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Vocação para crescer

Polo calçadista de Nova Serrana, formado por 12 cidades da Região Centro-Oeste de Minas, é reconhecido no mercado nacional e internacional por aliar qualidade, design e preço


postado em 13/01/2019 05:06

Na Lynd, o foco são tênis esportivos e casuais(foto: lynddivulga;áo)
Na Lynd, o foco são tênis esportivos e casuais (foto: lynddivulga;áo)



Não dá para falar da produção de sapatos no Brasil sem citar Nova Serrana. A cidade na Região Centro-Oeste de Minas Gerais representa um importante polo calçadista do país. De lá, saem cerca de 100 milhões de pares por ano, destinados a outros estados e também ao exterior. Inicialmente reconhecido pelos calçados esportistas, o grupo de fábricas mineiras diversificou a produção e também leva ao mercado linhas casuais especialmente pensadas para as mulheres.


Pela avaliação do presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Pedro Gomes da Silva, três aspectos tornam os calçados produzidos na cidade atrativos para os compradores: design, qualidade e preço. “As empresas daqui estão se tornando extremamente competitivas. É muito difícil para qualquer outro polo calçadista atingir a nossa qualidade, sem falar no design, sempre atualizado”, analisa. Pedro acrescenta que os produtos também chamam a atenção pelo valor, que garante lucro ao lojista e, ainda assim, fica interessante para o consumidor.


Na época dono de transportadora, Pedro veio do Ceará atraído pela produção de calçados em Nova Serrana e logo mudou de ramo. Há 26 anos, ele comanda a Randall, fábrica especializada em tênis vulcanizados. Nesse processo, a borracha se funde ao tecido em um forno de altas temperaturas e os pares ganham ainda mais durabilidade.


Em seu último mês na direção do sindicato, o empresário se orgulha das ações que contribuíram para o desenvolvimento das indústrias. Olhando para o futuro, ele enxerga que os desafios do polo calçadista são investir em tecnologia para ganhar produtividade e aumentar o volume de vendas. “À medida que você aumenta a sua capacidade de produção, aumenta a sua capacidade de inserção no mercado. E assim ficamos cada vez mais competitivos”, pontua.


As feiras têm ajudado a aproximar as fábricas dos compradores. Pelo segundo ano consecutivo, o Sindinova promove a Nova Serrana Feira e Moda, em São Paulo, que começa amanhã e segue até quarta. Pedro conseguiu reunir 140 expositores do polo calçadista mineiro em uma área de 3,8 mil metros quadrados, praticamente o dobro dos números do ano passado. A expectativa é receber acima de 10 mil visitantes, incluindo exportadores. As fábricas estão de olho em compradores de países da América do Sul, como Bolívia, Argentina e Peru, onde se consomem produtos muito parecidos com os nossos.
Os fabricantes de calçados também participam anualmente da Feira de Calçados de Nova Serrana (Fenova), que promove os lançamentos das coleções em março e agosto.


Focada em calçados femininos, a Cromic investe em design e conforto para se diferenciar no mercado. Uma equipe interna faz pesquisas para decidir quais modelos, materiais e estampas vão entrar na coleção, seguindo as tendências da moda e o desejo das clientes. Além disso, os pares passam por vários testes antes de entrar na linha de produção. “É um conjunto de fatores que fazem com que o produto seja vendido. Ele pode até ser mais barato, mas, se não tiver design e não calçar bem, vai ficar na prateleira”, aponta Júnior César Silva, um dos sócios da empresa, fundada há 25 anos.


Atualmente, a fábrica emprega 120 funcionários e produz em torno de dois mil pares por dia. No verão, saem mais sandálias. Já no inverno, as botas dominam a produção. “Normalmente, desenvolvemos em torno de 60 modelos por coleção. Nas feiras, fazemos um filtro do que tem mais aceitação e tiramos o restante de linha”, informa. Para a temporada de frio, além das botas com saltos, bicos e canos variados, Júnior espera conquistar as mulheres com ankle boots, coturnos e sandálias mais fechadas. Sobre os materiais, as apostas são um sintético que lembra veludo, animal print (onça e cobra) e verniz.
Os pares de calçados produzidos na Cromic chegam a praticamente todos os estados do Brasil, mas as vendas se concentram nas regiões Sul e Sudeste. A fábrica também faz exportações esporádicas para Paraguai, Equador, Paquistão e Argentina.


Há 20 anos, dois irmãos de Nova Serrana ganharam do pai máquinas para montar uma fábrica de calçados. Logo, eles se juntaram a um amigo com experiência no setor. Assim começou a Lynd, que oferece ao mercado tênis esportivos (para caminhar e praticar esportes), acompanhando a tradição da cidade, e tênis casuais femininos. “Temos design próprio e trabalhamos com produtos bem alinhados com a qualidade que o mercado pede e com as tendências de moda da estação. Somado a isso, um posicionamento agressivo de preços”, enumera o sócio Ronaldo Andrade Lacerda.

MODA A fábrica lança duas coleções por ano. Atualmente, tem apostado na leveza dos materiais e em cores mais sóbrias, principalmente preto, branco e nude, na linha esportiva, atendendo ao desejo do consumidor de usar os tênis no dia a dia. Já a linha casual, só para mulheres, acompanha a moda, então todo semestre surgem modelos diferentes. “Sempre trabalhamos com elementos de estilo, como zíper, spike e pequenas aplicações, que deixam os calçados com ar mais fashion. Além disso, trabalhamos com cores mais usuais para que eles sejam uma peça curinga no guarda-roupa”, detalha.


Os três sócios dobraram o tamanho da fábrica quatro anos atrás e, desde então, estão conseguindo manter a meta de crescimento de 10% ao ano. Com 320 funcionários, a empresa produz cinco mil pares por dia e pode chegar a oito mil. Para isso, precisa abrir mercado. “No início, éramos muito focados em atender a  lojas pequenas. Com o crescimento do polo, fomos atendendo clientes maiores e hoje estamos em todos os estados do Brasil. Exportamos também, mais para a Argentina”, compara.

 

 

História

Nova Serrana era um lugar de parada de viajantes no século 18, durante as buscas por ouro e metais preciosos. Cercado por dois ribeirões, o então arraial tinha um curral, uma hospedaria e uma oficina de selas, botas e arreios. Mais tarde, os primeiros habitantes começaram a fabricar calçados. O crescimento dos pequenos negócios coincide com a emancipação política de Nova Serrana, na década de 1940. Os sapatos eram produzidos dentro de casa, onde toda a família trabalhava. A primeira empresa da cidade, Fábrica de Calçados Oeste, estimulou o mercado. Nos anos 1970, começou a produção de calçados esportivos. A demanda por tênis só aumentou e houve um boom de novos negócios na década seguinte. Logo, a cidade se tornou o maior produtor de calçados esportivos do país. Com o tempo, a produção se diversificou e hoje o polo industrial também é conhecido pelos calçados femininos.

 

 

Polo calçadista de Nova Serrana

12
cidades


1200
 fábricas


20 mil
empregos


100
milhões de pares por ano


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