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Estado de Minas entrevista/Junior Piacese - 42 anos, arquiteto

Arquitetura poética

O versátil arquiteto Junior Piacese lançou uma linha de objetos que vai de cadeiras a castiçais, com o objetivo de complementar espaços com modernidade


17/10/2021 04:00

Arquiteto
Junior Piacese é um desses profissionais focados pelas lentes dos que identificam os novos talentos (foto: arquivo pessoal)


O movimento de renovação da arquitetura mineira garante que novos nomes se sobressaiam no setor a cada temporada. Junior Piacese é um desses profissionais focados pelas lentes dos que identificam os novos talentos. Ao longo do tempo, vem cavando seu espaço por meio de um trabalho sério e comprometido com os conceitos em voga: ao mesmo tempo em que flerta com os comportamentos da sua época em um aceno de inovação, olha o passado e suas lições com carinho, bebendo na fonte das experiências dos grandes mestre.
 
O rapaz, que veio de Congonhas para estudar em Belo Horizonte, hoje chefia um escritório dinâmico, um time de 14 pessoas estrategicamente colocadas em suas funções, com a finalidade de entregar os trabalhos dentro do timing e com padrão de qualidade. Entre demandas residenciais e comerciais – de hotéis e mineradoras, passando por apartamentos e casas para todos os tipos de público –, o compromisso é sempre o mesmo: o envolvimento do cliente  com a história do projeto e a necessidade de um bom planejamento que deixe claras todas as suas etapas. Junior Piacese faz parte daquele grupo de pessoas que têm sede de aprender: desde cedo, lançou-se no mercado em busca de bons estágios.
 
Formado, foi se inteirar sobre o mercado italiano e tem em seu currículo pós-graduações em negócios e meio ambiente. Para ele, estudar nunca é demais! Participando no momento de uma mostra decorativa na cidade com o ambiente Casa da Serra, o arquiteto ilustra bem “a tendência  de interação quase imperceptível entre os ambientes internos e externos por meio de materiais, iluminação, ventilação naturais e jardins internos”. Novidade também é o lançamento de uma linha de objetos composta por 12 itens com design do seu escritório: são espelhos, cadeiras, castiçais, bandejas. Segundo ele, logo, logo vem mais! 
 
Você foi considerado uma das promessas da arquitetura de Belo Horizonte. A seu ver, quais são os atributos que levaram a essa referência?
Acredito que fazer um bom projeto e entender o que importa para o outro, escutar com o coração mesmo, entender qual a necessidade e qual a realidade daquela pessoa, seja de estética, seja de custo ou de tempo. Depois, fica mais simples usar a criatividade e o bom gosto. Acho que precisamos de pouco para fazer um espaço interessante, que tenha poesia.

Sempre considerou ser arquiteto? Havia outras opções?
Eu tentava os cursos de odontologia e artes cênicas, quando fiz uma orientação vocacional, tentei arquitetura e passei. Logo depois estudei moda, estudei inovação e tendência, estudei negócios, e tenho vontade de estudar psicanálise mais pra frente.

E por que escolheu a profissão?
Sempre gostei de arte, de desenhar, de estética e sempre gostei de casa. Descobri que o cuidar da casa é cuidar de você!

Como foi começar e romper nesse caminho? Houve dificuldades?
Eu sou de Congonhas. Vim estudar em Belo Horizonte no final do 3º ano do ensino médio. Estudei no Colégio Pitágoras e, depois, cursei arquitetura na Fumec. Comecei a trabalhar já no primeiro período em uma construtora e não parei mais. Em seguida, participei do projeto “BH Natal de Luz”, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), e continuei atuando lá. Tive uma experiência na CasaCor com as decoradoras Ana Lamas e Lena Pinheiro, que ainda eram sócias, e logo surgiram os meus primeiros projetos, mesmo antes de me formar. Após a minha formatura em arquitetura, foi aberto o curso de design na Fumec, no qual fiz umas 20 matérias em moda. Mas, apesar da riqueza de conteúdo, fui percebendo que a arquitetura me completava mais.

Sempre tem alguém que dá uma mão para os iniciantes. No seu caso, houve alguém importante?
Sim, houve. Na minha sala na Fumec havia várias pessoas fazendo arquitetura como dois cursos. Tive, durante um tempo, a oportunidade de trabalhar com a Denise Macedo, que já estava estudando arquitetura, era da minha classe, mas numa outra fase de vida. Durante quatro anos, fizemos projetos juntos, aprendi muito com a Denise sobre o viver, sobre o valorizar e sobre a própria arquitetura. Isso além de professores incríveis na faculdade, que me ajudaram muito no meu amadurecer. Entre eles destaco Gustavo Penna, o Veveco, o Lelelo, a Natacha Rena e a Marina Gomide. Tenho sorte de ter sempre pessoas de luz no meu caminho.

Quais são suas referências?
Acho que falar de referência tem muito a ver em falar com conceitos de vida. Gosto muito do minimalismo, de conceitos que traduzam acolhimento e leveza. Aprecio alguns movimentos, como o Modernismo e a Escola Bauhaus. Quando fui para Milão, descobri outras referências, escritórios e marcas locais que me complementaram. Arquitetura você aprende todos os dias!

