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Estado de Minas

Suécia está à espera de mais estudantes brasileiros

No topo do índice de desenvolvimento humano, Suécia pretende abrir cerca de 2 mil vagas de graduação, mestrado e doutorado em 26 universidades até o ano que vem


postado em 02/11/2013 06:00 / atualizado em 02/11/2013 07:01

Estocolmo, Lund, Jönköping, Umeå – A Suécia quer encurtar a distância e estimular estudantes brasileiros a atravessarem o Atlântico até chegarem bem perto do Ártico. Um dos parceiros do Ciência sem Fronteiras (CsF), programa do governo federal, o país nórdico está de portas abertas para oferecer até o ano que vem cerca de 2 mil vagas em 26 universidades. E adianta: a língua está longe de ser um entrave. Apesar de não ser o idioma oficial da Suécia, quase 90% da população fala inglês fluentemente. O país é um dos  têm a maior oferta de cursos de graduação, mestrado e doutorado em inglês entre os de língua não inglesa.


Com 9 milhões de habitantes, a Suécia está no topo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e pretende estreitar laços com os países em desenvolvimento. “O Brasil tem uma economia em crescimento e está se tornando cada vez mais importante. O intercâmbio é uma forma de cooperação”, avalia Niklas Tranaeus, gerente de marketing do Swedish Institute, agência pública que promove o país no exterior. Apesar dos esforços, apenas 147 estudantes brasileiros participantes do CsF foram para a Suécia, na 16ª posição no ranking de países mais procurados do programa.

“O país ainda não é um destino de educação conhecido. Aqui, os estudantes podem encontrar um ambiente de estímulo à criatividade, inovação, autonomia, num clima bastante informal”, afirma Tranaeus. Embora ainda desconhecidas pelos brasileiros, as universidades suecas estão entre as melhores do mundo e têm como meta aumentar o número de estrangeiros.

“É fundamental a interação com outros países. Queremos atrair bons estudantes e temos a responsabilidade de espalhar conhecimento pelo mundo”, ressalta Jan-Olov Höög, professor do Karolinska Institutet, em Estocolmo, uma das mais renomadas universidades na área de saúde do mundo, responsável pelo anúncio do Prêmio Nobel de Medicina. O intercâmbio pelo CsF inclui bolsa mensal de 870 euros, além de seguro-saúde, auxílio-instalação e material didático.

Pernambucana Madyana Torres faz design gráfico na Umea University e considera o laboratório excelente(foto: FLÁVIA AYER/EM/D.A PRESS)
Pernambucana Madyana Torres faz design gráfico na Umea University e considera o laboratório excelente (foto: FLÁVIA AYER/EM/D.A PRESS)
Há pouco mais de três meses a pernambucana Madyana Torres, de 22 anos, aluna de design gráfico da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), começou o intercâmbio na Universidade de Umeå, no Norte da Suécia, e nem o fato de ter quebrado a perna ao cair de bicicleta tirou o entusiasmo. A cada dia, ela se depara com  uma estrutura bem diferente das universidades brasileiras.

Na faculdade de design, Madyana compartilha escritório com outros estudantes, com tempo e espaço de sobra para desenvolver seus projetos: “Na universidade, trabalhamos em projetos com grandes companhias como BMW e Samsung. Também tenho excelente estrutura de laboratório disponível 24 horas por dia”, explica a estudante, para quem a língua não é uma dificuldade: “Aqui todo mundo fala inglês”.

OUTRA REALIDADE

 

Paulista Estela Santana estuda robótica e está impressionada com Umea e a qualidade de vida na Suécia(foto: FLÁVIA AYER/EM/D.A PRESS)
Paulista Estela Santana estuda robótica e está impressionada com Umea e a qualidade de vida na Suécia (foto: FLÁVIA AYER/EM/D.A PRESS)
Aluna de engenharia mecatrônica da Escola de Engenharia Mauá, em São Caetano do Sul (SP), Estela Santana, de 21, também está em lua-de-mel com a Suécia. Ela estuda robótica na Universidade de Umeå e, além do conhecimento acadêmico, vive uma realidade bastante diferente. No Brasil, ela trabalhava num empresa sueca e não teve dúvida de que o país seria boa opção. “Aqui não tem trânsito ruim, os carros param para você na rua, os ônibus têm espaço e as bicicletas são opção de transporte”, afirma, animada.

A organização e a qualidade de vida que o país oferece, como educação gratuita universal, saúde e igualdade social, são impressionantes. Ainda no início de sua jornada na Suécia, Estela pretende aprender dentro e fora da sala de aula. “Quero experimentar ao máximo. Essa experiência vai fazer muita diferença no meu currículo”, disse.

