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Estado de Minas GEOGRAFIA

O desafio do transporte nas metrópoles urbanas


postado em 21/03/2017 12:53 / atualizado em 22/03/2017 13:36

Em novembro é comemorado o Dia Mundial do Urbanismo. Pode ser que muitas pessoas não saibam exatamente o que o termo significa, mas certamente todos são afetados por ele, principalmente os que vivem nos grandes centros urbanos.

De forma simples, urbanismo é a técnica de organizar as cidades, para criar condições satisfatórias de vida. Para isso, é necessário que haja estudo, regulação e planejamento das áreas urbanas, no que diz respeito à mobilidade, ao saneamento básico, à política habitacional, à conservação e à utilização dos espaços públicos, entre tantas outras coisas.

A mobilidade urbana é um dos maiores desafios nas cidades brasileiras.(foto: Marcos Vieira/DA Press)
A mobilidade urbana é um dos maiores desafios nas cidades brasileiras. (foto: Marcos Vieira/DA Press)
 

Um dos grandes problemas enfrentados pelos moradores das grandes cidades brasileiras é a deficiente infraestrutura de transportes. As pessoas demoram muito tempo para se deslocarem, sem condições mínimas de conforto, tendo muitas vezes que encarar longas distâncias em pé, em ônibus lotados.

Este problema tem origem em meados do século XX, quando o Brasil passou por um processo de industrialização que aconteceu de forma rápida e descontrolada. Houve migração muito grande de pessoas para as cidades, o que levou à supervalorização do preço dos terrenos e imóveis.

A solução, para as pessoas de renda mais baixa, foi estabelecer moradia em zonas mais afastadas, além de favelas e ocupações irregulares. As ofertas de empregos e serviços, no entanto, ficou concentrada nos bairros mais nobres, o que exige deslocamento de grandes distâncias pelos trabalhadores.

Paralelamente, uma das estratégias usadas para desenvolver o setor industrial brasileiro foi a valorização da indústria automobilística. Assim, além de ter havido investimentos altos no modal rodoviário – em detrimento de outros como o ferroviário, por exemplo – sempre foi dada prioridade aos automóveis, em vez de meios coletivos, como os ônibus.

O número de carros no país não para de crescer. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a frota hoje é de 50,9 milhões de automóveis. Em 2006, eram 27,4 milhões, o que representa um aumento de 85% nos últimos 10 anos. O excesso de veículos de transporte individual causa congestionamentos diários e boa parte da poluição nos grandes centros urbanos.

Por sua vez, os ônibus, que são o principal meio de transporte público no Brasil, têm baixa capacidade de atendimento, com pouca previsibilidade de horário e quantidade insuficiente.

A solução para o problema de transporte nas metrópoles não é simples, mas o ideal é que se trabalhe em várias frentes, buscando alternativas mais sustentáveis, variadas e integradas.

É preciso, por exemplo, atuar para que o transporte já existente seja mais eficiente. Isso inclui planejamento de rotas, aumento de frequência, faixas exclusivas, entre outras melhorias operacionais, que são baratas e podem ser feitas no curto prazo.

É importante, também, investir em outras modalidades, como expansão das linhas de metrô e de trem, disponibilização de ciclovias, criação de BRTs (Bus Rapid Transit) e VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) ou aproveitamento do potencial de transporte hidroviário, em lugares em que isso é possível.

Apesar do alto custo, o metrô é uma das soluções mais eficiente para transporte de massa nos grandes centros.(foto: Internet)
Apesar do alto custo, o metrô é uma das soluções mais eficiente para transporte de massa nos grandes centros. (foto: Internet)
 

Outro grupo de ações essenciais são aquelas que desestimulam o uso de carros individuais e incentivam a adoção de transportes coletivos. Isso pode ser feito, por exemplo, pela cobrança de taxas para circular em áreas centrais (como é feito em Londres), pelo incentivo às caronas (na Califórnia, há faixas para automóveis com pelo menos dois ocupantes) e pela proibição de estacionar, mesmo mediante pagamento, em áreas muito movimentadas.

O importante é entender a dinâmica das cidades e ter uma política de mobilidade sustentável e organizada, com um leque de opções de transportes públicoseficientes e de qualidade, para que eles sejam realmente a forma prioritária de deslocamento dos cidadãos.

Artigo produzido pelo Percurso Pré-vestibular e Enem

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