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Estado de Minas Homenagem

Lindo e inspirador papel de ser mãe

Não importa se estão entre nós, ou se já partiram, as mães são figuras importantes na vida dos filhos que seu legado e ensinamentos passam de geração a geração


09/05/2021 04:00 - atualizado 08/05/2021 22:07

Mãe é eterna, enquanto os filhos viverem. Sua imagem, ensinamentos, educação, os princípios que passa para os filhos ficam eternizados, forjam o caráter daqueles seres que ela coloca no mundo, e, na maioria das vezes, são repassado para os filhos de seus filhos.
 
Não importa se nos tornamos adultos, se casamos, se tivemos nossos filhos, e se estamos velhos. Sempre queremos nossa mãe. Quem não desejou, algum dia ter, mesmo que por um breve momento, sua mãe novamente ao seu lado?
 
Não vamos viver em um mundo utópico acreditando que todos os relacionamentos entre mães e filhos são perfeitos. Não são. Afinal, somos todos humanos, cheios de falhas, cada um com seu temperamento e sua personalidade, e não há como, em algum momento da vida, não entrar em algum tipo de embate, conflito, divergência de opinião.
 
Mãe ama todos os filhos da mesma forma, apesar de muitos filhos acharem que não. A diferença é que as afinidades são maiores com uns do que com outros, e isso faz diferença no dia a dia. Esse é o real motivo dessa falsa percepção de quantidade de amor. Talvez por isso mesmo alguns filhos queira estar mais próximos de suas mães e outros prefiram manter uma certa distância. Mas o fato é que quando precisamos, é à mãe que recorremos.
 
Algumas são superprotetoras, invasivas, intrometidas, mandonas, e mesmo com todos esses “defeitos”, o amor releva tudo. A prova é que a maioria esmagadora dos filhos procura uma mulher parecida com sua mãe para se casar – apesar de nenhum deles concordar com isso. Provavelmente Freud deve explicar isso muito bem no prefácio de algum de seus livros, de tão comum que é este comportamento.
 
Dizem que toda mãe é advinha e que roga praga. Não é verdade. Toda mãe tem um sexto sentido e uma sabedoria que nasce junto com o bebê, no parto. Uma coisa inexplicável, mas verdadeira. Quando o filho vai sair, se ela diz “leva um caso porque pode esfriar”, é melhor levar, mesmo que não queira, porque vai esfriar. Mas filhos são teimosos e respondem: “que isso mãe, ficou louca? Está o maior calor, o que meus colegas vão falar? Vão trolar, tirar sarro da minha cara.” E largam o casaco pra trás. Não dá outra, chegam em casa e dizem, “Mas essa sua boca heim...”
 
Toda mãe é médica, meteorologista, professora, cientista, jornalista, advogada, bombeira, eletricista e por aí vai. Talvez seja por isso que a maioria das mulheres acha que sabe tudo. Este é um dos pequenos defeitos das mães, que se tornam insignificantes diante de tantas qualidades.
 
Cabe às mães educar e despertar o interesse em seus filhos por todas as áreas: literatura, esporte, arte, cultura, estudos etc. Mãe tem que impor limites. Algumas conseguem fazer isso de forma natural, com muito amor, outras são mais severas, mas todas elas fazem tudo tentando acertar. Nenhuma mãe erra de propósito, erra por excesso de amor, por querer acertar demais, erra por medo de errar.
 
Muitos filhos entram em atrito com suas mães quando chegam na adolescência, por não concordarem ou não entenderem suas atitudes. Só passam a entendê-la quando se tornam pais e mães. Não são poucos os casos de relacionamentos trincados que se restauram após esta fase.
 
O fato é que as mães influenciam os filhos a vida toda. Não existe conselho de mãe que seja ignorado. Não existe idade para pedir conselho para uma mãe. E mesmo depois que elas nos deixam, suas palavras, ensinamentos, princípios, continuam ecoando dentro de nós. Nos acompanham a vida toda, e são eles que repassamos para nossos filhos. Mãe é um dos maiores presentes que Deus poderia nos dar. E é uma função tão especial que só poderia ser exercida pela mulher, um ser tão complexo. 
 
