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Estado de Minas

44ª Casa de Criadores

Novos talentos, upcycling e a discussão de ressignificação da moda e de gêneros foram abordados durante a semana


postado em 09/12/2018 05:07



Entre 26 e 30 de novembro, o MAC – (Museu de Arte Contemporâneo da USP), em São Paulo, recebeu a 44ª edição da Casa de Criadores, evento que prioriza a visibilidade de novos talentos da moda, sob o comando de André Hidalgo.
O line-up composto por 26 desfiles trouxe a estreia do mineiro Fábio Costa, com a marca NotEqual, do pernambucano Jorge Feitosa, da dupla Alex Santos e Van Loureiro (estes no Projeto Lab), VonTrapp e, por fim, Vicente Perrota, este último trabalhando exclusivamente com upcycling. Além disso rodadas de conversas com profissionais de moda foram realizadas antes dos desfiles.


De acordo com Hidalgo, a Casa de Criadores tem importância no circuito fashion justamente por oferecer oportunidades a estilistas em início de carreira. O empreendedor conta que a partir de agora estão programados treinamentos para os participantes para que obtenham conhecimentos inclusive de negócios para poder se estabelecer de forma mais consistente. O evento contou com a parceria do movimento Sou de Algodão, que visa ampliar o uso do material entre os estilistas brasileiros.

n Estreantes enfatizam
moda sem gênero

Entre as estreias, o mineiro Fábio Costa foi destaque, trazendo pela primeira vez em São Paulo a marca NotEqual, nascida em Nova York onde morou. Suas peças, com modelagem confortável, não têm gênero e nem mesmo tamanho, se adaptando ao corpo por meio de dobraduras e amarrações. Calças amplas, vestes e vestidos em tons de cinza, bege e vinho, alguns com bordados lindos encantaram a passarela.


Jorge Feitosa foi outra boa surpresa: o estilista, baseado na feira popular Sulanca, de Santa Cruz do Capibaribe, em Pernambuco, trouxe peças em patchwork de tecidos, com detalhes de dobraduras. Regatas, bermudas e saias vieram cheias de estilo. Linda a calça em degradê de retalhos azuis.


De Campinas, SP, Vicente Perrota trabalha em peças que encontra descartadas nas cercanias da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas. Das roupas reconstruídas surgiram vestes sem gênero e sem tamanho. Na passarela, trans, travestis, heterossexuais e modelos plus size vestiram roupas com detalhes como de decotes usados como mangas, saias obtidas pela costura de várias camisas polo, macacões que podem ser usados de cabeça para baixo e de trás para a frente. Interessante exercício de ressignificação.


VonTrapp utilizou tecidos nobres e naturais em modelagens de linhas retas, com peças de alfaiataria muito benfeitas, num desfile um tanto conceitual.


Alex Santos e Van Loureirovieram com mix de materiais, sobreposições, com reúso de materiais, especialmente em acessórios, num desfile que trouxe à baila uma visão de Mad Max tupiniquim. Interessante, apesar de muitas peças já terem sido vistas em outras oportunidades.

n Técnica, criatividade
e sofisticação

Nos demais desfiles, o que se viu na passarela prova que o mercado fashion nacional teve uma evolução em questões técnicas nos últimos anos. Boas modelagens, boa costura, alfaiataria impecável. Estavam presentes em Weider Silvério, com peças em mix de xadrez inspiradas no artista australiano LeighBowery; em Martins.Tom, que trabalhou estampas de animais em peças amplas; em Rocio Canvas, que trouxe uma modelagem mais solta, recortes vazados e acessórios interessantes; Alex Kazuo e Saint Studio, estes últimos com peças minimalistas. Lindos os vestidos e calças de Renata Buzzo, com retalhos de tecidos (na verdade, resíduos) bordados um a um, dando a impressão de pétalas, numa costura delicada. Prova que a sustentabilidade pode ser sofisticada e luxuosa.


A criatividade aliada à técnica ficou evidente em Igor Dadona, RoberDognani – que homenageou estilistas brasileiros já falecidos num desfile emocionante, e Fernando Cozendey, este último trabalhando tecidos com lycra de forma diferente, fazendo inclusive mangas e pernas em matelassê. Vale ainda mencionar Felipe Fanaia, que misturou referências dos “ursinhos carinhosos”com militarismo. A Alto Giro, marca de moda fitness, trouxe uma novidade interessante: um bolso na perna de uma das calças que carrega celular por indução.


Heloisa Faria trouxe para a passarela a leveza das nuvens, em conjuntos de saia e blusas com transparência, máxi tricôs, tops com shorts e cardigãs. Calça clochard e macacão com certo apelo vintage.
A marca Kengá Bitchweare apostou numa vibe anos 80, com muito brilho, macacões segunda pele, collants animal print entre camisetas com dizeres picantes.


O último desfile da semana, realizado pelo coletivo Brechó Replay + Inserto, veio com uma performance de dança com peças de alfaiataria e vestidos leves com aplicação de pintura sobre o tecido, embora o discurso fosse de ressignificação do vestir e do que é feminino/masculino.


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