O que o levou para a arquitetura de interiores?
Sempre acreditei em criar experiências. E percebia que, com a arquitetura de interiores, cada espaço é uma história. Como disse, iniciei como estagiário da Lena Pinheiro e da Ana Lamas e, depois, fui seguindo por mim mesmo.

O que não pode faltar em um projeto residencial? E no comercial?
O cliente estar totalmente envolvido com a criação e com a história do projeto, e um bom planejamento para deixar claras as etapas do projeto são essenciais.
Por onde começa quando parte para a criação?
Sempre numa conversa com o cliente para captar a essência do que ele deseja, pensando nas possibilidades possíveis e no que vai encantar mais.

Que projeto você gostaria de ter assinado...algo que o impressionou muito pelas ideias, 
aproveitamento, inovação, criação...
Projetos que mais me marcaram: igreja da Pampulha e Casa do Baile, projetados e construídos em outro momento, porém com um impacto que me encanta.

Entre seus pares, quem você admira e acompanha o trabalho?
Nossa, admiro muito meus amigos da minha idade, como Nildo José e Carlos Carvalho, Carol Jardim, mas gosto muito também de uma galera que já está na estrada há mais tempo, como Gustavo Penna, Carico, Lia Siqueira, Freusa Zechmeister, Jacobsen, Bernardes, Kogan, e por aí vai...  tem muita gente boa de serviço.

Qual  a sua opinião sobre as mostras comerciais? Você participa anualmente ou 
periodicamente desses eventos?
Acho que as mostras são importantes para apresentarmos nosso conceito, nossa forma de pensar e para os clientes terem mais interação com o projeto construído.

Seus clientes são necessariamente jovens como você? Qual é o perfil deles?
Tenho diversos tipos de clientes, que variam entre hotéis, mineradoras, casais jovens, solteiros, casais de todos os gêneros. Acho isso muito rico, pois sempre temos que ter humildade para ouvir e saber que o projeto é criado para o uso e viver do outro. O perfil, em geral, é composto por pessoas que querem uma casa interessante, funcional, com uma estética sem muita coisa, diria com o necessário. Acho também que o cliente acaba se identificando com o seu estilo de viver. Gosto muito de cuidar da minha casa. Lá em casa, se eu pudesse, ficava o dia todo mexendo em coisas...

Segundo informações, o mercado que você atua reagiu bem na pandemia. Entre outros eixos, Nova Lima é um exemplo...
Acho que a cidade está em crescimento constante e Nova Lima se configura como uma área possível de crescimento, até mesmo pela área não ocupada, como a do Hipercentro. Temos projetos em toda a cidade e acredito que cada um deles deve ser tratado como único. Tenho um lema no escritório que é: um banheirinho bem-feito traz outros projetos maiores.

O que aprendeu na faculdade de arquitetura 
que ficou na sua memória e usa até hoje como referência ou inspiração?
“Que arquitetura é a forma de pensar como o outro vai viver e descobrir, e propor o que nem o outro sabe que ele pode querer...”Minha graduação foi pela Fumec, como já citei, depois fiz pós-graduação em meio ambiente por influência de um tio e, após, um curso rápido em Milão. Voltando, fiz outra pós-graduação na Fundação Dom Cabral, o que abriu muito meu olhar em negócios. Acho que estudar não ocupa espaço e que devemos estudar sempre, estudar é descortinar os olhos.

Como é sua relação com as redes sociais? 
Qual é a demanda que chega aos seu 
escritório por meio delas?
Eu tenho minhas redes pessoais e as redes do escritório. Tento colocar um pouco minha forma de ver a arquitetura, imagens, frases, poesias – o que seria de nós sem essa leveza no viver? Uso muito as redes também para colocar fragmentos do meu dia. Não sou aquela pessoa que aparece sempre, mas acho que consigo deixar claro meu tom do pensar e do meu viver.

Você é uma pessoa que gosta de estudar e aprender. Como é sua relação com a leitura?
Leio muito. Atualmente, estou lendo “A sociedade do cansaço”, de Byung Chul Man; “O essencialismo”, de Greg Mckeown, e a revista Vida simples.

Quantas pessoas emprega no seu escritório?
Meu time atual tem 14 pessoas. Ninguém faz nada sozinho. Hoje o escritório tem três frentes, que são as de projeto, orçamento, gerenciamento de obras. Com esse time, conseguimos entregar as demandas de forma completa.

Conte-nos sobre essa nova linha de objetos que você lançou. Como nasceu a ideia e quanto tempo foi necessário para concretizá-la?
Sempre sentia falta de alguns complementos para o espaço, uma bandeja, um espelho, e não achava no mercado. E logo pensamos em ter esses produtos para usar nos projetos. Demoramos um ano em estudos e pesquisas e acabamos de lançar. Estou feliz com esse projeto novo.

Quantos são os itens iniciais? Pretende ampliar  essa linha mais tarde?
São 12 itens: espelhos, cadeiras, castiçais, bandejas. Logo, logo vêm mais novidades por aí!

O que mudou na arquitetura de interiores neste tempo de pandemia?
Acho que as pessoas perceberam a importância da casa e do estar em casa. A pandemia trouxe muito esse olhar. E com as pessoas usando a casa, sem poder viajar, acredito que começaram a questionar o espaço e o que era deixado para depois. A casa virou o respiro, o acolhimento, a segunda pele. 


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