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Estado de Minas

Alunos da 1ª série escrevem cartas para desejar sorte aos colegas que farão Enem

Ato foi organizado pelo Colégio Loyola, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte


postado em 04/11/2014 06:00 / atualizado em 05/11/2014 17:18

Elisa Quaresma Ragone, que vai concorrer a uma vaga no curso de direito, se emociona com a mensagem de Pedro Antunes (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Elisa Quaresma Ragone, que vai concorrer a uma vaga no curso de direito, se emociona com a mensagem de Pedro Antunes (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)


Nas letras redondas, quase desenhadas em folha pautada, ocupando linha cheia, palavras de boa sorte e encorajamento para enfrentar, sábado e domingo, os desafios do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Desejos de quem apenas começa a dar os primeiros passos na escrita a quem vai se preparar para ganhar o mundo. Às vésperas da avaliação mais importante do país, cartas, algo quase esquecido na era do e-mail, foram o meio escolhido pelas crianças do 1º ano do ensino fundamental do Colégio Loyola, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, para valorizar o esforço e quebrar a ansiedade dos alunos da 3ª série do nível médio. Emoção e carinho estiveram ontem à flor da pele de adolescentes e pequeninos, durante evento surpresa de entrega dos textos.

Eram pouco mais de 15h quando, em filas, as crianças começaram a entrar nas salas do 3º ano. Um bando de pequerruchos tomou conta da frente da lousa, causando um misto de surpresa e incredulidade no rosto dos estudantes. A maioria deles já se conhecia desde o início do ano, quando os alunos do da última série do médio “apadrinharam” as crianças recém-chegadas, numa forma de mostrar que, naquele novo colégio, elas não estariam sozinhas e teriam uma referência. Naquele momento, eles levaram fotos, cadernos e uniformes antigos para mostrar as memórias e trajetória na escola durante os 12 anos de Loyola. Ao longo do ano, os maiores participam ainda de vários eventos do infantil.
As crianças do fundamental entraram na sala dos padrinho, os formandos no ensino médio, para lhes entregar as cartas escritas à mão(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
As crianças do fundamental entraram na sala dos padrinho, os formandos no ensino médio, para lhes entregar as cartas escritas à mão (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

Ontem, os papéis se inverteram e foi a vez da meninada cuidar de seus padrinhos. A professora explica o que está prestes a ocorrer. Identifica os destinatários e, um a um, os pequenos se apresentam para entregar o canudo de papel. Rafaela Fenati, de 6 anos, desejou que seu padrinho tire boa nota no Enem. “Eles já são vitoriosos”, disse.
A cartas, enroladas como pergaminho, continham mensagens de incentivo à turma que vai encarar o Enem(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
A cartas, enroladas como pergaminho, continham mensagens de incentivo à turma que vai encarar o Enem (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

Pedro Antunes Moreira, da mesma idade, fez votos de felicidade e boa sorte a Elisa Quaresma Ragone, de 17, candidata a uma vaga em direito. “Com essa carta, ela vai se sentir bem e fazer uma boa prova”, afirmou. Elisa, que tem outras duas afilhadas, Bárbara Maria da Cunha e Laura Fróes Pereira, também de 6, fez jus ao carinho. Durante todo o ano, foi uma madrinha presente, com visitas frequentes ao prédio das crianças e participação efetiva nas atividades delas. “Achei bacana essa iniciativa. É importante para eles, que se espelham na gente, e para nós que estamos num ano tão estressante.”

CUIDADO
Para a coordenadora do 1º ano do ensino fundamental, Eduarda Quaresma Lannes, a atividade é momento para os estudantes relaxarem. “São duas situações extremas, de muita tensão para os do último ano e de consolidação da escrita para os pequenos. As crianças escrevem cartas para que os maiores guardem a caminhada e os momentos que viveram aqui. Depois de serem acolhidos, é a vez deles de cuidar de quem está saindo. É uma pílula de incentivo para os jovens.”

Da sala de aula, a confraternização foi direto para o pátio, com direito a salgadinhos, doces e sucos. Hora de bate-papo e de brincadeiras entre os dois lados. O estudante Pedro Sartori, de 17, que está de olho numa vaga em engenharia elétrica, ouviu com atenção os conselhos de Ana Laura Batista, de 7: “Ele tem que ficar quieto durante a prova”. Para o jovem, um alívio na tensão nesta reta final: “É muito agradável, principalmente neste momento complicado que enfrentamos”.

Marjorie Vieira, de 18, também candidata a uma cadeira no curso de direito, recebeu o carinho de Ana Luíza Brito Furtado, de 6, e de Clara Siatti, de 7. “É muito boa essa interação com os pequenos, tanto para nós quanto para eles. É um momento para desligar e ficar com criança realmente relaxa.”

Brincar e aliviar


Quebrar um estado de tensão, vinculada ao estudo ininterrupto e a expectativas diversas, às vésperas do Enem. Esse é um dos principais objetivos do encontro dos estudantes do 3º ano do ensino médio com os pequenos do 1º do nível fundamental. À ansiedade, mistura-se o medo e a certeza de que não há mais tempo para aprendizado. “Quando o menino vem com a letra ainda torta, quem recebe a carta vai curtir a imperfeição, o inacabado. Vai pensar: ‘Fiz meu melhor, agora está na hora de desacelerar e ir para a prova”’, diz o coordenador da 3ª série do ensino médio, Carlos Alberto de Freitas Júnior.

Ele afirma que a estratégia foi usada porque, diante do nível de estresse, não haveria resultado se ele ou algum convidado pedisse para os alunos diminuírem o ritmo: “O menino diz: ‘Está na hora de parar. vamos ali brincar comigo?’. A simplicidade da criança consegue esse efeito”’. Carlos Alberto caracteriza a situação como um lapso necessário, em que os estudantes usam uma informação positiva para pensar em outro assunto e, de certa forma, ter uma dose de “irresponsabilidade”, no melhor dos sentidos.

“A ansiedade é natural para quem é responsável. Fazemos isso há cinco anos e vemos o resultado. Além disso, os pequenos não esquecem”. Para ele, a fórmula é simples: “Os grandes ajudaram as crianças a entrar no início do ano. Agora, os pequenos os ajudam a sair”.

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