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Juntos somos mais!

Jornalista vai trabalhar na na Africa


postado em 16/06/2019 04:10

 

 

“Eu sou porque nós somos”! Esse é o lema da Nação Ubuntu que está sendo edificada pela Fraternidade Sem Fronteiras - FSF no Malawi, país vizinho a Moçambique. Fica ao lado de um campo de refugiados que nasceu como ação emergencial há 24 anos e que hoje acolhe 38 mil pessoas entre malauianos e refugiados de guerra principalmente do Congo, Burindi e Ruanda em situação de extrema vulnerabilidade.


A grande maioria das crianças e jovens não tem acesso à escola e não há oferta ou criação de oportunidade de trabalho. A Nação Ubuntu está sendo construída em um o terreno adquirido pela FSF e o desafio neste momento é o de erguer a estrutura na qual espera-se transformar realidades. No campo de refugiados há energia elétrica disponível apenas durante seis horas por dia, a água é escassa e o alimento regrado. Milho, feijão e soja basicamente.


Diante dessas informações, me inquietei e sou capaz de confessar que toda essa pobreza passou a alimentar meus dias desde que decidi ir para lá. Parto dia 7 de julho e por dez dias farei parte de uma caravana, com foco na saúde. A maioria de meus companheiros são médicos e dentistas, mas há outros que como eu servirão a todo e qualquer propósito que se fizer necessário. A pobreza é extrema e a perspectiva de mudança pequena se pessoas como nós, em melhores condições, não fizerem nada.


Comecei a planejar a viagem em abril, quando conheci mais profundamente os projetos da FSF e me apaixonei. Tenho dito aos amigos que vou numa missão humanitária, mesmo sabendo que esse termo incita inúmeras interpretações. Achamos sempre que missão é aquilo que fazemos de bom pelos outros. Engano, pois nossa principal missão é conosco mesmos. É a nós que devemos procurar ajudar primeiro a encontrar o caminho da saciedade em seus mais amplos aspectos. A missão que assumimos conosco nos mostra primeiramente que vivemos mais baseados na ilusão de que somos mais do que somos e de que o outro precisa mais de nós que o inverso.


Há quem me pergunte por que não no Brasil? Resposta simples que toma várias formas a começar pela preferida das crianças: porque sim! Amo conhecer outros lugares, outros países, outras culturas. Porque as pessoas aceitam tão tranquilamente que se faça turismo fora do Brasil e encontram tanta dificuldade em entender porque alguém deseje ajudar bem além daqui? Somos irmãos ou não? Somos semelhantes ou não? Precisamos uns dos outros ou não?
Há outra resposta à pergunta por que não no Brasil? “Porque no Brasil também”. Quem se prontifica, como voluntário, a sair de seu conforto, tomar banho de caneco, comer com restrições, correr risco de contrair uma série de doenças deve estar habituado a fazer tudo isso bem perto de casa. O mundo se torna pequeno quando aceitamos fazer o que gostamos onde quer que sejamos chamados, onde quer se acreditemos que podemos ser úteis.


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