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Estado de Minas Arte Final

Influenciadores pretos são subvalorizados na publicidade


13/09/2020 04:00 - atualizado 11/09/2020 10:22

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

 
Nos últimos anos, o debate sobre igualdade no mercado publicitário ganhou relevância entre os profissionais da área. Mesmo em atividades novas, como dos influenciadores, de maior abertura no mercado de criadores de conteúdo, a discriminação é facilmente identificada pela relação da remuneração desses profissionais. Foi o que mostrou estudo realizado pela Squid, Black Influence, Sharp, Site Mundo Negro e YouPix, que, juntos, entrevistaram 767 creators para traçar um comparativo da atividade

PARTICIPAÇÃO O trabalho foi divulgado no relatório "Black influence: Um retrato dos creators pretos do Brasil". Os números apenas confirmam que os profissionais pretos são subvalorizados no mercado e que os brancos são melhor remunerados e bem mais requisitados. A maioria (64%) dos influenciadores entrevistados já participou de uma campanha publicitária. Porém, ao dividir as respostas por raça, é pouca a diferença entre criadores pretos que já realizaram uma ação e os que nunca o fizeram. Entre esse grupo, 47% declararam que nunca participaram de uma comunicação publicitária. É a menor participação entre as raças e a quantidade de creators pretos que estiveram nas ações é 17% menor do que a média do total de respostas "sim". Depois de pretos vêm amarelos (41%), pardos (34%), brancos e indígenas (14%). Dos entrevistados, 0,9% são indígenas, 2,9% são amarelos, 17,1% são pretos, 22,3% são pardos e 56,8% são brancos.

REMUNERAÇÃO Quando conseguem uma participação em um projeto publicitário, a remuneração também difere. O valor máximo recebido por um criador indígena, por exemplo, é 66% menor do que a média. O ganho de um criador preto é 66% menor do que o ganho de um branco. A única raça que ganha mais do que a média é a branca, cujo valor máximo recebido em uma ação é 25% maior do que a média. No valor mínimo recebido, os indígenas superam a média em 43% e os brancos em 7%. Amarelos e pardos são os que recebem menos em relação à média de valores mínimos.

DISTORÇÕES Brancos são os que cobram mais por publicação em suas redes sociais (R$ 564). Esse valor é 12% superior ao que é cobrado por pretos (R$ 496); pardos cobram R$ 459; e amarelos R$ 436. A raça indígena foi retirada dessa análise por conta da baixa amostra de respondentes. Apesar de a maioria dos entrevistados não saber responder se já recebeu menos do que outro criador de conteúdo pelo mesmo número de seguidores e engajamento, afirma que sim: 38% dos pretos, 32% dos brancos, 31% dos pardos e amarelos e 17% dos indígenas. Cerca de 71% dos indígenas e 64% dos criadores pretos não consideram o mercado de marketing de influência inclusivo. Pessoas amarelas são as que mais creditam o setor como inclusivo (por 86%), seguida por pardos e brancos (ambos 64%). Na soma geral, 60% dos respondentes consideram o mercado de marketing de influência inclusivo.

DISCURSOS DE ÓDIO Ao serem questionados se já foram alvo de discurso de ódio, criadores de conteúdo pretos e indígenas são os mais afetados. Cerca de 43% dos indígenas e 38% dos pretos entrevistados afirmam que sim. Enquanto isso, os menos atingidos são brancos (32%), pardos (31%) e amarelos (23%). Entre as formas de discurso de ódio, o racismo é o mencionado como primeiro lugar em 60% das respostas.


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