Rodrigo e a mãe Ângela Ferraz.(foto: Euler Junior/EM/D.A Press.)
Rodrigo e a mãe Ângela Ferraz. (foto: Euler Junior/EM/D.A Press.)
 
 
Resgate da vida
 
O empresário Rodrigo Ferraz também não pode mais desfrutar da presença de sua mãe, a marchand Ângela Ferraz, que faleceu em 2018. “Levei muito tempo para descobrir que mãe é sempre mãe, independente da sua presença física. Acho que faz parte da maturidade e vivência do ser humano. Existe uma diferença entre escutar, saber e sentir. Às vezes sabemos um monte de coisas, mas não sentimos e não damos a importância necessária a elas. Sempre tive um relacionamento normal com minha mãe. Não era dos mais apegados, nem dos mais afastados. Sempre tive muita admiração por ela, não por uma coisa específica, mas por um conjunto de pequenas coisas que me fizeram sempre ter essa admiração”, conta.
 
“Minha mãe ficou alguns anos debilitada. Poucos meses antes de morrer, eu estava correndo com um amigo, e o dia estava lindo. Paramos no alto de uma montanha, e comentei a benção de termos aquele dia tão lindo. Ele disse que só estávamos ali por conta dos nossos pais. Foi aí que eu senti o que estava cansado de saber. Voltei para casa e conversei com ela, apesar de ela estar, de certa forma, ausente. Agradeci tudo que fez por mim, pedi desculpas das minhas chaturas. Só entendemos da maternidade depois que passamos a ser pai. Tive uma sensação de leveza, é como se qualquer problema tivesse zerado ali, porque senti a real importância dos meus pais. Senti. Desde essa data o semblante dela mudou, ficou mais tranquilo”, relembra.
 
Rodrigo comprou da família a casa que foi de seus pais, onde nasceu e cresceu. Fez uma reforma modernizando um pouco o imóvel, mas mantendo características importantes. Mudou-se para lá na véspera do Natal do ano passado e fala, com alegria que pela primeira vez sente que tem uma casa. “Vir para casa que foi dos meus pais foi sensacional, porque temos saudade das coisas da infância, então é estar no lugar que tem toda minha história, mas, ao mesmo tempo, consegui dar a minha cara à casa, com a reforma. Voltei às origens de maneira mais sábia, sem melancolia nem angustia, mas a alegria de dar continuidade a uma história bacana, com a minha identidade. Trabalho vendo um armário que minha mãe gostava muito, vendo dedicatórias do Bracher, do Scliar e do Jorge dos Anjos para minha mãe. É uma sensação indescritível”, descreve, dizendo que o piano de sua mãe continua na casa e ele ainda pretende aprender a tocar o instrumento.
 
“Encarei a maternidade e a paternidade não pelos problemas, mas pelas alegrias, pelo grande orgulho que tenho de meus pais. Refiro aos dois porque o sr. Amadeu também teve muita influência sobre mim na questão da determinação, da honra, da responsabilidade, coisas que em alguns momentos questionei, e hoje valorizo, pois é importante para mim. Nunca deixei de cumprir um compromisso profissonal, graças aos princípios e valores passados por eles. Só percebemos isso com o passar dos anos. Estou curtindo coisas na minha casa que antes não sava valor.”
 
Muitas pessoas dizem que Rodrigo nasceu em berço de ouro. Ele afirma que foi muito além disso, nasceu em um berço de educação e relacionamento. E quando fala de educação, não se refere a etiqueta, mas à edução do respeito, da cidadania e da cultura. “Ontem de noite estava conversando com meus filhos, Dudu e Gabi, e falamos sobre o  Paulo Niemeyer Filho que tratou da minha mãe e literalmente salvou a vida dela duas vezes. Eles ficaram muito amigos. Lembrei deste fato com orgulho porque ele é uma pessoa superbacana, e a relação médico paciente se tornou uma relação de amizade que acabou sendo herdada por nós, filhos. O papo dela era inteligente, era uma mulher muito culta, educada, tinha uma simpatia que era muito dela. Igual ao Paulo posso citar vários exemplos de relacionamentos até internacionais que ela cultivou e nós herdamos. Essa relação de admiração sempre existiu. Orgulho de ser filho dela”, conta Ferraz. 
 
