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Estado de Minas

Confira os temas da atualidade que podem cair no Enem

Redação e prova de ciências humanas vão exigir conhecimento de fatos históricos e efemérides


postado em 14/10/2014 06:00 / atualizado em 14/10/2014 06:40

Clara Prado aconselha dedicação intensa, com intervalo para descanso, e muita atenção durante as aulas(foto: Beto Magalhães/EM/D.A/press)
Clara Prado aconselha dedicação intensa, com intervalo para descanso, e muita atenção durante as aulas (foto: Beto Magalhães/EM/D.A/press)
Acompanhar os acontecimentos na cidade, no país e no mundo pode ajudar o estudante a conquistar uma das sonhadas vagas na universidade. Na sétima matéria sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Estado de Minas foca os temas da atualidade que podem ser abordados nas questões das provas de ciências da natureza, ciências humanas e na redação.
O suicídio do presidente Getúlio Vargas foi tema recorrente nas 14 últimas edições do Enem. “O assunto nunca deixou de ser cobrado. Este ano não deve ser diferente. Em decorrência dos 60 anos do ocorrido, foram lançados um filme e livro sobre Vargas”, pontua o coordenador de história do Colégio Santo Agostinho, Guilherme Batista Amaral. O último livro da trilogia Getúlio, de Lira Neto, saiu pela Companhia das Letras. No cinema, a trajetória do presidente, considerado o pai da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), foi contada pelo diretor João Jardim.

As provas do Enem costumam focar em efemérides. Nessa direção, outra data lembrada este ano são os 50 anos do golpe militar. O contexto histórico de um dos períodos mais importantes da história recente do Brasil é retomado pelas comissões da verdade, que atuam em diferentes âmbitos. Tanto o golpe como o trabalho das comissões podem gerar questões sobre direitos humanos, cidadania e memória. O exame tem um olhar sociológico sobre os assuntos de relevância na política, economia, meio ambiente, entre outros. Também nessa direção podem ser cobradas questões referentes ao racismo e à tortura, que se tornaram crimes inafiançáveis no Brasil com a promulgação da Constituição de 1988.

Não deixe de dar uma olhada em outras efemérides, como o centenário da 1ª Guerra Mundial, iniciada em 1914; os 25 anos da queda do Muro de Berlim, que separou a Alemanha em dois blocos, tornando-se um dos principais símbolos da Guerra Fria; os 20 anos do fim do apartheid na África do Sul e a eleição do líder negro Nelson Mandela, e os 20 anos do Plano Real.
As manifestações ocorridas em mais de 100 cidades brasileiras em junho de 2013, que ficaram conhecidas como Jornadas de Junho, também podem ser abordadas. “É importante se informar sobre como grupo de extremas direita e esquerda se apropriaram dos protestos para defender bandeiras conservadoras”, diz Guilherme. Como derivação desse tema macro podem surgir questões sobre discurso do ódio, preconceitos e anonimato na internet. “As provas costumam ser menos conteudistas e mais interpretativas.” A história torna-se pano de fundo fundamental para interpretar fatos contemporâneos, mas é fundamental contextualizá-los temporalmente.

Para Lucas Sasaki, é importante o candidato identificar as próprias falhas, ao longo da preparação, para corrigi-las a tempo(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
Para Lucas Sasaki, é importante o candidato identificar as próprias falhas, ao longo da preparação, para corrigi-las a tempo (foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
O Marco Civil da Internet, aprovado no Congresso Nacional em 25 de março deste ano, também pode gerar questões. A regulação da rede mundial dos computadores se relaciona com tema de âmbito internacional, a espionagem empreendida pelo governo norte-americano a outros países, inclusive o Brasil. No que se refere às questões externas, os conflitos entre Israel e Palestina têm chances de aparecerer. “Para estar informado sobre atualidades, é preciso se preparar de forma continuada”, diz a professora de história geral e atualidades do Colégio Santo Agostinho Paula Elise Ferreira Soares.

