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Estado de Minas EMPREGO

Profissional sem vínculo empregatício: caminho sem volta no mercado de trabalho

De um lado, trabalhadores temporários e sem carteira assinada, do outro, empresas que contratam mão de obra independente para serviços pontuais. Como sobreviver?


postado em 08/03/2018 12:45 / atualizado em 08/03/2018 14:49

 

(foto: Vassilis Kokkinidis/Freeimages)
(foto: Vassilis Kokkinidis/Freeimages)

Que tipo de trabalhador você é? Ou melhor, como é denominado? É um gig work? Está inserido na gig economy? Para quem não está familiarizado com os termos, significa que faz parte da força de trabalho que é freelancer, faz bico, é autônomo, independente, intermediário on-line (Upwork, Airbnb, Uber, TaskRabbit ou Freelancer.com) e sobrevive numa economia em que posições temporárias são comuns para organizações que contratam trabalhadores independentes para compromissos de curto prazo. Essa é cada vez mais a realidade do mercado, que não tem nada de cenário futuro, mas já bem real e presente!

E ocorre no mundo inteiro. Um estudo da Intuit prevê que, até 2020, 43% dos trabalhadores americanos serão contratados independentes, como revelou o presidente da empresa, Brad Smith. Movimento impulsionado, entre tantas forças (destruição de postos de trabalho), pela era digital, onde o trabalho é cada vez mais móvel. A equação é o trabalhador podendo selecionar entre empregos e projetos temporários em todo o mundo e, em contrapartida, o empregador também escolhendo os melhores profissionais para suas demandas específicas e pontuais.

Isso é bom ou ruim? Quais os ganhos? E as perdas? Como vivemos o processo de mudança, não há um mercado solidificado, certamente há quem será favorecido e outra parcela que sairá prejudicada por não estar inserida nas novas práticas de trabalho globalizado. Mas essa nova forma de trabalhar é uma realidade e cada vez mais ocupações de curta duração prevalecem. Ainda mais quando, em novo dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), revelado na última quarta-feira, constata-se que no Brasil há 12,7 milhões de pessoas desempregadas (os contabilizados, o número real certamente é maior!).

Então, fazer bico, ter outra fonte de renda é realidade que será cada vez mais comum na vida de todos os trabalhadores. Até o ator Mário Gomes, de 65 anos, com mais de 30 novelas no currículo, sucessos como Guerra dos sexos e Vereda tropical, ambos na Globo, investe no empreendedorismo. Ele projetou uma carrinho/carrocinha e está vendendo hambúrguer na praia da Joatinga, no Rio de Janeiro. Conforme o ator, uma experiência de mercado que pode caminhar para um food truck e evoluir para uma rede de franquia no futuro. Enquanto não está na TV ou teatro, Mário Gomes testa um negócio que pode dar certo. É estimulante saber que o ator não se sentiu intimidado, privado ou envergonhado de buscar uma alternativa. Trabalho é trabalho. É digno. A também atriz Narjara Tureta viveu situação parecida ao ter de vender coco numa praia carioca nos 2000. Ela estava sem contrato na TV e esse bico a fez driblar a crise financeira.

IMPULSO 

 

Erika Nahass, professora de gestão de pessoas da FGV/Faculdade IBS, alerta que o cartão de visita é essencial, ainda que seja uma mídia analógica(foto: Arquivo Pessoal)
Erika Nahass, professora de gestão de pessoas da FGV/Faculdade IBS, alerta que o cartão de visita é essencial, ainda que seja uma mídia analógica (foto: Arquivo Pessoal)
Especialista em empreendedorismo e em carreiras, Erika Nahass, professora de gestão de pessoas da FGV/Faculdade IBS, alerta que a nova lei trabalhista vai incentivar e impulsionar esse hábito no Brasil, legitimando-o. Para se inserir, o primeiro passo é se preocupar “em ter sempre à mão um cartão de visita. Isso mesmo. Para não perder oportunidade. É uma mídia antiga, analógica, mas que é importante no mundo do trabalho e funciona. É uma postura necessária porque, muitas vezes, o contato íntimo de pedir às pessoas para gravar seu celular e WhastApp pode ser inconveniente num primeiro momento neste contexto face a face. Com o cartão, ele pode anotar depois e descartar o cartão”.