Luiz entre os pais Ester e Alberto Sternick(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Luiz entre os pais Ester e Alberto Sternick (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
 
 
Amiga e confidente 
 
O artista plástico Luiz Carlos Sternick, que também ocupa o cargo de gerente de Marketing do Ponteio Lar Shopping é o caçula de três irmãos. Sua mãe, Ester Kraiser Sternick, faleceu em outubro do ano passado, aos 87 anos. Sempre foi uma mulher extremamente elegante, discreta.
Quando fala ou pensa em sua mãe, a primeira palavra que vem à mente é gratidão. “A criação e a educação que ela me deu foram maravilhosas, sempre esteve ao meu lado. Sabia que eu tinha dificuldades nos estudos ficava ao meu lado para que aprendesse mais rápido. Era exigente no que diz respeito ao que os filhos tinham que saber. Tínhamos que andar bem-vestidos, falar uma segunda língua, praticar um esporte, tocar um instrumento, e, claro, aprender a tradição judaica, que é passada de geração a geração, esta função ela se encarregou de fazer”, conta Sternick.
 
Segundo Luiz sua mãe foi sua confidente e amiga. Eram muito unidos e por causa deste bom relacionamento optou em morar com seus pais por mais tempo, só saiu de casa aos 28 anos. Um dos bons programas era sair com seus pais, era como se estivesse saindo com seus amigos. “Eu admirava muito duas coisas na minha mãe. A primeira é que eu nunca ouvi ela fazendo uma fofoca e nem falando mal dos outros. A outra coisa era sua cultura. Era apaixonada por ópera, cinema, música, literatura. Ela que me incentivou a ler e me ensinou a apreciar todas essas artes.”
 
Ester era uma mulher calma, mas ficava nervosa toda vez que Luiz ia praticar seu esporte, pois escolheu a equitação. “Era a única coisa que a deixava nervosa, porque tinha medo de eu cair. Nunca foi assistir uma prova, porque se recusava a me ver em cima de um cavalo”, relembra.
 
Um das frases de sua mãe que Luiz não esquece é “nunca se perde por ter classe demais”. Foi o filho mais chegado a ela e por isso ficou muito em paz depois que ela partiu, apesar de ter sido um momento muito doloroso, porque seus pais faleceram no mesmo mês, com uma diferença de 12 dias. “Minha mãe foi uma mulher que me mostrou muita força e fé, para acreditar em Deus. Sabia que ia embora e me passou muita tranquilidade porque sabia que ia para perto de Deus. Não falou nada, mas o brilho em seus olhos me mostraram a sua tranquilidade. Nunca vou esquecer o olhar dela, porque sempre nos comunicamos apenas pelo olhar. E foi assim que ela partiu, me olhando. Isso me deu uma paz muito grande.” 
 
Sara Ávila entre o filho Elói Oliveira e a nora Adriana, na festa de comemoração pelos seus 80 anos(foto: Beto Magalhaes/em/d.a press)
Sara Ávila entre o filho Elói Oliveira e a nora Adriana, na festa de comemoração pelos seus 80 anos (foto: Beto Magalhaes/em/d.a press)
 
 
Simplicidade de uma gigante 
 
O engenheiro Elói Lacerda Oliveira é filho da conhecida artista plástica Sara Ávila Oliveira. Sara teve seis filhos, cinco homens, sendo que os mais novos são gêmeos, e uma filha mulher, Maria Inês que mora há décadas em Paris. Por ser artista, mas também vir de uma família tradicional mineira, soube equilibrar bem as doses de uma educação conservadora com a educação mais livre, voltada para a criatividade. “Mamãe foi uma educadora meio termo, veio de uma família muito tradicional, mas por ser artista nos deu uma educação libertária por um lado, e também muito conservadora por outro lado. Fomos criados neste equilibrio, entre arte e liberdade para criar. Não tínhamos uma disciplina muito rígida. Ela nos incentivava a desenvolver nossa criatividade, a voar na direção do que sentíamos e víamos”, conta Elói. “Comecei a jogar futebol no Colégio Dom Cabral, e ela achava o máximo. Depois, comecei a pular o muro do Minas Tênis Clube para jogar vólei, porque não éramos sócios. Ela ficou sabendo e fez papai comprar uma cota do clube. Nos apoiava em tudo que queríamos.”
 
