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Estado de Minas

Crônica: 'Tchau, Bruno!'


postado em 06/03/2013 07:11 / atualizado em 06/03/2013 07:24

“Tchau, Bruno!”

Guardem bem a frase acima, entre aspas. Parece fofa, mas nem tudo debaixo da lona imaginária é o que parece ser, ou é para rir ou chorar. Guardem bem, para entender a última frase deste texto, que virá também entre aspas. Não se comovam já. A frase acima, entre aspas, é da lavra de Célia, irmã do estranhamente falecido Sérgio, outro personagem dessa trama. Célia, ou Celião, apelido dado por Dayanne, é prima de Bruno e de tudo o que ocorria no sítio do goleiro, em Esmeraldas. Prima da casa, da piscina, da churrasqueira, do fogão. Celião viu Eliza no sítio. Disse que a mãe de Bruninho estava bem. Só faltou dizer “esbanjando saúde”. Estiveram pertinho uma da outra no fogão, no dia em que Dayanne cismou de comer frango com quiabo.


“A Eliza se ofereceu para fazer a polenta, que, para nós, é angu. Até ensinou como fazia”, contou Celião ao advogado Tiago Lenoir, o Twiteiro, fiel escudeiro de Lúcio Adolfo, o defensor do Bruno. Mas, como Celião tem memória curta, não se lembra com qual das mãos Eliza manejou a colher para mexer a panela. Angu, se não mexer, embola. Quer um palpite? Embolou. A mãe do Bruninho devia ser péssima na cozinha. Vejam bem o angu de caroço que ela deixou para o Bruno. Celião disse que Eliza, quando deixou o sítio com Macarrão e o Jorge, também primo do Bruno, para nunca mais ser vista, acenou de dentro do carro para o goleiro e disse: “Tchau, Bruno!”

O Twiteiro, emocionado com seus 15 minutos de fama no plenário, correu para o abraço. Sentou-se diante da galera da imprensa e, adivinhem? Twitou! Tirou o celular do bolso e meteu o dedão nas teclas. Gente, ninguém mais manobra o dedão da mão direita com tanta maestria. O cara é fera. Sabem o que ele twitou? “A única testemunha presencial do caso (a Celião) está sendo ouvida agora no plenário.”

Enquanto o Twiteiro twitava, Ércio, o de sobrenome da temporada, advogado do Bola, a ser julgado em abril, andava de lá para cá no salão do júri, interpelando, de vez em quando, a juíza Marixa sobre questões pertinentes a seu cliente. Gente do céu, como o comportamento do advogado incomoda a magistrada! Quisera saber escrever para descrever como ela o olha de forma quase imperceptível. Se fosse poeta, escreveria, sem dúvida do plágio, que o olhar da juíza “corta feito faca”.

Já que se fala do Twiteiro, deve-se falar também do chefe dele, o Lúcio Adolfo. O doutor Adolfo cultiva uma franja, que o povo do Vale do Jequitinhonha chama de pastinha. Ele acha que as repórteres são alucinadas com a pastinha, que cobre toda a sua testa. O doutor Adolfo entrava todo pimpão no fórum, empinando a franjinha. Sabem o que aquele cara supostamente crucificado em protesto pela morte da mãe de Bruninho perguntou? “E aí, doutor, cadê a Eliza?” Sabem o que o doutor Adolfo respondeu? “Vá trabalhar!” Que indelicadeza, doutor. O cara já carrega uma cruz e o senhor quer arrumar outra para ele?

Sobre a frase lá de cima, vamos à de baixo. Celião disse que Bruno, em resposta ao tchau de Eliza, recomendou:

– “Vai com Deus!”

Acredite se quiser!

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