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Estado de Minas

Goleiro Bruno começa a dar aulas de futebol para crianças e adolescentes em Varginha

Benefício foi concedido na última quarta-feira e permite que o goleiro fique fora do presídio durante o dia. Atividade possibilitará redução de pena


postado em 07/08/2017 15:10 / atualizado em 07/08/2017 22:29

Goleiro deu aula para crianças na parte da manhã e a tarde(foto: Reprodução/TV Alterosa)
Goleiro deu aula para crianças na parte da manhã e a tarde (foto: Reprodução/TV Alterosa)

O goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza começou a dar aulas de futebol para crianças e adolescentes na manhã desta segunda-feira no Núcleo de Capacitação para Paz (Nucap), em Varginha, no Sul de Minas. O benefício foi concedido ao goleiro na última quarta-feira (2), pelo juiz da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Varginha. Bruno Fernandes chegou ao Nucap por volta de 6h30 desta segunda-feira e permaneceria na unidade até as 17h.

O goleiro já deu aulas durante a manhã e à tarde para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Aproximadamente 10 alunos participaram das atividades, três deles usando camisas do Flamengo, último time em que Bruno atuou antes do caso envolvendo a morte de Eliza Samudio. “As crianças ficaram muito animadas com a presença do Bruno. Elas não têm a dimensão de que ele cometeu um crime muito grave, mas tentamos trabalhar a parte positiva da história desses presos. No caso do Bruno, é a mesma coisa”, explicou a coordenadora do Nucap, Ânglea Mara Toledo.

Segundo ela, o núcleo recebeu sete presos em ressocialização nesta segunda-feira. Entre eles, o goleiro Bruno. “O Bruno passa e o Nucap fica. Usamos as partes positivas dos presos para inspirar as crianças. Além das aulas, Bruno vai ajudar na limpeza, na cozinha e em outros serviços no local”, afirma.

A Secretaria de Administração Prisional de Minas Gerais (Seap) confirmou a saída do goleiro do Presídio de Varginha. Conforme previsto no regime fechado, no qual o goleiro está inserido, Bruno deixou o local com uma equipe do Nucap.



Redução da pena

 

A autorização externa de trabalho no Nucap, além de contribuir para a ressocialização, também vai contar para remição da sentença. A cada três meses, a entidade terá que encaminhar controle de frequência e listagem de atividades desenvolvidas pelo goleiro, comunicando à Justiça qualquer irregularidade. O presídio também deverá remeter à 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Varginha as informações sobre o réu em relação à disciplina.

O Nucap atende reeducandos e suas famílias, além de egressos do sistema prisional. A instituição apoia a reinserção social e a recuperação dos condenados, de forma a contribuir para a redução da reincidência no crime. Cerca de 60 crianças, filhos de condenados e de egressos, são atendidas. No local, elas recebem alimentação e reforço escolar. Também participam de atividades como natação e futebol, além de atendimento psicológico e assistência social.

Segundo o despacho do juiz, o goleiro tem bom comportamento e não apresenta alteração psicopatológica. “O reeducando deve se inserir em atividades laborativas com o fito de recuperação de sua dignidade”, diz o documento.

Em 8 de março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão, dos quais 17 anos e seis meses em regime fechado, por homicídio triplamente qualificado. O goleiro havia deixado a cadeia em 24 de fevereiro, depois que o ministro Marco Aurélio deferiu um pedido de soltura feito pela defesa.

Pouco depois, assinou contrato com o Boa Esporte, de Varginha, no Sul de Minas, em uma negociação cercada de polêmica, que levou ao afastamento de todos os patrocinadores do clube. Bruno ficou preso por seis anos e sete meses, desde julho de 2010, inicialmente por medida cautelar e depois preventiva, após ser apontado como mandante do sequestro, cárcere privado e morte de Eliza Samudio, em junho daquele ano.

Em 25 de abril, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu revogar a soltura do atleta concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello. No mesmo dia ele se entregou em uma delegacia de Varginha, mas foi liberado por não ter nenhum mandado de prisão expedido. Dois dias depois, quando o documento já havia sido expedido, ele voltou a se entregar na Delegacia Regional da cidade.


(Com informações de Sander Kelsen/ Tv Alterosa Varginha.)

 

(RG) 

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