De acordo com os professores de história, como se trata de questões polêmicas, o aluno precisa ficar atento ao enunciado para saber para onde a questão vai. “É importante também ter bom vocabulário, porque o aluno pode saber o que está ocorrendo, mas não entender a questão por causa de uma palavra”, afirma Paula. Na avaliação de Guilherme, apesar de os temas serem polêmicos, é preciso entender sociologicamente os conceitos envolvidos. “O aluno tem de se preparar para identificar valores importantes para a construção da cidadania, como inclusão social, respeito às diferenças e pluralidade étnica.”

ROTINA
A forma de organizar o tempo pode ser o diferencial de quem consegue boas notas do Enem. É no que acredita o aluno do 3º ano do ensino médio do Colégio Santo Agostinho Lukas de Farias Sasaki, de 17 anos, que busca vaga no curso de direito da UFMG. O estudante fez um planejamento para o ano e diariamente planeja a rotina que irá seguir no dia. “É importante estabelecer o que você irá estudar e qual vai ser o foco.” Ele dedica também 30 minutos do dia para a leitura de jornais e revistas.

Outro ponto importante apontado por ele é identificar as próprias fraquezas e tentar superá-las. “Conseguimos evoluir nos estudos quando reconhecemos nossas falhas.” Como as provas são extensas, é preciso também se preparar para fazê-las dentro do tempo exigido. Lukas considera fundamental estabelecer a pontuação necessária em cada uma das provas e tentar superá-la. “É sempre bom dar um gás extra. Se você precisa de 800 na prova de redação, treine para conseguir 900. Procure alcançar a melhor nota possível. Dê o seu melhor.” Ele estuda de três a quatro horas e meia por dia, fora o tempo dedicado ao colégio.

Deixar para estudar na última hora é a pior das estratégias, principalmente para quem sonha com curso concorridos, como o de medicina da UFMG. “Sempre procurei ser boa aluna. Se quiser passar precisa se dedicar sempre. Por isso, vou continuar no ritmo de estudo que tenho desde pequena”, afirma Clara Prado Campos, de 17, do 3º ano do ensino médio do Colégio Santo Agostinho. Além do período dedicado à escola, ela estuda de quatro a seis horas por dia. “Quando tenho aula à tarde, chego em casa tomo, um banho e tento estudar o máximo que puder. Mas é sempre bom fazer intervalos, porque ninguém consegue ficar concentrado todo o tempo.” Outra dica de Clara é ter atenção durante as aulas. Dessa forma, ela consegue manter o equilíbrio entre o tempo dedicado aos estudos e ao lazer. “Você não consegue estudar o tempo todo, mas se não estudar o suficiente não vai passar.”

Depoimento

Paula Barros de Assunção, de 18, um período de medicina na UFMG

“Minha preparação foi por minha conta. Dediquei muito do meu tempo para a redação. Fazia três ou mais por semana. A professora passava os temas da aula e outros. Ela corrigia e, às vezes, mandava para o corretor externo. Se tirasse nota abaixo do que eu esperava, refazia a redação. Estudava todos os dias para não deixar acumular. E deixava o domingo para descanso. Tinha dia em que tinha aula o dia inteiro, então estudava de três a quatro horas. Quando não havia aula à tarde, estudava das 14h às 22h. No colégio, eles não dão moleza para o terceiro ano. Então, estudava muito para as provas. A matéria que eu tinha mais dificuldade era física. Matemática e química eram mais fáceis. No ano em que fiz o Enem, pratiquei esportes até agosto. Malhava e fazia futsal. Para mim fez muita diferença. Larguei o esporte, mas aumentou muito o meu estresse. Não deveria ter largado. No dia do Enem fiquei nervosa. É muito importante manter a calma. Temos que ouvir os professores e fazer muita redação. Redação me ajudou demais.”

DICAS DE PREPARAÇÃO

1 Procure analisar diferentes fontes jornalísticas para ter uma abordagem comparativa dos fatos.

2 Assista e analise filmes com temáticas sociológicas.

3 Faça a revisão do conteúdo por meio da realização de exercícios.

4 Procure conhecer as provas anteriores como forma de treinar e identificar as habilidade exigidas pelos itens do Enem.

 

 

 

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