O pai, Dirceu Geraldo Lacerda Oliveira, é engenheiro profissão seguida por três dos filhos. Apenas Cristiano, um dos gêmeos puxou o lado artístico de sua mãe. A filha, Maria Ines é psicóloga. Talvez por sua profissão, Dirceu sempre foi mais racional, mas, segundo Elói, Sara era um misto entre a visão poética que o artista tem da vida e a herança familiar tradicional que ela recebeu. “Ela sempre foi mais coração”
 
Por ter se tornado atleta muito jovem – com 14 anos já rodava o mundo jogando vólei – não percebeu muito a diferença de criação dada para os meninos e para a irmã. “è na adolescência que começamos a perceber essas coisas, mas eu não estava em casa. Hoje, vejo que teve muita diferença na criação. Maria Inez teve uma criação mais rígida por ser mulher, nós, os homens, fomos criados de forma mais liberal. Era o normal na época, das tradicionais famílias mineiras, moças têm que ser mais recatadas”.
 
Perguntado sobre como era lidar com uma mãe famosa, artista de projeção internacional, que tinha sido aluna de Guignard, que foi diretora da Escola Guignard, que fez exposições nos Estados Unidos, Inglaterra, França, Nigéria, Tchecolosváquia e em vários estados brasileiros, a resposta é surpreendente: “Não tínhamos essa dimensão. Mamãe filtrava muito as coisas para dentro de casa. Era uma pessoa muito simples e humilde. Não trazia esse glamour das suas atividades. Sabíamos porque nos anos 1970 ela vivia indo para o exterior para expor. Não sabíamos avaliar seu valor cultural. Ela recebia convite da Embaixada Americana, de países da Europa. Meu pai acompanhava. Desde os meus 13 anos ela fazia parte do Grupo Phases, em Paris. Víamos aquilo, mas não sabíamos avaliar. Só conseguir avaliar sua importância quando ela morreu. Hoje vejo o carinho dos alunos, o quanto estão movimentando para criar o Memorial Sara Ávila, em Nova Lima”, conta o filho.
 
O prefeito de Nova Lima desapropriou uma antiga casa estilo inglês, que está sendo reformada para abrir o Memorial Sara Ávila, um museu que abrigará o acervo de uma das cidadãs mais ilustres de Nova Lima. Parte do acervo será doado pela família e outra parte ficará em exposição em consignação. Os livros que ela usava para dar suas aulas, mobiliário, todos seus instrumentos de trabalho, bem como uma replica do consultório odontológico de seu pai – também nascido na cidade e foi presidente da Câmara de Nova Lima – também fará parte do acervo do Memorial, que ainda não tem dada marcada para inauguração. O projeto sofreu um atraso devido a pandemia. Por falar na Câmara da cidade, lá tem um painel pintado por Sara Ávila, que sempre teve ligação muito forte com a cidade e dava aula duas vezes por semana em um projeto social para crianças carentes.
 
Talvez o fato desta falta de percepção de sua grandiosidade por parte da família seja o fato de Sara Ávila nunca ter olhado a arte como comércio. Depois que ela faleceu, Cristiano e a mulher Ludmila foram organizar as coisas de suas mãe e encontraram um verdadeiro tesouro em seu atelier, mais de 500 obras prontas, que ela nunca havia mostrado para ninguém da família. Entre elas um gigantesco painel do noturno de Belo Horizonte, de 50 metros quadrados, cerca de 14 metros x 3,5 metros, em tons de azul. Este, assim que foi descoberto, a família emprestou para ficar exposto no saguão principal da Escola Guignard por um tempo. “Ficamos impressionados em ver a capacidade dela em pintar um painel dessa dimensão sozinha, e ver o resultado tão harmonioso, isso é coisa para artista de um nível elevadíssimo. Aí que vimos a qualidade da artista que ela foi. As obras que ficarão expostas no memorial já foram selecionadas e faremos um livro que será lançado na abertura da casa. Ludmila está responsável por toda esta catalogação e seleção das obras, e a Natália, que sempre teve uma ligação muito próxima e íntima com a mamãe está responsável pelos contatos com a inciativa privada, para captação de patrocínios. É impressionante uma artista, naquela época, rodar o mundo sem fazer nenhum tipo de marketing. Minha mãe era muito purista, nunca se divulgou. Não aceitava um galerista ganhar 30% de sua obra. Sempre teve problema com a área comercial da arte”, conta Elói.
 
