O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) faz história não apenas em nível nacional. Na 15ª edição da avaliação, as unidades da federação também veem recordes serem batidos. Em Minas, o total de candidatos superou em um terço o de 2012. O Ministério da Educação (MEC) registrou 870.782 participantes, contra 653.074 em 2012 – um aumento de 33,33%. A adesão da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) explica parte desse fenômeno. No ranking, o estado fica atrás apenas de São Paulo, onde houve 1,23 milhão de inscritos. Em todo o país, 7.834.024 estudantes se registraram para participar da maratona de provas que ocorrerá em 26 e 27 de outubro.
Os números finais do Enem superaram em 1,7 milhão de candidatos a expectativa do próprio Ministério da Educação, que contava alcançar cerca de 6,1 milhões de participantes. A diferença entre o esperado e o real é igual à quantidade de pessoas que se registraram no sistema apenas no último dia, anteontem. O site do Enem chegou a contabilizar 3 mil inscrições por minuto e 120 mil por hora. Nas últimas horas do prazo, foram 1 milhão de inscrições. Quando considerados apenas os adolescentes que vão concluir a etapa final da educação básica, os números também são altos e se aproximam do total de estudantes nesse nível acadêmico identificados pelo Censo escolar. De acordo com o ministro, 5,4 milhões de alunos do ensino médio regular estão inscritos no exame. “O Enem virou quase um objetivo universal dos estudantes do ensino médio no Brasil”, afirmou Mercadante.
Apesar do recorde de interessados, é bom correr para pagar a taxa de R$ 35, nas agências do Banco do Brasil. O prazo termina hoje. Sem ele, a inscrição não é validada. Até ontem, de acordo com o ministro, 2 milhões de inscritos ainda não haviam efetuado o pagamento. Estão isentos os estudantes de escola pública que vão terminar o ensino médio este ano e o participante com renda familiar per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo. As provas serão aplicadas nos dias 26 e 27 de outubro.
No último dia de funcionamento do sistema do Enem, a página sofreu dois ataques de hackers, mas o processo não foi prejudicado, segundo o MEC. A pasta negou relação entre as invasões, caracterizadas como tendo sido de “pequeno e médio porte” com o erro apresentado na madrugada de segunda-feira, quando a frase “inscrições encerradas” apareceu na página do Enem. Mercadante garantiu que os hackers não prejudicaram o sistema.
Preparação
Aluna do Colégio Loyola, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, Celina Cenni de Castro Magalhães, de 17 anos, candidata a uma vaga no curso de geologia, atribui a explosão do número de candidatos à adesão não apenas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), como de outras instituições de peso. Este ano, engrossaram a lista as universidades de Brasília (UnB), Federal de Juiz de For a (UFJF) e da Bahia (UFBA), entre outras. Para ela, há prós e contras nesse processo. “Para mim, melhor seria continuar com o modelo antigo de vestibular, no qual cada universidade pode escolher o perfil ideal de alunos para estudar. Já o lado bom é a maior integração do país e a mobilidade dos estudantes”, disse.
E, para enfrentar tanta concorrência, Celina estuda em tempo integral na escola, além de fazer um cursinho especial para redação, uma vez por semana. Segundo ela, em meio a tantos compromissos, administrar o tempo é fundamental. Por isso, a garota presta atenção ao máximo em sala de aula para se dedicar em casa apenas às tarefas, sem precisar fazer muitas revisões. Diferentemente de dois anos atrás, quando fez o Enem como treineira, ela se sente muito mais segura e preparada. “Não tenho medo da prova. Estou é ansiosa para chegar logo o dia e acabar logo com isso”, afirmou.
Entre as melhores
A UFMG é uma das 10 melhores da América Latina, segundo o novo ranking QS University, divulgado ontem. A Universidade de São Paulo (USP) ficou em primeiro lugar pelo terceiro ano consecutivo; a Estadual de Campinas (Unicamp), em terceiro; e a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na oitava posição. Entre as 300 universidades analisadas, o Brasil tem 81 representantes. O ranking se baseia em sete critérios que avaliam a qualidade da pesquisa, empregabilidade dos formandos, recursos de ensino e presença na internet. Para o diretor da QS, Nunzio Quacquarelli, embora o Brasil domine em nível regional, no contexto global apenas 12 universidades brasileiras estão classificadas no ranking mundial. Entre os países do Bric, o Brasil fica abaixo da China, com 23 universidades, e da Rússia, com 14, mas acima da Índia, com 11”.