No entanto, Erika Nahass ressalta que não existe cartão de visita que supere “a postura profissional, a entrega de um bom trabalho, com esmero, a comunicação com palavras corretas, vestimenta adequada, enfim, um pacote de eficiência para que o trabalhador autônomo conquiste longevidade e que a oportunidade profissional seja perene”. Outro ponto fundamental, de acordo com a especialista, é o que ela chama de “eco da indicação, ou seja, para quem atua como freelancer ou faz bico o marketing boca a boca gera conforto e fica memorável ao alimentar a fervura de indicações. A postura seja pela CLT formal ou freelancer é o registro de memória. A contratação virá se o empregador gostar do serviço, pela postura perene e credibilidade.”

Esforço diário e quase hérculo


A precificação do trabalho é outra preocupação que o profissional sem carteira precisa ter e cuidar. Para Erika Nahass, “o primeiro passo é sondar e investigar o mercado sobre valores e saber para quem está prestando serviço, ou seja, é preciso contemporizar para quem vai executar o trabalho (o valor cobrado para um shopping não será o mesmo para um restaurante de bairro) e fazer pesquisa de mercado”.

Questão relevante nesse cenário é os profissionais se assumirem como gestores. Erika Nahass chama de “alto empoderamento, quer dizer, admitir que está dentro desse mercado, assimilar o trabalho, apropriar da nova carreira e se vender, ecoar sua imagem. Não é fácil, é preciso autonomia de reflexão e criar maturidade na relação social. É se tornar um autocoaching”.

E para ter sucesso sem a segurança de uma organização por trás, Erika Nahass avisa que “a empregabilidade está relacionada a quanto o profissional está disponível em arriscar. É preciso saber que o esforço será sempre maior. É uma vida de riscos e de agilidade. A CLT é mais confortável. Ser independente, autônomo, freelancer, viver de bicos (seja qual for a nomenclatura), digo sempre que depende de quanto seu espírito é construído. Há passarinho de gaiola e passarinho de floresta. O da gaiola vai criar empecilhos e sentir mais dificuldades. O trabalho livre e autônomo é um esforço diário. No entanto, é bom se adaptar o quanto antes porque o cenário é irreversível. Fluir no modelo de bico já é presente. As novas regras do jogo estão aí, já sendo jogadas”. 

Saiba mais

Chance de uma renda extra

Bicos (www.bicos.com.br) é uma plataforma digital que tem como objetivo facilitar a vida de quem busca mão de obra qualificada para serviços domésticos de maneira simples, rápida e fácil. Para os trabalhadores, é a chance de uma renda extra, uma oportunidade de aumentar os ganhos trabalhando onde, como e quando quiser. Na página do site, eles dizem ter o cadastro dos melhores profissionais e qualificados para prestar serviço dos mais variados: carpinteiro, conserto de eletrodomésticos, eletricista, encanador, marceneiro, pintor, aulas de dança, idioma e música, personal trainer, carreto, motorista, motoboy, animação de festas, DJ, garçom, fotógrafo, manicure, maquiador, massagens e terapias, esteticista, chaveiro, jardineiro, personal organizer, técnico de informática, personal stylist... O cliente que acessa negocia diretamente com o prestador de serviço, sem cobrança de taxa ou intermediação.

 
 Com propóstito e sem relógio!

