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Edições melhores virão

Temporada de desfiles nova-iorquinos se encerra com (poucas) coleções que trazem frescorà moda feminina. Brasil finca o pé no mercado internacional com três participações de peso


postado em 17/02/2019 05:09

Coach 1941(foto: slaven vlasic/afp)
Coach 1941 (foto: slaven vlasic/afp)



Se na primeira semana a Nova York Fashion Week (NYFW) mostrou ousadia com a moda masculina, não se pode dizer o mesmo do que se viu nos últimos dias. As roupas femininas continuam elegantes e atemporais, mas pouco saíram do esperado. A não ser pela presença de um colorido que faz bem aos olhos, com misturas menos óbvias. Destaque também para o desfile de estreia de um japonês que conquistou Marc Jacobs e a participação de três marcas brasileiras no line-up.
Não fosse Tomo Koizumi, a NYFW passaria sem muitas emoções. O estreante japonês conseguiu mexer com uma plateia que buscava algo menos burocrático. E olha que ele teve apenas três semanas para organizar o desfile em uma área emprestada da loja de Marc Jacobs. Descoberto por uma editora de moda britânica, o estilista – e também figurinista – apresentou uma coleção já existente, afinal, recebeu o convite de última hora. Mas isso não diminui em nada o seu mérito de se tornar o centro das atenções.


Koizumi utiliza organza de poliéster para criar o que ele chama de “armaduras de babados”. São vestidos bastante volumosos, com camadas e mais camadas de tecidos. Cada peça tem, em média, 80 metros de pano, mas no vestido que encerrou o desfile, com mangas enormes e uma calda bem comprida, esse número chega a 200. O colorido naturalmente se impõe em uma coleção inspirada em pinturas abstratas e nos degradês que se formam no céu.
O coletivo Vaquera também deixou a sua marca em Nova York, mais para o lado do estranhamento. Talvez seja mesmo o objetivo dos seus três criadores, que não escondem a vontade de “subverter o luxo”. Patric DiCaprio, Bryn Taubensee e Claire Sullivan buscaram referências na decoração de casa para desenvolver a coleção, que faz uma crítica aos jovens de hoje que preferem ficar deitados no sofá a explorar o mundo.


Os estilistas abusaram de veludo, tecido com alto-relevo, florais e xadrezes que lembravam estofado de sofá, capa de almofada ou papel de parede. Já os babados e as franjas nos levavam a enxergar uma cortina. O absurdo tomou conta da passarela com vestidos volumosos feitos com toalhas de mesa. A marca também brincou com as proporções ao mostrar mangas que quase encostavam no chão, blazer que parece ser de um gigante e um vestido que, de tão armado, esbarrou em quem estava na primeira fila.


A alfaiataria surge exuberante na coleção de Tom Ford. Os looks logo chamam a atenção pelo colorido: o roxo se juntou ao azul e também ao vermelho. O estilista norte-americano também investiu em produções que carregam tons diferentes de verde, cinza e vermelho, mas, no fim das contas, o preto venceu. A cor clássica aparece da cabeça aos pés na maior parte do desfile. Dessa forma, fica fácil perceber o contraste de texturas (Ford misturou tecidos como couro, veludo e cetim).
Depois de uma enorme sequência de calças, todas com a barra dobrada e combinadas com blazer, jaqueta e casaco longo, passaram pela passarela os vestidos de festa da marca. Fluidos e quase sem recortes, eles ganharam charme com correntes no decote, tanto na frente quanto nas costas.


As cores vibrantes se destacam também no desfile de Kate Spade. Na coleção assinada pela estilista irlandesa Nicola Glass, que assumiu a marca depois da morte trágica de sua fundadora, vemos tons de amarelo, roxo e vermelho. Lilás e mostarda formam uma combinação marcante. Até a animal print de leopardo ganhou um colorido alto-astral. Os looks vão de blazer com calça de veludo a vestidos leves de seda a conjunto de tricô. No tema acessórios, a marca lançou moda ao propor o uso de duas bolsas ao mesmo tempo, uma no ombro e outra na mão ou ambas carregadas na mão.

 

 

Brasil na passarela

 

Três etiquetas brasileiras desfilaram nesta edição da NYFW. Os jeans da John John foram exibidos pela primeira vez aos norte-americanos. “Apresentar fora do Brasil é um passo muito importante para a marca”, comemora o fundador João Foltran, que abriu no início do mês uma loja em Los Angeles. Para a estreia, ele buscou na Itália tecnologias e lavagens inovadoras e deixou o denin ainda mais exclusivo. O resultado é uma coleção muito colorida, em tons vibrantes como roxo, verde e amarelo.


Os macacões se multiplicaram na passarela, compondo looks masculinos e femininos. O modelo mais presente tem zíperes por todo lado e bolsos utilitários. A peça-chave do desfile simboliza a proposta de Foltran de mostrar uma roupa descomplicada e sem gênero.


A ousadia e irreverência do rock deram o tom do desfile da Undertop, realizado em parceria com a multimarcas Flying Solo, que aposta na marca desde o início. Partindo da lingerie, a estilista Juliana Mansur desenvolve roupas atemporais para mulheres com atitude. Em sua quinta participação seguida na NYFW, a brasileira apresentou a coleção Foxy Lady (nome de uma música de Jimi Hendrix), em que explorou bastante a transparência e o brilho, sempre no preto. Em destaque, body de manga longa, hot pant e top com decote V.


A Rosa Chá voltou a integrar o line-up de NY. Os últimos desfiles haviam sido na época em que a marca ainda era liderada pelo seu fundador, Amir Slama, e tinha foco em moda praia. A representante brasileira, que agora cria peças que transitam entre o casual e o sofisticado, recorreu ao espartilho para dar um ar sexy à coleção. O shape apareceu tanto na modelagem de vestidos quanto na própria estrutura das roupas. Nos looks, havia um equilíbrio entre formas volumosas, comprimentos curtos e decotes.


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