O maior desafio é o inverno rigoroso do Norte, com pouca luz solar e temperaturas negativas. Para isso, ela está de equipando: “Aqui é uma cidade de alto custo e, por isso, recebemos 1.270 euros por mês de auxílio. Aproveitei e comprei um casaco reforçado”.

Incentivado pela irmã, que já morou na Suécia, Fernando Biberg, estudante de engenharia civil da Universidade Anhamguera-Uniderp, em Campo Grande (MS), elegeu a Universidade de Jönköping, como destino para fazer a graduação-sanduíche. Durante um ano, ele se dedicará ao curso de desenvolvimento de produtos e materiais e, além das aulas, pretende conseguir logo um estágio. Há três meses no país, ele está empenhado em aprender sueco. “As aulas são em inglês, mas acho que aprender um terceiro idioma será um diferencial”, disse. A estrutura da instituição de ensino não deixa dúvida de que ele realmente está num país desenvolvido. “A biblioteca disponibiliza quase todos os arquivos em versões virtuais. Tudo é muito organizado e eles valorizam muito a igualdade”, destacou o brasileiro.

*A repórter viajou a convite do Swedish Institute (Instituto Sueco)

 

 

ENSINO DE EXCELÊNCIA

Principais universidades da Suécia

Stockholm University

Com 60 mil alunos, é uma das maiores do país e está entre as 100 melhores instituições de ensino superior do mundo, prezando pelo estímulo à criatividade e à inovação. Cercado de verde, o câmpus, em Estocolmo, tem ambiente agradável de estudo. A internacionalização está estampada nos acordos de intercâmbio com 500 universidades em 60 países e a presença de 1,5 mil  estudantes estrangeiros em 2012.

Karolinska Institutet

É a mais conceituada universidade sueca na área de saúde e realiza 40% das pesquisas médicas do país. Os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina são escolhidos por assembleia composta por 54 professores da instituição. O instituto fica em Estocolmo e acaba de inaugurar nova sede, edifício modernista de última geração. Em 2017 pretende inaugurar o novo hospital reunindo todas as especialidades médicas.


Jönköping University

Dos 10 mil alunos, cerca de 1,5 mil são estrangeiros. Situada em Jönköping, no Sul do país, tem cursos de administração e negócios como carro-chefe, já que o estímulo ao empreendedorismo é uma de suas marcas. A atuação dos alunos no mercado de trabalho é estimulada por parceria com 800 empresas. É uma das poucas universidades privadas do país, o que, na prática, tem pouco impacto, já que o país arca com a educação de todos, mesmo em instituições particulares.

Lund University

Na charmosa cidade de Lund, no Sul, fica a universidade mais antiga do país, fundada em 1666. São 47 mil alunos (6 mil estrangeiros). Está entre as 100 melhores universidades do mundo, com mais de 100 programas de mestrado, cinco de graduação e 500 disciplinas isoladas, ministradas em inglês. A instituição investe R$ 1,5 bilhão por ano em pesquisas. Em Lund, foram feitas descobertas célebres, como  o sistema bluetooth e o exame de ultrassom. Uma vantagem da instituição é o clima: em Lund, o inverno não é tão rigoroso como no restante da Suécia. A temperatura vai de 5 graus negativos a  3 positivos.

Umeå University

Situada em Umeå, no Norte da Suécia, eleita a capital europeia da cultura em 2014, com 117 mil habitantes. Oferece cursos em áreas diversas, mas se destaca em design, arquitetura e meio ambiente. São 34 mil estudantes de 40 países e 19 centros de pesquisa. Em outubro, a faculdade de design conquistou pelo segundo ano consecutivo o primeiro lugar no ranking Red Dot Design, um dos mais prestigiados do setor. Mais de 500 disciplinas e 30 cursos são ministrados em inglês.


Finalistas de minas

Dois estudantes de instituições mineiras de ensino superior estão na final da disputa por duas bolsas de estudos e estágio remunerado nas universidades de Chalmers or Linköpings University, na Suécia. Rodrigo Barbosa Lima, do Centro Universitário de Itajubá, e Igor Assis, da UFMG, concorrem ao prêmio, que será anunciado no dia 11, em São Paulo. Eles passaram por maratona de testes de conhecimento, com ênfase em inovação. O desafio é promovido pela Student Competitions para estudantes do último ano de engenharia, arquitetura e ciências naturais ou jovens profissionais dessas áreas.


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