Segundo Elói, uma das características mais marcantes de sua mãe, herdade por todos os filhos – exceto Maria Inêz – é que Sara sempre foi muito pacificadora e temperante. “A memória que carrego dela é como sempre pacificar relacionamentos, mesmo que representasse para ela algum sofrimento pessoal. Depois que me converti, e conheci a Bíblia, vi que ser pacificador é uma bem-aventurança, só então fui entender a importância disso. Passei a admirar ainda mais essa sua qualidade.”
“Ninguém esperava sua morte. Fizemos uma festa no Automóvel Clube para comemorar seu aniversário de 80 anos e de repente apareceu doente. Frequentava academia do PIC, fazia caminhada, falava que meu pai era velho porque não conseguia mais acompanhá-la, tinha uma cabeça muito ativa. Quando adoeceu todos nós achávamos que ia tirar de letra, mas o linfoma deu uma recidiva no cérebro e em pouco ela morreu. Foram sete meses”, relata. 
 
 
João Vitor Menin (foto: divulgação)
João Vitor Menin (foto: divulgação)
 
Rubens e Beatriz Menin(foto: Leca Novo/divulgação)
Rubens e Beatriz Menin (foto: Leca Novo/divulgação)
 
Protetora exemplar
 
João Vitor Menin, presidente do Banco Inter, é o filho mais novo de Beatriz. Tem dois irmãos, Maria Fernanda, a mais velha e Rafael, presidente da MRV. Todos são casado e já têm filhos, e quem conhece a família sabe o tanto que são unidos. Cresceram passando os finais de semana na fazenda dos avós, e atualmente, estão sempre reunidos na fazenda da família. Coube à mãe, a educação dos filhos.
 
“Minha mãe nunca foi daquelas superprotetoras, mas nos 'protege' o tempo todo, indiretamente. Faz isso através de todo o carinho e preocupação que tem conosco. Quando era mais novo me ajudou muito nos estudos, posso dizer que foi minha professora particular”, conta João Vitor.
 
O jovem empresário ressalta que a mãe nunca foi brava, mas sempre foi muito diligente na educação dos filhos. “Ela, de fato, moldou a nossa educação. Fez isso com firmeza, mas também através de exemplos. Nunca permitiu que fizéssemos coisas erradas, principalmente com outras pessoas. Fez questão de nos mostrar e ensinar a importância do respeito ao próximo, independente de quem for.”
 
Menin aproveitou a entrevista para mandar um recado para sua mãe e disse que gostaria que ela soubesse que o impacto dela na sua vida é muito maior do que ela imagina. A comemoração do Dia das Mães será da forma preferida de Beatriz: junto com a família, em uma reunião alegre, com todas as três gerações unidas e se divertindo. 
 
Dalva com os filhos Hélida e Helder Mendonça(foto: Beto Magalhaes/em/d.a press)
Dalva com os filhos Hélida e Helder Mendonça (foto: Beto Magalhaes/em/d.a press)
 
 
Parceira na vida e nos negócios 
 
A relação do empresário Helder Mendonça com sua mãe Dalva sempre foi muito especial. O único homem entre três irmãs, nasceu e foi criado até os sete anos na fazenda e por isso a mãe sempre esteve muito próxima dos filhos. D. Dalva era brava, severa, rígida, e como ele mesmo diz, não dava moleza. Comportamento normal das mães da epoca, responsáveis pela criação e educação dos filhos. “viemos para Belo Horizonte quando eu tinha sete anos. Um ano depois, minha mãe ficou viúva, nunca tinha trabalhado, tirou carteira, foi trabalhar, para nos criar. Foi se virar neste contexto. Trabalhava com imóveis e formou os 4 filhos. Teve crise do Collor, e resolveu montar o negócio da Forno de Minas, pequeno. Grande incentivo, já fazia o pão de queijo.
 
