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No aconchego do lar

Arquiteta recorre a madeira, pedra e outros elementos naturais para desenvolver projeto em Itabirito de casa de campo utilizada nos fins de semana por casal que mora em Nova Lima


postado em 12/05/2019 05:07

Hall de entrada
Hall de entrada

A casa deveria ser um refúgio. Um lugar para se afastar da rotina atribulada, desacelerar e recarregar as energias. A arquiteta Camila Medrado partiu desse desejo dos clientes para decorar o imóvel que fica em Itabirito, na Região Central de Minas. A presença da madeira e de outros elementos naturais, como pedra e plantas, cria o clima de aconchego. Além disso, vários ambientes são pensados para propiciar momentos de descanso e relaxamento, entre eles a sala de leitura e o pergolado. Outro ponto de destaque do projeto é a mistura de mobiliário contemporâneo com peças de época.

Camila conhece bem o gosto dos clientes (um casal sem filhos). Antes deste projeto, ela já havia decorado um apartamento e um escritório deles. A arquiteta ficou responsável pela escolha dos acabamentos, o desenho dos móveis planejados e de toda a decoração da casa de campo, que já estava em construção. “Eles queriam uma casa aconchegante, com cara de campo e nada urbana.”

No hall de entrada, o foco são duas poltronas com pés palito, originais da década de 1950, que foram garimpadas em um antiquário. Camila apenas mudou o revestimento, optando pelo veludo verde, que leva aconchego para o espaço. Como o casal gosta muito de obras de arte, há na parede uma composição de quadros com desenhos geométricos de três artistas brasileiros: Amilcar de Castro, Eduardo Sued e Judith Lauand. Destaque também para o enorme tapete oval.

De lá, os moradores sobem alguns degraus para chegar aos quartos ou descem para acessar a área de convivência. A escada tem estrutura de concreto, revestimento de madeira e guarda-corpo metálico desenhado pela arquiteta, que ainda projetou um painel de madeira, logo em frente à entrada da casa, para não deixar a adega e o lavabo à vista. “Não queria que a pessoa descesse as escadas e desse de cara com as portas. Então, a ideia é camuflar esses dois espaços”, justifica.

No andar de baixo, Camila criou vários ambientes aconchegantes, aproveitando ao máximo cada canto da casa. Um deles é a sala de leitura, com uma estante para guardar livros e duas poltronas de couro cobertas com pele, já que na região faz muito frio. Abaixo da escada, estão um exemplar da Poltrona Moleca e do Banco Mocho, ambos de Sérgio Rodrigues, que proporcionam bons momentos de descanso.

Todos os ambientes deste piso – salas de estar e jantar, cozinha e varanda – são integrados. Isso era um desejo dos moradores. “O objetivo era fazer quase que um ambiente único. Como eles recebem muitos amigos, queriam ter mais praticidade de juntar todos os ambientes”, conta. Quando todas as portas de vidro são abertas, a varanda acaba entrando dentro de casa.”

Com a exceção das áreas molhadas, Camila escolheu revestir todo o piso com madeira de demolição para “aquecer” os ambientes. Pensando em texturas, ela projetou na sala de estar uma parede de pedra moledo, onde fica o aparador com a televisão. O sofá na cor violeta, seguindo uma proposta mais contemporânea, leva um ponto colorido para o espaço, mas o que chama mesmo a atenção é a lareira. Com design diferente, ela não tem apenas a função de espantar o frio, transformou-se em uma escultura. Caixas antigas, que eram do exército, são usadas para armazenar as lenhas.

Já a sala de jantar reúne mesa oval dos anos 1980 e cadeiras da década de 1960 (com estrutura de jacarandá e estofado de couro). “Tenho uma tendência de usar móveis que tenham mais presença, com conceito, personalidade e design, que trazem uma lembrança de casa antiga, sem ser casa de avó”, pontua a arquiteta. A pedido da dona da casa, Camila colocou em evidência uma cristaleira centenária de família.
Não há paredes dividindo sala e cozinha. Como a moradora gosta muito de cozinhar, chegou-se à conclusão de que o ambiente deveria ser todo aberto. Além das cadeiras, que também são na cor violeta, os olhos são atraídos por uma parede cheia de objetos. “A ideia era criar uma parede com pratos, mas que saísse do tradicional. Então, fizemos uma composição com relógio de ponteiro, quadros e lançadeiras usadas antigamente para costurar. No fim, deixou de ser uma parede de pratos para virar uma objetaria.”

A varanda circula toda a sala. De um lado, estão posicionadas uma mesa de madeira e cadeiras de ferro com corda para que o casal possa fazer alguma refeição do lado de fora da casa. Na outra parte, duas poltronas de corda, com design bem contemporâneo, criam uma atmosfera para contemplar a vista. “Os moradores não queriam piscina, porque já existe uma área de lazer em comum com as casas ao lado. Por isso, optamos por fazer um espaço de confraternização e outro de descanso”, explica.

PRIVACIDADE Os três quartos ficam isolados no andar de cima, o que garante privacidade aos moradores. Na suíte, há uma cama confortável entre dois criados-mudos com objetos do acervo do casal, como luminária e duas pequenas telas. Em um canto, a arquiteta projetou um apoio para escritório, com a cadeira de rodinhas Kiko, de Sérgio Rodrigues, e espelho de jacarandá da década de 1950 com moldura que lembra raios de sol. O segundo quarto tem uma cama de casal e o terceiro, duas de solteiro. No corredor, Camila montou uma chapelaria contemporânea. Ganchos em formato de bolas de sinuca pendurados na parede fazem as vezes de cabideiro.
A arquiteta investiu em iluminação indireta para reforçar o clima de aconchego da casa de campo. A sala, por exemplo, conta com luminárias de pé e de parede. Por isso, no teto há poucos focos de luz, até para não poluir visualmente a superfície. Destaque para a luminária da sala de leitura e o lustre pendente da sala de jantar que, além de iluminar a mesa, funciona como objeto de decoração.

Os moradores queriam ter a sensação de estar em meio à natureza. Por isso, quase não se veem paredes na casa. Por todos os lados, vidros que vão de cima abaixo. Nas portas e janelas, foram instaladas cortinas de linho mais finas, com um pouco de transparência. Elas compõem a decoração e dão privacidade, sem esconder completamente a vista para as montanhas. “Trabalhamos com muitos elementos naturais, como madeira, pedras e verde, para reforçar isso”, acrescenta a arquiteta.

Do lado de fora, na direção da cozinha, um pergolado de madeira com parreiras, de onde já se colhem uvas. O desenho é de Camila. “Pensei em fazer uma barreira para tampar um pouco do sol que bate nessa área da casa e acabei criando um ambiente com banco e vasos de flores.” No jardim, a passarela de madeira leva até uma ducha. O plano, futuramente, é colocar espreguiçadeira nessa área.


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