 

Júlia Ramalho, da Estação do Saber, ressalta o valor do gig work, o futuro do trabalho. Ser independente é o caminho(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Júlia Ramalho, da Estação do Saber, ressalta o valor do gig work, o futuro do trabalho. Ser independente é o caminho (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
 

 

Atribuía-se o termo “gig” aos músicos de jazz que nos anos 1920 saltavam de bar em bar nas ruas de Chicago à procura de trabalho. Salte para o século 21, ano 2017, e inclua em seu vocabulário os termos gig work e gig economy ou freelance economy, que significam o novo mercado de trabalho que passa a lidar com trabalhadores temporários de vários segmentos e sem vínculo empregatício de um lado, e empregadores que contratam profissionais independentes do outro. E não pensem que isso é o futuro, já é realidade! Nascidos da era digital, o modelo é simples: entrega serviço, recebe a remuneração. Fim de contrato. É a empregabilidade desse tempo. Veja como encará-la, o que saber, como se preparar, para onde ir, conforme Júlia Ramalho Pinto, mestre em administração de empresas, psicóloga, orientadora de carreira e gestora da Estação do Saber. “Gig work nada mais é que, em linguagem popular, o famoso ‘bico’ potencializado com a evolução da tecnologia.”

O futuro da maioria dos profissionais será lidar com o "bico", ser um freelancer, um profissional autônomo, sem vínculo empregatício?
O gig work não só é uma necessidade das organizações, como também um anseio de muitos trabalhadores. Aliado a isso, temos uma sociedade cada vez mais digital e com tecnologias que permitem mais o trabalho remoto. Por isso, acredito que ele vá se tornar cada dia mais o padrão dos trabalhos. As empresas querem flexibilidade para contratar as melhores pessoas onde quer que elas estejam. Além disso, querem entregas da melhor forma, não se importando onde as pessoas estão. Já os trabalhadores que estão chegando no mercado e alguns mais maduros querem um trabalho no qual possam conciliar o trabalho e a vida pessoal. Uma demanda colocada pelas pessoas em pesquisa e que escuto no consultório é a vontade de ter tempo para se dedicar a outras atividades. É nesse sentido que o gig work é um bico. O seu tempo não é alocado apenas em um trabalho, mas há uma infinidade de trabalhos que se possa fazer e com enfoques que podem ser completamente diferentes. Você pode estar atendendo a uma empresa dos EUA na parte da manhã, no início da tarde pegando ondas na praia e à noite ensaiando para uma peça de teatro. No dia seguinte, pode ter que trabalhar 16 horas em um projeto na sua comunidade e por aí vai. Quem disse que temos que trabalhar de segunda a sexta, das 9h às 18h? As empresas querem entregas de trabalho com eficiência, eficácia e qualidade. As pessoas querem viver uma vida com mais propósito, querem ver sentido no que fazem, querem ter mais experiências na vida. E isso não é o relógio que dita e nem tem como fazê-lo estando num único local de trabalho. Haverá os trabalhos de vínculo empregatício, mas o gig work tende a ser o futuro de muitos e muitos profissionais, penso.

Como o profissional deve proceder diante deste novo mercado? Comportamento, ações...
É o mais desafiador: fazer a passagem!. Sair do mundo estruturado de uma organização e ter auto-organização do tempo, gestão de presença on-line, capacidade de comunicação de seus projetos e realizações, estabelecer redes de contato e trabalho, organização e planejamento financeiro. Tudo isso não é fácil de fazer da noite para o dia, e é o fundamental. Pense num pintor de parede que você conhece que é extremamente profissional. Como ele é: atende você com educação, marca e aparece na hora, faz o trabalho e não deixa sujeira e manchas, cobra caro. Mas é raro, não é? O que vemos é o profissional que combina com você e mais duas pessoas ao mesmo tempo. Começa a fazer o serviço e some, atrasa e etc. Não sabe ter prioridade, não consegue entregar, não se preocupa com a qualidade, com os detalhes, nem em como o trata. Normalmente, é como se ele fizesse a você um favor ao executar o trabalho para você. Nesse mercado do gig work digital e on-line, esse profissional sem compromisso não terá muito sucesso, pois nas plataformas de trabalho o cliente avalia a qualidade trabalho/serviço o tempo todo. Então, para se dar bem, você vai ter que ser extremamente profissional. Pode até parecer que é mais democrático, porque todos podem participar, mas só consegue trabalho quem for realmente competente e profissional.

