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Estado de Minas PERDA

Rei dos drapeados

Alta-costura internacional perde um de seus estilistas mais famosos


postado em 12/01/2020 04:00 / atualizado em 10/01/2020 10:58

(foto: afp)
(foto: afp)

A alta-costura internacional perdeu nas vésperas de Natal um dos meus mais importantes estilistas, Emanuel Ungaro. Ele começou a trabalhar muito cedo, com seu pai, alfaiate e imigrante italiano. Tinha apenas 6 anos. Adolescente, passa a trabalhar 13 horas por dia com a família. Aos 22 anos, vai para Paris e trabalha como aprendiz com um alfaiate renomado, Christianni. Só que seu sonho era participar dos trabalhos de uma casa de alta-costura, e em 1958, graças à intervenção de André Courrèges, consegue um lugar no ateliê de Balenciaga como assistente. Fica seis anos com Balenciaga, a famosa maison, onde recebe do estilista lições de rigor e ética.  Sua segunda parada foi em Courrèges, onde ficou por dois anos. E em 1965, com quatro colegas, abre uma empresa com seu nome, em local que teve como fiadora a criadora de tecidos Sonia Knapp. Logo em seguida, Emanuel Ungaro se distingue pelas misturas de estampados, pelas nuances vivas e pelos belos drapeados. Combina como nenhum outro listras e estampados, cria ele mesmo suas estamparias. É também craque em drapeados, consegue esculpir com rigor o corte de um taileur.
 
(foto: afp)
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Cultivador dos clássicos, ele sabe modernizar os vestidos de noite, usando a mesma técnica que usa para as coleções dia: o resultado é equilíbrio sem excesso e muito bom gosto. Sugerido por seus fornecedores, abre em 1968 uma butique de prêt-à-porter, Ungaro Paralele, e também, na Avenida Montaigne, uma loja de alta-costura.À frente de uma das últimas maisons de costura independentes, comemorou, em 1995, um quarto de século de criação com seu estilo rico, florido e sensual. Ele se lembra: “Hoje todo mundo quer ser artista... Eu, depois que as operárias iam embora, varria o local, com vergonha de que soubessem que era eu mesmo quem fazia a limpeza...” Outra de suas observações é que seu estilo, que também era sensual, porque usava muito jérsei em suas criações,é que “não se deve usar um vestido, deve-se habitá-lo”.
 
(foto: afp)
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Mesmo sendo um criador respeitado, com um estilo absolutamente pessoal, enfrentou, com seu preciosismo, sérios problemas para manter a grife em alta. Com isso, em 1997, a marca foi vendida para o grupo italiano Ferragamo. Ungaro prefere então retirar-se. Deixa o mundo da moda parisiense em 26 de maio de 2004. Em 2005, a marca foi novamente vendida e entrou numa fase de refluxo, com a frequente troca de designers. De queda em queda em Paris, a marca não perdeu o prestígio do estilo e foi amplamente aceita nos Estados Unidos, que durante muito tempo “segurou” a grife no elenco da alta-costura. E isso valeu à marca, em 1980, o Prêmio Dé D'Ór , que distingue as casas de alta-costura.
 
Estilista Emanuel Ungaro(foto: Divulgação)
Estilista Emanuel Ungaro (foto: Divulgação)
Em 24 de setembro de 2012, foi anunciado que a marca retornaria à Semana de Moda de Paris na temporada outono/inverno de 2013, sob o comando criativo de Fausto Puglisi, estilista siciliano que já vestiu Madonna e Beyonce. O que segurou a marca foi a venda de perfumes e produtos mais baratos, vendidos na Ásia, com faturamento recorde de US$ 200 milhões. Mas a coleção de passarela tem sido deficitária há anos. Atualmente, a maison Ungaro está nas mãos do paquistanês Asim Abdulah. A marca permanece deficitária e, até 2010, registrava perdas não inferiores a 6 milhões de euros por ano.O retorno da griffe ao evento teria sido possibilitado por um acordo entre Abdullah, através de sua companhia de investimentos, Aimz, e o grupo italiano Aeffe (fundado em 1972 pela estilista italiana Alberta Ferretti), que já controla as marcas Alberta Ferretti, Moschino e Cacharel, entre outras. O acordo foi mais uma tentativa de revitalizar a Emanuel Ungaro, que desde 2005 teve mais de cinco diretores de criação. Ungaro morreu em 21 de dezembro de 2019, aos 86 anos.


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