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Estado de Minas HISTóRIA

Cila completa 45 anos com o melhor de moda praia

Completando quatro décadas e meia no setor da moda praia, a Cila é um case de sucesso e lançou coleção especial para comemorar o aniversário


postado em 06/10/2019 04:00 / atualizado em 06/10/2019 15:39

Anos 1990 em editorial no Viaduto Santa Tereza(foto: cila/divulgação)
Anos 1990 em editorial no Viaduto Santa Tereza (foto: cila/divulgação)


Maria Cecília Borges não sabe externar exatamente os sentimentos que lhe passam no coração ao ver a Cila, empresa que fundou ainda adolescente, completar 45 anos. Quando olha para trás, o que ela percebe é que foi um tempo de muito trabalho e empreendedorismo apostando no segmento beachwear numa cidade sem nenhuma tradição no assunto. E quebrando tabus desde o início, porque o biquíni era proibido nos clubes de Belo Horizonte.
 
Nesse cenário, inconformada com o tradicionalismo mineiro e atenta às novidades das praias cariocas, criou sua primeira peça: um “engana-mamãe” que, visto por trás, era exatamente um biquíni, mas, na frente, contava com um paninho extra ligando a calcinha ao sutiã e escondendo o umbigo. O maiô fez sucesso e se tornou objeto de desejo das meninas do Minas Tênis Clube. Todas queriam um igual.
 
Cila em desfile nos anos 1970(foto: cila/divulgação)
Cila em desfile nos anos 1970 (foto: cila/divulgação)
 
 
Como a maioria das empresas, Cila começou fazendo peças para as amigas em sua casa, na Rua Vitório Marçola. Quando o movimento do entra e sai incomodou a família, ela alugou uma garagem na Rua Pernambuco com Cláudio Manoel, já levando consigo clientes fiéis. Em uma segunda etapa, passou para o porão do imóvel e, já em 1983, comprou a loja da Avenida do Contorno, na Savassi. “Tudo foi acontecendo naturalmente, o negócio cresceu e, quando comprei o ponto, tinha uma clientela formada, sabia onde estava pisando”, relembra.
 
Impossível não notar seu orgulho ao ver o entusiasmo da filha, Tetê Vasconcelos – que a sucedeu no estilo e assina todas as coleções há 14 anos –, preparando a comemoração do aniversário de 45 anos da Cila.“Essa mexida no baú foi muito gostosa, sempre acaba tocando a gente”, ela diz.
Cila é daquelas mulheres dinâmicas que amam o que faz. Seu maior prazer sempre foi o chão de fábrica, ali é onde reina acompanhando a produção, resolvendo os problemas, seguindo a vida administrativo-financeira da sua empresa. Até ensaiou uma pausa profissional, mas chegou à conclusão de que não sabe ficar sem trabalhar. “O dia a dia da produção é muito desgastante, às vezes queria dar uma desligada, levar tudo mais light, mas não tem jeito”, assegura.
 
Cila Borges e Tetê Vasconcelos(foto: luiza zuim/divulgação)
Cila Borges e Tetê Vasconcelos (foto: luiza zuim/divulgação)
 
 
Mas a alegria de ver mais uma coleção pronta e o retorno das clientes supera tudo. E a faz se envolver em pequenos projetos, como fazer uma peça especial para uma mulher que foi submetida a mastectomia ou um maiozinho para o bebê da filha de uma cliente, que mora na China. “Outro dia recebi uma calcinha de biquíni surrada com o pedido para que ela fosse reeditada. Atendo a essas demandas sem pensar em ganho, mas por puro prazer”.
 
O pragmatismo, traço do seu temperamento, se aplica, sobretudo, aos negócios. Nesse terreno, gosta de ter os pés firmes. Há oito anos, inaugurou a sede própria da marca, no Bairro São Lucas, um prédio de cinco andares em área de 1.800 metros quadrados, projeto do arquiteto João Diniz. A construção tirou partido de três grandes árvores existentes no fundo do lote, envolvendo a natureza para criar um ambiente agradável para os funcionários.
 