 

Quem nunca atuou de maneira autônoma, como deve se preparar?
Primeiro e antes de tudo, se você não é organizado comece a sê-lo. Faça cursos on-line sobre organização do tempo, use agenda, entenda como você funciona e como quer funcionar. Tem gente que trabalha noite adentro, tem gente que gosta de trabalhar durante o dia. O que funciona para você? Junto com essa organização do tempo, aprenda que nem todo dinheiro que entra é para gastar. É preciso fazer reservas para as “vacas magras”. Se você quer fazer um curso, de quanto precisa dispor? Se não der para fazer, pelo menos livro você deve comprar. Isso é tão sério que hoje, inclusive, para contratar essas pessoas, a empresa vai até as plataformas dos cursos para saber quem está se atualizando ou elas mesmo disponibilizam o curso on-line gratuito. Outro aspecto importante e negligenciado pelas pessoas são as relações de trabalho. O importante não é apenas fazer happy hour. É hora de conhecer o mundo! Muitos só se lembram de fazer contato com as pessoas que conheceram quando são demitidas. 

Quais lugares  você vai frequentar para saber sobre tendências e necessidades de trabalho na sua área? 
Isso pode ser presencial ou on-line. Em plataformas de trabalho e de cursos há fóruns de discussão, é importante participar. Acho que esses são os pontos principais: auto-organização de tempo e dinheiro, estabelecer redes de contato e trabalho e alimentar essas redes compartilhando ideias.

Como adequar sua profissão ao novo mercado? Como perceber a demanda?
Pesquisando, seja on-line ou conversando com as pessoas da sua área e fora dela. Interessante perceber que em contato com quem está fora do seu segmento você pode ter uma visão ampliada. Normalmente, as pessoas dentro da mesma área tendem a se fechar e ter a mesma dificuldade de pensar diferente. Eu converso com gente de todos os setores e fico surpresa como médicos, por exemplo, podem não ter a menor ideia de que existe um IBM Watson e outras plataformas que processam diagnósticos, por exemplo.

Onde procurar e como encontrar o trabalho de “bico”?
Se tem um conhecimento intermediário de outra língua e dependendo do tipo do seu trabalho você pode pesquisar on-line e em outra língua. Além disso, os cursos on-line têm sido um local de recrutamento também. Na própria plataforma do LinkedIn você pode dizer que está disponível para contratos e como autônomo. Temos que entender que as empresas já estão se movendo para recrutar cada vez mais on-line. É mais barato e rápido, além de poderem checar, on-line, parte do que você está afirmando como experiência. Se você é da área de comunicação e marketing digital tem o Fiver, o Diligeiro, para advogados que querem se disponibilizar como correspondentes, por aí vai. Dependendo da sua área, cada vez mais surgem plataformas de acordo com nichos de mercado. À medida que vai se cadastrando e usando você vai entender qual funciona melhor.

Quem não sabe fazer o marketing pessoal, como ser lembrado e contratado?
Esse é o desafio principalmente para quem tem mais de 30 anos e é analógico/digital. Quem é digital entende a importância de se comunicar e estar on-line como parte da vida. Se é desafiador, não quer dizer que é impossível. Se você conseguiu fazer uma reserva, quem sabe não contrata alguém para ajudá-lo no primeiro momento e você ir aprendendo? Você pode contratar nessas plataformas a um preço legal e de qualidade. Outra ideia é fazer cursos on-line. A Udemy tem cursos de R$ 20. Isso pode ser o início, à medida que vai fazendo, vai navegando e aprendendo.

O mercado de freelancer é para os jovens? Como são vistos os profissionais seniores?
De jeito nenhum. Aliás, é uma ótima saída para quem já se aposentou, quer complementar a renda e ter liberdade de horário. Além disso, eles tendem a ser bem pagos nessas plataformas e redes. Eles podem ter mais experiência, inclusive para dizer como seu trabalho se diferencia dos outros no mercado. Pesquisa feita pela Payoneer, nos EUA, mostra, inclusive, que os maduros estão presentes e tendem a ganhar mais.

