Publicidade

Estado de Minas

Lideranças religiosas debatem 'ideologia de gênero' durante encontro em BH

Um dos objetivos do encontro é antecipar a discussão sobre o tema na capital, garantindo que educadores não interfiram na orientação sexual dos alunos


postado em 26/07/2015 00:12 / atualizado em 26/07/2015 08:02

Lideranças cristãs se reunirão amanhã em Belo Horizonte para discutir as implicações de as escolas ensinarem que meninos e meninas não têm um sexo definido, no 1º Encontro de Líderes Religiosos em Defesa das Crianças e das Famílias. A chamada “ideologia de gênero” ganhou repercussão no país por causa da votação dos planos municipais de educação. Na capital mineira, as diretrizes que nortearão o ensino público ainda não chegaram à Câmara Municipal e um dos objetivos do encontro é antecipar a discussão, garantindo que educadores não interfiram na orientação sexual dos alunos.

Segundo os críticos da chamada “ideologia de gênero”, essa corrente defende a ausência de sexo biológico e que a pessoa pode escolher entre ser homem ou mulher. “A ideologia de gênero tem o objetivo de esvaziar o conceito jurídico de homem e mulher. Isso não tem qualquer amparo na Constituição”, afirma um dos palestrantes do evento, o diretor da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, Adrian Paz, que também é conselheiro municipal de educação de BH.

Participarão do encontro, organizado pelo grupo nacionalista Patriotas em hotel no Bairro Santo Antônio, o presidente da Pró-Vida e Pró-Família, Hermes Nery, além do fundador do movimento Escola sem Partido, Miguel Nagib. “Queremos capacitar lideranças para que elas debatam o assunto nas igrejas, escolas e tenham condição de se posicionar contra isso. Depois disso, vamos acionar essas lideranças para ir à Câmara e em movimentos”, reforça Paz.

O tema tem sido debatido em todo o país, assim como ocorreu, no ano passado, durante a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) pelo Congresso Nacional. Na época, depois da pressão de segmentos cristãos, parlamentares tiraram do documento trechos que tratavam sobre questões de gênero. Agora, as entidades cristãs voltaram a se manifestar.

CONSEQUÊNCIAS
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) chegou a publicar, no mês passado, carta aberta contra a ideologia. “A introdução dessa ideologia na prática pedagógica das escolas trará consequências desastrosas para a vida das crianças e das famílias”. Também reforça que a ideologia “desconstrói o conceito de família, que tem seu fundamento na união estável entre homem e mulher”.

Em BH, episódio na Unidade Municipal de Educação Infantil (Umei) Santa Branca, em Belo Horizonte, fez o temor em relação à “ideologia de gênero” crescer. Em abril, um menino de 4 anos fez xixi na calça porque não queria ir ao banheiro com as meninas, já que eles estavam sendo usados de forma unissex. A escola justifica que as placas foram retiradas para manutenção. Exercício que pede para a criança pintar “a figura que melhor lhe representa”, com a opção de colorir um menino ou uma menina, também foi alvo de críticas. A Secretaria Municipal de Educação (Smed) garante que não há intenção de introduzir “ideologia de gênero” no ensino público.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade