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Estado de Minas

Tecnologia permite aprender novas línguas sem cruzar a fronteira

Com aprimoramento de tecnologias, estudantes conseguem fluência e domínio de idiomas estrangeiros sem necessidade de intercâmbio. Aprendizado inclui oratória e competição


postado em 05/07/2011 06:00 / atualizado em 05/07/2011 07:26

Henrique Mendes de Vargas, de 19 anos, nunca morou fora do Brasil, mas fala e escreve fluentemente em inglês:
Henrique Mendes de Vargas, de 19 anos, nunca morou fora do Brasil, mas fala e escreve fluentemente em inglês: "Para mim, é um exercício diário" (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Viajar nem sempre é preciso. Estudantes de Belo Horizonte demonstram que é possível ter fluência e bom domínio de idiomas estrangeiros sem cruzar oceanos em grandes viagens ou fazer intercâmbios em outros países. Com muito estudo e dedicação, jovens dão provas de que o inglês, o espanhol e o francês, entre outros, podem estar na ponta da língua, com um vocabulário rico e muita desenvoltura, mesmo sem a imersão numa outra cultura. O segredo do sucesso está nas tecnologias, capazes de trazer o mundo para dentro da sala de aula, e nas ferramentas usadas nas escolas para incentivar o contato dos alunos com as línguas.

Nessa lista dos estímulos para enriquecer vocabulário e conversação e apurar os ouvidos dos estudantes, estão concursos de oratória, competições de idiomas envolvendo mais de 50 países e cursos com foco no interesse do aluno, como teatro, gastronomia e artes plásticas. Para impulsionar ainda mais o aprendizado, entram em cena modernos acessórios, como o E-board, uma lousa interativa com acesso à internet e recursos visuais; e programas de computador especiais para chats de texto e voz, gramáticas virtuais e amplo acesso a jogos, música, artigos e notícias internacionais.

O estudante de direito Henrique Mendes de Vargas, de 19 anos, é um exemplo dessa geração que, apesar de nunca ter morado fora do Brasil, considera o inglês quase a sua língua-pátria. “Começo meu dia praticando o idioma, pois os menus do celular e do computador estão em inglês. Assino revistas americanas e, diariamente, acompanho notícias em sites internacionais. Também tenho um grupo de amigos e, entre nós, só conversamos em inglês. Para mim, o inglês é um exercício diário”, conta Henrique.

No mês passado, ele venceu uma das etapas do Public Speaking, concurso de oratória promovido por um órgão filantrópico inglês em 54 países. Só em Belo Horizonte, ele disputou com 12 mil colegas da Cultura Inglesa, escola que frequenta desde os 11 anos. “Com base num tema geral, tive de preparar um texto e apresentá-lo aos jurados, que avaliam fluência, gramática, vocabulário, desenvoltura e habilidade para prender a atenção do público. Foi um grande desafio e, depois de vencer, fui disputar uma etapa em São Paulo”, afirma Henrique, que também é mágico e usou um número de magia para entreter a plateia.

Com tantos incentivos e ferramentas, especialistas em línguas arriscam dizer que o intercâmbio não é mais essencial para quem busca fluência e bom domínio da língua. Apesar de continuar sendo importante e rico do ponto de vista cultural e do aprendizado, esse modelo de viagem não é mais considerado vital. “O avanço da tecnologia é decisivo nesse processo, pois hoje há ferramentas para mostrar o mundo, em tempo real, dentro da sala de aula. Além disso, o ensino não está mais engessado em livros e as inovações são assimiladas imediatamente. Por isso, os alunos podem acompanhar a língua viva e dinâmica das ruas de Nova York ou Londres sem sair do Brasil”, afirma a coordenadora pedagógica da Cultura Inglesa em BH, Ana Lúcia Marques.

Aulas temáticas

Aprender espanhol em aulas de gastronomia, pilates, teatro, dança ou cinema. Essa é a grande aposta de alunos interessados em dominar o idioma e mergulhar na cultura de outros países. Em Belo Horizonte, cursos voltados para o interesse dos estudantes ganham cada vez mais adeptos no Instituto Cervantes, que alia aulas regulares a conteúdos especiais. A fisioterapeuta Vanessa Almeida, de 36, é uma das que investem na língua integrada à sua paixão: a culinária.

“O curso de gastronomia é uma maneira prazerosa de aprender. Os dois professores são espanhóis e, durante as aulas, tenho a impressão de estar sentada na cozinha de uma tradicional família da Espanha, ouvindo casos de como as mães e avós faziam aquelas receitas. As aulas têm uma grande riqueza cultural, onde há uma interessante troca de experiências”, diz Vanessa, que começou a estudar o idioma de olho na possibilidade de fazer doutorado numa universidade de Sevilha, na Espanha.

Para o diretor acadêmico do Cervantes, Pedro Navarro, os cursos são uma forma de imersão linguística. “Desenvolvemos todas as habilidades da língua, como escrever e compreender textos falados e escritos. Mas, nos cursos especiais, isso é feito a partir de um conteúdo determinado, de interesse do aluno. Com isso, o estudante vivencia o espanhol e tem uma outra dimensão cultural e do idioma. Os alunos têm as aulas teóricas e desenvolvem atividades na língua, o que enriquece o aprendizado”, explica Pedro.


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