O que tem de bom e o que tem de ruim no mercado de bico? Muitos fazem parecer o paraíso.
Paraíso de jeito nenhum. O que tem de bom é a flexibilidade, poder pensar o trabalho em formatos diversos, conciliar vida pessoal e trabalho. Destacaria quatro pontos principais e que podem levar ao que muitos chamam de precarização do trabalho: primeiro, a falta de estabilidade de trabalho e falta de uma renda fixa. Segundo ponto, uma questão do valor pago por hora de trabalho, que, muitas vezes, pode ser abaixo do mercado. As plataformas ganham na oferta abundante do serviço. No universo on-line há uma infinidade de pessoas acessando essas plataformas, mas, por isso mesmo, pode-se pagar menos pelo serviço prestado. Se é você quem está trabalhando, pode ter mais trabalho, mas pode receber menos pela hora trabalhada. Terceiro, a preocupação com a qualidade do trabalho tende a aumentar e consecutivamente aumenta a pressão pelo profissionalismo. A opinião e avaliação do trabalho dadas pelos usuários/clientes on-line, é ponto importante para atrair novos clientes. Último ponto, saber trabalhar em equipe on-line. Em alguns momentos você deverá aprender a lidar com o trabalho de uma equipe on-line. Não necessariamente com estruturas rígidas de gestão, mas com equipes

Já há site com uma lista de profissionais freelancers oferecendo seu trabalho. É um caminho adequado, seguro, indicado, enfim, fazer parte desta "comunidade"? Logovia, We do logos, Contentools...
Nada é seguro, tudo é inconstante e fluido. Isso é a contemporaneidade. Então, como navegar diante de tantas incertezas? Análise de risco. Quanto preciso pagar para entrar? Nada, entre na plataforma. Faça trabalhos menos complexos para ir sentindo como as coisas funcionam. Em cada plataforma temos que pensar que há pessoas gerenciando e um modelo de negócio. O que temos que entender é que elas são apenas meio, as pessoas é que farão a diferença. Isto é, tanto de quem faz quanto de quem opera esses negócios. Algumas podem parecer que não é para você, não gosta de como comunicam, como pagam etc. Em outras você pode sentir que são profissionalizadas e funcionais para você. Procure saber quem já usou, veja depoimentos, arrisque pouco e teste. Estamos no mundo cada vez mais digital e fluido, a confiança passa a ser um diferencial, mas para alcançá-la precisamos também estar abertos e ser confiáveis, não é mesmo?

Imagino que uma questão complicada é colocar um preço no seu trabalho, principalmente para quem nunca o fez. Como agir?
Nossa, e é mesmo. Porque isso tem a ver com algo de autoestima e mercado, também. Tem gente que não consegue cobrar direito pelo trabalho porque no fundo não acha que vale ou porque não sabe o que entrega. Este é um “pulo do gato do momento” entender que precisamos inovar na forma de cobrar pelos trabalhos. Não é só o tempo empregado na realização do trabalho, mas sim a entrega, a transformação, a solução, o valor do que você faz é reconhecido pelo seu cliente? Então, coloque no papel: o que você faz (não é sua profissão, mas é o que você entrega para quem o contrata) e o seu diferencial. Se não souber, vá até plataformas on-line e/ou sites e pesquise a média do preço. Agora, se o que você faz ninguém ou poucos fazem, você pode cobrar acima do mercado. À medida que for se estabelecendo vai entender qual é seu nicho, seu público. Isso é outra coisa importante, talvez você não tenha que oferecer soluções para todo mundo, mas entender para qual público vai trabalhar. Então, aqui estamos falando de mais uma habilidade, o autônomo precisa ter um pouco de conhecimento de marketing. Uma dica é que tem milhares de curso on-line para isso. Por fim, se você vai trabalhar com grandes empresas, bem no geral, é ela quem dita o valor que paga. Você decide se aceita ou não.

