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Estado de Minas ARTE FINAL

Publicitário do Ano: prêmio que só vale no coletivo


postado em 12/01/2020 04:00 / atualizado em 10/01/2020 10:54

Cacá Moreno :
Cacá Moreno : "A criatividade vai ser cada vez mais importante" (foto: Divulgação )

 
O mundo está cada vez mais dinâmico. As inovações nos surpreendem a cada piscar de olhos. E como a publicidade tem que estar à frente das marcas, reinventar já não basta. Por aqui, a temporada 2020 começa com expectativas positivas na economia brasileira. Ainda que lenta, a recuperação econômica no último trimestre de 2019 sinaliza novos investimentos no mercado publicitário. Porém, para o publicitário Cacá Moreno, eleito "Publicitário do Ano" em 2019, o mercado mineiro precisa estar unido para aproveitar esse novo momento. Diretor da Perfil252, também escolhida pelo mercado como a "Agência do Ano" em 2019, Cacá Moreno é uma das referências do setor. Cursou Economia na PUC, mas ele próprio se autointitula "Inconformado em Economia", já que não concluiu o curso. Abandonou o curso para se atirar no cinema. Mudou-se para Los Angeles onde na UCLA - University  of  California Los Angeles - cursou  "Basic Motion Pictures Techniques", "Camera and Lighting", "Cinematography I", "Cinematography II", "Cinematography III", entre outros. Mas se encontrou mesmo na publicidade, guiado pelas mãos do amigo e cineasta Helvécio Raton. De lá pra cá, mais que uma trajetória de sucesso, pavimentou uma trajetória de muito trabalho. Como o próprio costuma falar,  "somos uma agência independente, num mercado periférico", que já atendeu grandes contas nos mercados mineiro e brasileiro, conquistando projeção internacional.
 
Em 2012, a Perfil252 foi a única agência brasileira a ganhar Ouro no CLIO AWARDS em Nova Iorque, em cerimônia de gala no Museu de Historia Natural daquela cidade americana. Em Nova Iorque também conquistou um Bronze e dois Merits no Art Directors Club, além de diversas premiações internacionais no El Ojo, Festival Internacional de Gramado, entre outros, e nacionais, como Clube de Criação de São Paulo, dezenas de Prêmios Colunistas, diversas Árvores de Ouro e Prata no Prêmio Abril, Publicitário do Ano pelo Prêmio Colunistas e, agora, Agência do Ano e Publicitário do Ano no Prêmio AMP/SINAPRO-MG.
 
Nesta entrevista, Cacá Moreno fala das transformações do mercado, da relação com o novo consumidor, da necessidade de estar cada vez mais ligados às inovações, mas, principalmente da necessidade de o mercado mineiro caminhar junto em busca de sua recuperação. Ao falar do reconhecimento ao seu trabalho, de sua energia profissional, ele cita o filósofo Artistóles para exemplificar o que considera o "motor da vida", e nos dá a oportunidade de recorrer ao poeta Fernando Pessoa para significar os prêmios conquistados em 2019: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena".
 

Quais características contribuíram para você ser eleito o publicitário do ano e para a agência ser eleita a Agência do Ano? E o que o prêmio representa para você, que já era um dos grandes do mercado? 
Tenho uma compreensão um pouco diferente dessa lógica de "ser premiado". Por vários motivos. Primeiramente, porque, de uma maneira geral, acredito em premiações principalmente como oportunidades de validarmos aquilo que verdadeiramente acreditamos e praticamos. Uma confirmação íntima de que estamos no caminho certo, fazendo as coisas certas. E, em segundo lugar, porque essa oportunidade pode nos permitir uma certa visibilidade que só terá um valor, de fato, pra mim, se pudermos levar uma mensagem para o mercado como um todo num momento tão difícil que atravessamos por questões econômicas, tecnológicas e até mesmo estruturais. E a mensagem que me interessa passar é de união. Precisamos nos fortalecer. Precisamos estar cada vez mais juntos e unidos. Só assim fortaleceremos o mercado e os nossos negócios. Esse é o prêmio que mais interessa. O André Lacerda (presidente do Sinapro-MG) tem feito um trabalho maravilhoso nesse sentido. Ele tem conseguido unir as pessoas, as empresas e produzir resultados reais para todos nós. Esse é um passo. Precisamos dar outros no sentido de nos unirmos ainda mais e traçarmos condutas e posicionamentos coletivos. Todo mundo ganha com isso. Nesse sentido, tanto ser a Agência do Ano quanto ser Publicitário do Ano não representam pra mim uma receita de sucesso. Mas, sim, uma realização singela de um modo de trabalho, de um modo de vida. Até mesmo porque as coisas são efêmeras e só valem a pena se olharmos pra elas com um olhar mais coletivo. Portanto, é legal ser reconhecido? É legal sim. Mas, para mim, isso precisa sempre ter um significado maior. Filosofando um pouco, para Aristóteles a excelência é, na verdade, um hábito, uma razão de viver: "A alegria que se tem em pensar e aprender faz-nos pensar e aprender ainda mais". Acredito nisso como motor da vida. 