(foto: breno mayer/divulgação)
(foto: breno mayer/divulgação)
 
 
Além da loja da Savassi, há a filial no BH Shopping. “Nunca quis crescer mais do que isso, ir para o mercado nacional como uma Blue Man ou uma Lenny, me sinto segura do tamanho que estou, assim mantenho o controle de tudo”, garante, lembrando que sua preocupação sempre foi fazer um trabalho com maturidade, investindo no produto e na qualidade.

Estilo Nos primeiros tempos, a inspiração de Cila sempre foi o que ela via nas praias que frequentava, particularmente as do Rio de Janeiro, bússola do beachwear. Intuitiva, acompanhou todas as modas, do fio-dental à modelagem asa-delta, mudança de hábitos e comportamentos, colocando sempre nas araras uma coleção de verão pronta para atender o público, que já vai para a quarta geração. O boom das academias na busca pelo corpo perfeito, nos anos 1980, despertou nela o desejo de trabalhar na área fitness – assim nasceu a marca Jump, que também é oferecida nas lojas.
 
(foto: breno mayer/divulgação)
(foto: breno mayer/divulgação)
 
 
A entrada da filha no estilo ocorreu de forma natural. Apesar de ter nascido praticamente dentro de uma fábrica de maiôs e biquínis, essa não foi a primeira opção de Tetê Vasconcelos. Passou pelos cursos de administração de empresas e de publicidade para depois buscar a faculdade de moda. “Estava insatisfeita, comecei a dar palpites bem aceitos nas coleções e issto me despertou a possibilidade de ser estilista”, relata. Ainda era estudante da Fumec, em 2006, quando assinou a primeira coleção.
 
Tetê viu aí uma janela, uma forma de aprender muito, tanto com a mãe quanto com o funcionamento da própria empresa. E, ao mesmo tempo, a oportunidade de injetar um pouco de inovação na Cila. “Qualidade, tecnologia e conforto já estavam presentes, o necessário era dar um refresh no estilo sem perder a identidade da marca”, considera. Em 14 anos, conseguiu seu objetivo. Um dos pontos fortes do seu trabalho é a pesquisa minuciosa e a criação de estampas exclusivas. As referências são quase sempre rotas profusas de viagens ao redor do mundo de onde regressa carregada de boas ideias. A cada verão conta uma história original fruto das imersões em países e culturas fascinantes.
 
(foto: breno mayer/divulgação)
(foto: breno mayer/divulgação)
 
 
Para comemorar as quatro décadas e meia da label no mercado, Tetê preparou uma coleção especial que batizou de Cila 45 anos. Convidou o artista Luís Matuto para ilustrar três temas que sintetizam os pilares da marca: o mar, a mulher e o amor. Cada estampa apresenta um trabalho de tipografia com as letras de cada palavra, que define o seu tema respectivo. Todo o conceito é carregado de poesia.
O mar, infinda inspiração, orientou a pintura em aquarela de seres marinhos em tons de verde, azul, ocre, com algas costurando as composições. A devoção à mulher originou um jardim em sua homenagem, lembrando que, do projeto do produto à venda, da costura à supervisão, a Cila é formada por mulheres e dedicada à mulheres. Por último, arrematando, vem o amor. Segundo a ideia, nos corações ilustrados cabem os ofícios de toda a equipe, o afeto dos clientes e o respeito aos dois pilares do grupo Cila: a mulher e o mar.
 
Estampa Amor, Verão 2020 (foto: breno mayer/divulgação)
Estampa Amor, Verão 2020 (foto: breno mayer/divulgação)
 
 
Para narrar essa trajetória, Tetê recorreu ao acervo da grife: um mix de modelos e modelagens foi retirado do baú homenageando, com atualidade, os 45 verões. A novidade são as peças com “efeito” tartaruga usadas como acessórios e o trabalho handmade elaborado com linhas. De resto, espere por várias versões de tops (dos meia-taça aos triangulares), muitos modelos de calcinhas (das pequeninas, com lacinhos laterais, às hot pants modernosas), e maiôs diferentes (do sequinho minimal ao cavadão). Na linha resort, convivem a malha e tecidos planos em chemises, vestidos fluidos e confortáveis, pantalonas, calças retas, saias, e cafetãs descolados.


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