 

PALAVRA DE ESPECIALISTA

 

Eliane Vasconcellos, diretora regional da PI Brasil, diz que é preciso pensar em alternativas para se manter no mercado de trabalho(foto: ABRH-MG/Divulgação)
Eliane Vasconcellos, diretora regional da PI Brasil, diz que é preciso pensar em alternativas para se manter no mercado de trabalho (foto: ABRH-MG/Divulgação)

Eliane Ramos Vasconcellos Paes - diretora regional da PI Brasil

Caminho sem volta

“É preciso pensar em novas alternativas para conseguir se manter no mercado. Não imaginamos os tipos de trabalho que virão por aí. Para o profissional, o gig work significa independência, autonomia, entrega por projeto, nada de ponto nem horário... O preço dessa liberdade obriga a um planejamento minucioso, principalmente financeiro, já que nem todo mês terá garantia de serviço. Para esse profissional, é fundamental fazer boas entregas para ter indicação, manter o networking e cuidar da imagem nas redes sociais. É um cenário que não tem como fugir. O mundo segue para um mundo de ocupações instáveis e flexíveis, de gratificação instantânea, o chamado on demand. Não existe mais carreira retilínea. É necessário buscar novas oportunidades, outro campo de trabalho e ser feliz nele, se redescobrir. O mundo está mudando, a era digital, a revolução 4.0, e é um caminho sem volta.”

  

SAIBA MAIS 

Empresa x freelancers
Em 2017, a atividade freelance cresceu 70% na América Latina, de acordo com levantamento da Workana, marketplace que conecta freelancers a empresas e atua em toda a América Latina desde 2012 (são mais de um milhão de freelancers cadastrados). Mas como as empresas podem trabalhar com esses profissionais e agregá-los à sua rotina? Guillermo Bracciaforte, cofundador da empresa, conta que desde pequenas até grandes empresas já incorporam esse tipo de mão de obra. “O benefício é duplo: os freelancers conseguem obter melhores contratações e fontes de renda lucrativas, além de desenvolver mais ainda suas habilidades; e os empregadores encontram profissionais adequados às necessidades para cada um de seus projetos”. O executivo destaca também que a modalidade tem benefícios que vão além de uma simples facilidade de contratação, mas permite às empresas que encontrem pessoas que possam trazer inovação e ideias criativas, além de trabalhar com agilidade e sob demanda. Nesse cenário, Guillermo Bracciaforte revela as principais estratégias:

1)Buscar freelancers para soluções criativas: muitas vezes as empresas têm dificuldade para fazer projetos inovadores ou encontrar soluções para antigos problemas. Os freelancers contam com uma boa experiência por ter trabalhado com uma grande diversidade de projetos e empresas. Normalmente, são especialistas em sua área e, às vezes, têm habilidades que lhes permitem se destacar em outros setores, o que pode ajudar a encontrar uma solução criativa para o seu negócio. Uma boa estratégia é conversar com o freelancer e entender as diferentes possibilidades de execução para um mesmo projeto.

2) Dar-se a oportunidade de experimentar: todos os projetos de uma empresa podem ser aperfeiçoados. O freelancer pode oferecer ideias inovadoras para processos já estabelecidos. Se o profissional fizer uma proposta que foge do escopo tradicional da empresa, pode ser interessante aceitá-la e entender, na prática, se funciona. Os riscos são pequenos, mas as chances de inovar são grandes.

3) Encontrar talentos tem seus custos: como tudo nesta vida, leva-se o que se paga. Muitas vezes, escolher um profissional apenas pela tarifa mais barata pode trazer consequências negativas à qualidade do produto final. A relação qualidade/preço pode ser um aspecto negociável. Conversar bastante, avaliar o portfólio e conhecer bem o profissional, independentemente do valor cobrado, permite que seja feita uma escolha mais assertiva de acordo com o perfil da empresa.

4) Conversar com o freelancer para coordenar o projeto: uma boa comunicação é peça-chave para o sucesso de todo trabalho. Antes de contratar, é importante se assegurar de comentar as ideias que precisam ser concretizadas no resultado final. A empresa deve perguntar se o profissional tem disponibilidade, se conta com as habilidades necessárias e o tempo adequado para o trabalho. Assim é possível evitar escolher alguém que não poderá cumprir com o acordado. É essencial investir este tempo, dinheiro e esforço em um profissional que consiga concluir, em tempo e forma, o trabalho solicitado. 

 

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