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Mesmo se ele for, eu vou

Ninguém precisa ficar agarrado em quem não gosta.


postado em 16/12/2018 05:07

 

 

Dezembro traz os encontros. Amigos de infância, recentes, colegas de trabalho, de colégio, familiares do núcleo principal ou do estendido e seus agregados. Todos resolvem fazer aquilo que durante os outros 11 meses foi difícil. Vamos fazer uma reunião em que cada um traga uma coisa gostosa, uma bebida ou então vamos para um bar.


Podemos trocar presentes, cada dia mais simbólicos e simples, ou deixemos esse velho hábito de fora, já que custou, mas descobrimos, que quase ninguém sai de fato satisfeito dessa brincadeira. Não importa onde vamos rir, contar os casos, colocar a conversa em dia, estreitar nossos laços ou aprofundar nossos abismos. Vamos nos encontrar.
Mas se fulano for, não vou. Este ano, então, de muita discussão e atrito motivado pelas disputas na política, quantos optaram por não ir a confraternizações de fim de ano que pareciam ter se tornado uma tradição a seguir até que a morte nos separasse? Esse é um ponto que me chama muito a atenção.


Não vamos às comemorações porque queremos encontrar os amigos, alguns mais que os outros, é certo, mas é sempre bom rever pessoas que fazem parte de nossa vida, mesmo de longe e de tempos em tempos. Temos a infeliz capacidade de dar mais importância a quem não gostamos, por quem desenvolvemos certa antipatia. Não vamos porque alguém que lá poderá estar não desejamos encontrar, ter que cumprimentar ou simplesmente dividir a mesma mesa ou sala. Definitivamente, se ele for, não vou.


Mas e os demais, quem tanto você gosta, com quem desopila o fígado de tanto rir, ao mesmo tempo que o intoxica de tanto beber? Não seria melhor inverter? Vou porque Maria, João, José e Betânia estarão lá. É isso o que mais importa ou deveria. Abrimos mão de abraçar os que amamos simplesmente porque não desenvolvemos mecanismos para lidar com os poucos que nos afetam negativamente.


Somos tão orgulhosos e egoístas que nos esquecemos de que quem mais se beneficia indo somos nós mesmos. Os outros, aqueles pelos quais desejaríamos estar longe dali, que fiquem em seus cantos guardando aquelas partes indesejadas por mim. Ninguém precisa ficar agarrado em quem não gosta.


Há vários subterfúgios que conhecemos muito bem e sabemos usar quando queremos escapar de uma rodinha de conversa ou de um diálogo indesejável. Vamos ao banheiro, atender a uma ligação, dizer algo para fulano que não podemos esquecer ou, porque não, ser mais claros e com um simples sorriso cheio de deboche deixamos o outro a ver navios. Afinal, eles também sabem que não nos damos bem, sendo que muitos, mais espertos que todos nós, jamais abrem mão de um encontro só para não ter que trombar com nossa desagradável presença.


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