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Estado de Minas

Sobre o existir e resistir

Dentro do Velho Mercado Novo


postado em 26/05/2019 04:07

 

 

Tenho bem vivo em minha memória o tempo em que, bem pequenina, eu ia ao Mercado Novo, no hipercentro de BH, acompanhando meu pai aos sábados pela manhã. Era lá que ele comprava um cento de laranjas para que os filhos pudessem consumir bastante vitamina C e se desenvolverem gozando de uma saúde de ferro.


Eu nunca soube porque laranjas só podiam ser compradas lá, assim como a razão pela qual não dávamos nenhuma confiança para nenhuma outra barraca, de produtos saudáveis ou nem tanto. Não acredito que a razão fosse o fato de o senhorzinho que nos atendia sempre jogava dentro de nossas sacolas de ráfia duas ou três laranjas, além das que tínhamos direito. Talvez agindo assim acreditava que estaria garantido nosso retorno em uma semana. Fato é que lá estávamos no outro sábado.
Cresci achando que aquelas laranjas deviam ter mais vitaminas que quaisquer outras vendidas bem mais perto de nossa casa. Afinal, para quem morava próximo ao Colégio Batista e depois se mudou para o Sion, o centrão de BH era um pouco fora de mão. Mas quanto mais longe melhor, mais tempo para passear e acompanhar o movimento das ruas (e por tabela ganhar algum mimo pelo caminho, preferencialmente comestível, como um caldo de cana e um pastel).


Confesso que hoje vou para aqueles lados ao menos uma vez ao mês, quando me vejo precisando de algum material para minhas costuras. Atravesso uma distância maior agora que moro ainda mais longe, muitas vezes para comprar apenas uma caixa de alfinetes ou um retrós de linha, um zíper, consciente de que não precisaria andar tanto para encontrar nada disso. Fato é que lá vou eu (e por tabela como um biscoitinho de queijo numa lanchonete do bairro).


Mas, afinal, somos seres feitos de história e nos alimentamos dela, à medida que vamos nos transformando dia a dia. Por isso, comemorei quando soube que o Mercado Novo estava ganhando novos investimentos, atraindo jovens em torno de seus novos bares, barracas de produtos que vão além das laranjas que ainda levam muita gente ao lugar.


Comemorei ao saber que João Elias e Pedro Haruf assumiram a curadoria da exposição de mobiliário “Sobrexistir”, a ser instalada lá dentro a partir da próxima quinta até o dia 8 de junho, dentro da programação do BH Design Festival. O existir do design, do mestre de ofício, do próprio mercado e seus meandros. Pois, dizem, “existimos em cooperação, resistimos e sobrexistimos”! Coexistem creio, pois a proposta é exatamente expor produtos resultantes da colaboração entre designers locais e fornecedores que trabalham no mercado, uma troca saudável de conhecimento entre o velho e o novo, tudo dentro do Velho Mercado Novo.


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