Publicidade

Estado de Minas

Nenhum estado atinge a meta do Ideb para o ensino médio; nota de Minas cai no fim do fundamental

Projetada para 4,7, nota do ensino médio em 2017 fica em 3,8 na média nacional, e a de Minas Gerais em 3,9. No ciclo fundamental, estado supera alvo nas séries iniciais, mas perde 0,1 ponto nas finais


postado em 04/09/2018 06:00 / atualizado em 04/09/2018 08:05

Dados do Ideb sacramentam resultados de testes que mostram desempenho pífio em português e matemática (foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
Dados do Ideb sacramentam resultados de testes que mostram desempenho pífio em português e matemática (foto: Jair Amaral/EM/DA Press)

Mais um diagnóstico confirma o estado crônico no qual se encontra a educação brasileira. Ontem, o Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2017. No ensino médio, nenhum estado do país atingiu a meta, superada apenas nos anos iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais desse ciclo, apenas sete alcançaram o índice proposto para este ano. Minas Gerais, além de não fazer parte desse seleto grupo, ganhou destaque nacional por ser o único a registrar queda em relação à edição anterior da avaliação.

Os dados sacramentam os números divulgados na semana passada pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), segundo os quais é pífio o aprendizado em português e matemática dos alunos do 5º e 9º ano do ensino fundamental e da 3ª série do nível médio. Com essa deficiência comprovada, não poderia ser outro o resultado do Ideb. Após três edições consecutivas sem alteração, o Ideb do ensino médio avançou apenas 0,1 ponto em 2017. Apesar do crescimento observado, o país está distante da meta projetada. De 3,7 em 2015, atingiu 3,8 em 2017. A meta estabelecida para 2017 é de 4,7. “Foi um crescimento inexpressivo. Estamos muito distantes das metas propostas. É mais uma notícia trágica para o ensino médio do Brasil”, destacou o ministro da Educação, Rossieli Soares.

Em Minas, houve crescimento de 0,2 ponto, saindo de 3,7 em 2015 para 3,9 este ano. O Ideb é uma iniciativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao MEC, para medir o desempenho do sistema educacional brasileiro a partir da combinação entre a proficiência obtida pelos estudantes no Saeb e a taxa de aprovação, indicador que tem influência na progressão dos estudantes entre etapas/anos na educação básica. Ele tem uma escala que vai de 0 a 10 e é feito a cada dois anos. Em cada edição, uma meta é estabelecida.

O país segue melhorando seu desempenho nos anos iniciais do ensino fundamental, alcançando em 2017, um índice igual a 5,8. A meta proposta foi superada em 0,3 ponto. Oito estados alcançaram um Ideb maior ou igual a 6: Minas Gerais (6,5), São Paulo (6,6), Espírito Santo (6), Ceará (6,2), Paraná (6,5), Santa Catarina (6,5), Goiás (6,1) e Distrito Federal (6,3). Ceará, Alagoas e Piauí apresentaram os maiores crescimentos no período.

Os resultados do Ideb mostram que, apesar de o país ter melhorado seu desempenho nos anos finais do ensino fundamental, alcançando, em 2017, um índice igual a 4,7, a meta proposta, de 5, não foi atingida. Além de não atingir a média prevista, Minas Gerais caiu 0,1 ponto, saindo há dois anos de 4,8 para 4,7, em 2017.

A presidente-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, ressalta que por essas últimas avaliações é possível verificar que em meio ao cenário alarmante se observam reações de algumas redes de ensino e melhoras significativas, até mesmo no ensino médio. “Mas, apesar de ter um dos sistemas de avaliação educacional mais robustos do mundo e de haver redes de ensino consolidando bons resultados, o Brasil ainda não consegue transformar evidências em políticas educacionais de maneira estratégica”, destaca. “O país precisa de um plano estratégico para efetivar mudanças estruturantes na educação básica pública de maneira sistêmica, uma vez que uma única medida, mesmo bem implementada, não consegue promover o salto de qualidade e equidade que precisamos. O Brasil precisa de educação já”, adverte.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação lembrou que, nos anos iniciais, a rede passou de 6,1 (2015) para 6,3 (2017). Nos anos finais, saiu de 4,8 (2015) para 4,9 (2017). “Belo Horizonte apresentou, ainda, o melhor resultado, tanto nos anos iniciais quanto nos finais, entre as capitais do Sudeste”, diz o texto. A rede municipal não oferece ensino médio.

Também por meio de nota, a Secretaria de Estado de Educação afirmou que vem trabalhando para melhorar a qualidade da educação ofertada na rede estadual de ensino em todos os níveis. Entre as medidas planejadas para reduzir as desigualdades e melhorar o aprendizado dos estudantes está o investimento em formação dos professores de matemática e língua portuguesa.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade