, 1030. "Para constrangimento de algumas agências do eixo Rio e São Paulo, a ASA voltou a ser a premiada do ano seguinte, provocando incômodo e forçando o JB a tomar a decisão de acabar com a promoção. Assim, não houve uma terceira edição do prêmio", relata Gangana. 

PASSADO DE GLÓRIA Mantendo sempre equipes de primeira linha, a ASA criou campanhas memoráveis, para diferentes segmentos: empresas do Governo do Estado, como Cemig, Loteria Mineira, Hidrominas, BDMG, MinasCaixa, secretarias de Estado; e para Prefeitura de BH. A agência fez também as campanhas de lançamento do Mineirão (Estádio Magalhães Pinto), do Jaraguá Country Clube, do pioneiro BH Shopping (1979) e do Praia Clube, em Uberlândia. Atendeu as contas dos Diários Associados, Belgo Mineira, Casa Guanabara (loja de departamentos), Mobiliário Fiel, Eureca Lavanderia, Orthocrin (algumas já extintas), além de realizar várias campanhas políticas em todo o estado.

TIME DE PRIMEIRA Alguns dos mais respeitados profissionais da comunicação nasceram na ASA, ou passaram por ela. Entre eles, o próprio Hamilton Gangana, que enumera outros talentos: "Newton Silva, Paulo Venâncio, Hélcio Noguchi, Márcio Rubens Prado, Edison Zenóbio (criador da Coluna Arte Final), Mário Pataro, Ricardo Parreiras, José Cândido Filho, Roberto Drummond, Júnia Melo, Rubens Pontes, Théo, Armando Ziller Júnior, Jader de Oliveira, Edmir Morais, Ajuricaba Brasil, Fernando Virgílio Castro, Xisto, Iberê e tantos outros".

CELEIRO A ASA sempre foi uma autêntica formadora de talentos, revelando e atraindo profissionais de grande sucesso, como David Paiva, Jack Bosmans, Marília Silva, Fernando Fabrini, Dalai Rocha, Márcio Borges, Ivan Ângelo, Carlos Wagner, Sérgio Torres, Ethel  Kacowicz, Hilton Ferreira, Afonso Barroso, Sebastião Martins, Luciana  Morhetzon, Ângela Santoro, Marco Antônio Resende, Helmuth Godin, José Alberto da Fonseca, Kélio Rodrigues,  Luiz Kattah, Itaibes, Adão Rodrigues, Amaury Machado, Oswaldo Crivelari. De uma nova geração de profissionais, deram os primeiros passos na ASA: Lúcio Melo, Helinho Faria, os irmãos Fred e Cid Faria e Lise Loureiro, além de vários outros. 
 
A história completa da Asa Comunicação está registrada no livro "Depois das Seis". Com edição de texto de Tião Martins e participação especial de Júnia Melo, a escalada vitoriosa foi narrada em 243 páginas, assinado por Edgard Melo, editado em 2013, pela editora Robertha Blasco, de Belo Horizonte.
 
 


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