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Estado de Minas

MEC diz que casos de hackers que atacaram Sisu serão remetidos à Polícia Federal

Estudantes denunciam na internet ataque de hackers a suas contas no sistema de seleção, troca de senhas e de opções de curso


postado em 01/02/2017 06:00 / atualizado em 01/02/2017 08:07

Manoela Carvalho descobriu na última hora que suas opções de curso haviam sido trocadas de ciências biológicas para educação física e de química para biomedicina(foto: Reprodução da internet)
Manoela Carvalho descobriu na última hora que suas opções de curso haviam sido trocadas de ciências biológicas para educação física e de química para biomedicina (foto: Reprodução da internet)

(foto: Reprodução internet/Facebook)
(foto: Reprodução internet/Facebook)
Estudantes que realizaram o último  Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tiveram um estresse extra no fim da maratona. Hackers trocaram senhas de contas de participantes do teste e do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), mudando os cursos escolhidos por vestibulandos minutos antes do fim do prazo de inscrição, no último domingo, 29. O MEC confirmou que está ciente dos relatos de invasões e investiga os casos com uma equipe de tecnologia da informação, responsável pelo site do Sisu.


A fraude afetou estudantes que disputavam vagas de cursos concorridos e tiveram suas opções modificadas para graduações completamente diferentes das pretendidas. Logo no primeiro dia das inscrições do Sisu, Manoela Carvalho, de 22 anos, escolheu o curso de ciências biológicas, como primeira opção, e química, como segunda, na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Na hora de conferir os resultados, a jovem levou um susto ao ver que, faltando dois minutos para o fim do processo seletivo, haviam mudado seus cursos para educação física em São Luiz, no Maranhão, assinalando que ela era portadora de deficiência física, e biomedicina na Universidade Federal do Pará. “Quando fui acessar o resultado pela primeira vez, dava que minha senha estava incorreta. Então recuperei a senha colocando apenas o CPF, nome da mãe, cidade onde moro e a data de nascimento. O site não tem segurança, não pede confirmação nem nada”, disse Manoela, revoltada.

O estudante de Ribeirão Preto Thales Voltolini, de 21, também teve o curso alterado pelos hackers. A ação dos criminosos foi similar:“Entrei e me inscrevi no primeiro dia. Fui dormir e no dia seguinte já percebi que não estava conseguindo entrar no meu usuário. Inicialmente, achei que era um problema geral no sistema. Mas o transtorno se repetiu por mais dois dias, até que alterei a minha senha e o usuário entrou”, contou. Para a surpresa do jovem, que até então teria se inscrito em medicina na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), teve uma das opções alterada para Universidade Federal de Goiás (UFG), no Campus Jataí, na modalidade cotista.

Fazendo pesquisas na internet, Thales encontrou um grupo fechado no Facebook onde pessoas compartilhavam os dados pessoais dos concorrentes para que os cursos e as senhas fossem alterados. Segundo as informações do jovem, o post era claro: “Vamos gerar um pouco de lulz (sic) nos vestibulandos?”, escreve um jovem. Ao decorrer da postagem, o internauta ensina como consultar os dados e acessá-los. Thales fez uma postagem no Facebook para relatar o problema e percebeu que ele não era o único. “Pessoas de Minas, Piauí e Maranhão. Pelo menos cinco me procuraram”, afirma. No fim, ele se diz menos prejudicado do que outros estudantes, já que sofreu apenas dificuldades para acessar o site. Matriculado em medicina na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e na lista de espera de Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), ele comemora a vitória.

O MEC informou, por meio de nota, ter sido informado apenas por meio da imprensa sobre o problema, que classificou como pontual. Destacou que a senha é “sigilosa e só pode ser alterada pelo candidato ou por alguém que tenha acesso indevidamente” a seus dados, afirmando que “casos individuais que forem identificados e informados como suposta mudança indevida de senha e violação de dados” serão remetidos à Polícia Federal.

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