Como você avalia a criatividade publicitária brasileira nos dias atuais? E como avalia a atual propaganda desenvolvida em Minas Gerais? Estamos muito atrás dos outros centros?
A nossa publicidade sempre esteve e continua entre as melhores do mundo. Basta ver a grande presença das agências brasileiras nos festivais e prêmios internacionais. Estivemos em maio de 2019 num KSP (Knowledge Sharing Program) da Alkimia, empresa do genial e absolutamente atemporal Mário D'Alcântara, em Nova York, onde tivemos a oportunidade de nos reunir com os "maiores" das maiores e mais modernas empresas de comunicação do mundo. E ouvimos de todos eles sobre a criatividade dos brasileiros na propaganda. Inclusive e, infelizmente, ouvimos muito que "compravam" criação do Brasil porque era melhor e mais barata.

Qual o futuro do mercado publicitário mineiro? Quais as expectativas de crescimento? E o que precisamos fazer (ou refazer) para voltar a ocupar posição de destaque, ou pelo menos não perder para praças ainda menores que a nossa?
Nosso mercado, como qualquer outro, terá que se adaptar às mudanças de comportamento dos consumidores, cada vez mais rápidas. Terá que se adaptar às mudanças tecnológicas. Temos que estar em sintonia com o que acontece no Brasil e no mundo. Os objetivos são os mesmos: conquistar as mentes e os corações das pessoas, mas as formas de fazer estão mudando todo dia. Até mesmo porque no mundo de hoje paixões e despaixões instantâneas acontecem o tempo todo. A velocidade do sucesso e do insucesso aumentou significativamente para todos. Quem estiver atento a isso terá futuro sempre.
 

Precisamos nos fortalecer. Precisamos estar cada vez mais juntos e unidos. Só assim fortaleceremos o mercado e os nossos negócios. Esse é o prêmio que mais interessa".

 

Só sobrevive no mercado se tiver conta dos governos? 
Acho que não. A Lápis Raro é uma prova cabal disso. É claro que não podemos negar a importância dos governos. O poder público é um anunciante relevante. Muitas vezes compulsório. Talvez seja o único cliente que tenha que, obrigatoriamente, falar com todos os públicos. Temos temas no Brasil que demandam uma comunicação constante de todas as esferas da administração. Temas que tratam da prevenção de doenças, da luta contra preconceitos, da prestação de serviços aos cidadãos, da segurança das pessoas. Ou seja, a comunicação é uma ferramenta essencial para a gestão pública. 

Como você avalia a publicidade feita na internet atualmente? Os profissionais das nossas agências estão acertando ou apenas reproduzimos mais do mesmo em busca da sobrevivência no meio? 
É lógico que a internet mudou profundamente a maneira de as pessoas viverem e se relacionarem. E é uma coisa tão viva e mutante que estamos todos aprendendo a fazer uma comunicação melhor nesse meio a cada dia que passa. A publicidade feita na internet muda todo dia porque a internet muda todo dia. As redes sociais, os portais, os aplicativos todo dia trazem alguma novidade para os usuários. Temos que ser rápidos e efetivos o tempo todo. E usar isso a nosso favor. De novo recorrendo a Aristóteles: "Somos o que repetidamente fazemos. A excelência não é um feito, mas um hábito". Partindo dessa premissa, quem estiver se atualizando a cada instante estará apto a fazer comunicação de qualidade em qualquer meio.

A expectativa é que em 2020 a tecnologia e a diversificação do relacionamento com o público sejam ainda mais utilizadas. Já está mais do que provado que os consumidores são muito mais propensos a seguir indicações de influenciadores digitais do que de anúncios comuns. Os influenciadores são aliados ou concorrentes dos publicitários? Como convencer um cliente de que publicidade de conteúdo vale a pena? 
Os influenciadores são nossos aliados. A tecnologia e suas ferramentas e possibilidades só não são aliadas de quem não está ligado o tempo todo. A internet criou novos canais, novas formas de comunicar e vai criar muito mais. Isso não vai ter fim. A evolução faz parte da essência humana. E nós, publicitários, vendedores de 'inteligência estratégica", passamos a ter um universo ainda maior de possibilidades para vender produtos, serviços ou ideias. 

Estamos cada vez mais digitais, sempre com a sensação de que não existe nada mais a ser criado, como se já tivéssemos visto de tudo. Qual o futuro da propaganda (criatividade) no mundo e no Brasil?
Como já falei aqui no começo da entrevista, em maio do ano passado estive em Nova York com outros executivos brasileiros das mais diversas áreas visitando algumas das maiores agências de comunicação do mundo. Um programa de geração e troca de conhecimento. O grupo foi formado por pessoas de agências, veículos e anunciantes de todo o Brasil. Foi uma experiência muito rica e transformadora. Estivemos na 4As (a mega American Association of Advertising Agencies), na 360i, na RGA, na Horizon Media, na Assembly, entre outras. Em todas fomos recebidos pelos CEOs ou diretores de inovação e criação. O mercado americano hoje está vivendo uma realidade de mudança muito mais rápida e profunda que o nosso e nos dá uma boa noção do que vem por aí. Durante uma semana tivemos um panorama bem detalhado de como as novas tecnologias estão tomando conta da vida das pessoas: a inteligência artificial, a automação, a robótica e a expectativa do início da operação do 5G na telefonia. As agências criaram grandes equipes de tecnologia com engenheiros, programadores, designers, analistas. Tá tudo em ebulição. As agências partindo efetivamente para uma comunicação one to one. Hoje você ouve numa 360i que um dos seus principais ativos é um banco de 250 milhões de IPs. Em pouquíssimo tempo estaremos conversando com as geladeiras, os fogões, os eletrodomésticos todos. O futuro é muito mais devastador e invasivo do que se imagina. A criatividade vai ser cada vez mais importante. 


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