“Toda relação de filho e mãe é especial, a minha mais ainda, porque já na fase adulta trabalhamos junto e isso nos deixa mais próximos. Estou com ela na rotina do dia a dia. Nasci e fui criado até os sete anos na fazenda, e com isso nossa mãe sempre ficou muito próxima. Sou o único filho homem. Ela sempre foi muito severa, rígida, brava, não dava moleza para a gente. Sempre foi muito enérgica conosco, mas isso faz parte da criação da época. Nada contra, faz parte do processo de educação, cobrar, e ser enérgica com os filhos. Mas também sempre foi muito amorosa. Soube equilibrar muito a cobrança necessária para uma boa educação com imposição de limites, e a afetividade que nunca nos faltou”, conta Helder.
 
A família se mudou para Belo Horizonte quando Helder tinha sete anos. Um ano depois seu pai faleceu e D. Dalva ficou viúva, com 39 anos e quatro filhos para criar. Ela nunca tinha trabalhado fora. Em Belo Horizonte, teve que se achar, se virar dentro deste contexto, encontrar caminhos para criar os filhos. Foi estudar, tirar carteira de motorista, começou do zero. “Valorizo muito minha mãe, sua trajetória de vida. Começou a trabalhar com venda de imóveis, e com isso conseguiu estudar e formar os quatro filhos. Quando o ex-presidente Collor reteve o dinheiro das pessoas, resolvemos montar um pequeno negócio familiar, a Forno de Minas. O grande incentivo era que minha mãe já fazia o pão de queijo, desde os tempos da fazenda. Ela fazia o polvilho, o queijo. Enfim, tudo que os mineiros do interior sabem fazer. Era muito gostoso, começamos e passei a ter uma outra relação com a minha mãe, que foi a de sócio, de trabalhar junto, desenvolver o negócio junto. Tivemos muito próximos a vida inteira. Nunca passamos aquela fase do filho formar, casar, ter uma profissão e se distanciar um pouco dos pais, ver menos a mãe. No meu caso não foi assim, porque nosso relacionamento é diário, a vida inteira, essa vivência intensa nos uniu ainda mais. Além do propósito mãe e filho, tínhamos e temos até hoje, o propósito de negócio, da atividade econômica, e quem trabalha sabe que passamos mais tempo no trabalho do que em casa. As funções na empresa são muito bem delimitadas, minha mãe é dona da indústria, da fórmula da receita, eu fico na área comercial e de tecnologia, de aprimorar o negócio. Sempre foi muito colaborativo e sempre respeitamos muito os conceitos da minha mãe de preservação da qualidade do produto, do cuidado com o produto. Nosso relacionamento sempre foi muito harmonioso.”
 
Dalva tem 78 anos e é dona de uma energia enorme de trabalho. Tem uma equipe muito boa e não precisaria estar tão ativa. Tem uma saúde excelente e o trabalho faz bem a ela. Gosta de estar próxima, acompanhando tudo, é uma forma de se sentir útil, prestativa. E os filhos respeitam isso. De tudo que ela ensinou, o que Helder considera mais importante e que influenciou não apenas a sua vida, mas também de suas irmãs, é a importância da palavra e do compromisso. Ela respeita muito as pessoas, os compromissos, o combinado. Cumpre o que fala, é da época que o que vale é o fio do bigode, a palavra vale mais que a assinatura. Isso é uma coisa muito importante na vida de todos eles, tanto no lado pessoal quanto profissional.
 
Dizem que avó é mãe duas vezes, e ela é assim. Ama os netos, leva todos eles para a fazenda, sabe o que cada um gosta e faz tudo para agradar. A comemoração do Dia das Mães será na fazenda em Sete Lagoas, onde D. Dalva está desde janeiro do ano passado, por causa da pandemia. “Ela ama fazenda e lá tem atividade o dia inteiro. Isso de certa forma supri o fato de não poder ir à fábrica. Mas duas a três vezes por semana mandamos os produtos para ela assar e experimentar. Ela continua acompanhando tudo e conversando diariamente com sua equipe. Não descuida de nada e fica um pouco tensa por não poder estar presente. Nós vamos vê-la com frequência, fazemos um rodízio e antes de ir, fazemos exame, apesar dela já ter recebido as duas doses da vacina. Se ela tivesse que ficar presa em apartamento teria sofrido muito”. 
 
 
 
 


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