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Estado de Minas

Não demonstrar ressentimento

Que possamos perdoar a quem mais amamos


postado em 23/12/2018 05:03

Não importa onde esteja Há alguns anos, uma avó me contava, tentando não demonstrar ressentimento, que desde que seu neto havia nascido (a aquela altura ele tinha cerca de seis anos), sua filha não passava o Natal com ela e o marido. Isso porque a outra avó, a paterna, que morava a centenas de quilômetros dali, ja era viúva e bem mais velha, o que fazia com que todos acreditassem ser sempre seu último Natal lúcida e em família. Não era preciso perguntar, pois sabia-se que não havia argumento capaz de convencê-los a ficar ao menos uma vez ou quem sabe fazer um revezamento, um Natal cá e outro lá, como se vê muito por aí.


       Se quisessem abraçar a criança, que o fizessem antes ou depois do duo 24/25 que poderia se alongar por até quatro dias, como o presente. Uma ceia fora de época, alguns dias antes, também não era fácil marcar, pois a correria profissional e social que tomava conta do jovem casal os impedia, em detrimento ao excesso de tempo para se dedicar a família que gozava o velho casal (o que não deve ser interpretado por não ter nada para fazer).  Como a natureza sempre se presta a nos pregar peça para nos ensinar que nem sempre as coisas saem como planejamos ou desejamos, a avó com quem eu conversava foi acometida de uma doença fulminante e não estará entre nós neste Natal.


Fico imaginando o que passa na cabeça de sua filha hoje. Sua escolha foi feita com base em probabilidades, o que a levou a desconsiderar outros tantos fatores que não há lei nem regra nenhuma capaz de abarcar. Sei que ao entrar no carro ontem a caminho da velha e bem conhecida estrada para a casa dos pais de seu marido, ela se lembrou de todos os natais que não conseguiu uma brecha para comemorar com seus pais.


Só não sei se teve coragem de deixar os pensamentos irem mais fundo e se questionar qual terá sido a verdadeira razão pela qual não fazia questão nenhuma de ficar. Reconheço que as vezes as festas em família são enfadonhas, sem graça, a mesmice. Tem sempre o tio chato, o primo das piadas sem graça ou apimentadas demais ou aquele que faz questão de lembrar para todo mundo todos os foras que demos quando éramos jovens e dos quais gostaríamos de nos esquecer eternamente.  


Mas fato é que criamos desculpas que acreditamos serem suficientes para justificar nossos atos e nossas escolhas. Porém, quando deixam brechas, podem se transformar em juízes implacáveis que  fazem com que nos sintamos culpados. Quando construímos relações de boas bases, não importa o que aconteça, não importa a data, não guardaremos como lembranca aquilo que deveríamos ter feito. Apenas o que de fato fizemos. E essa é minha mensagem de Natal. Que possamos alimentar de amor nossas relações, deixando de lado a mágoa, o desejo de vingança, o ressentimento.


 Que possamos perdoar, a começar aos que mais amamos, permitindo que mesmo quando eles ou nós partirmos, deixem conosco ou levem consigo a bela  sensação de um dia termos compartilhado momentos como os que representam o verdadeiro Natal.


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