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Estado de Minas Enem

Educação e liderança

Educação e Liderança tomadas como ferramentas de emancipação e libertação dos indivíduos


04/05/2021 14:16 - atualizado 04/05/2021 15:15

Segundo o dicionário Porto Editora da Língua Portuguesa, líder é o “chefe; orientador; pessoa que chefia uma empresa, uma corrente de opinião ou um grupo”. Há muitos líderes: líder de uma família, líder de uma aldeia, líder em uma guerrilha, líder espiritual ou líder político. O líder é quem indica a direção correta.
(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
A história mundial recente nos apresenta vários líderes. Temos Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Martin Luther King, entre outros. Todos eles, de uma forma ou de outra, foram líderes e guiaram o povo para a libertação da opressão, fugindo do obscurantismo imposto pelos opressores.
 
Mas e se o líder, por motivos desconhecidos, ao guiar a população por caminhos tortuosos, entrar numa rua sem saída ou levar a todos para um destino pior que o lugar de onde vieram ou se agisse visando seu próprio bem? Como agiríamos nessa situação?
 
Muitos diriam que o líder não agiria dessa forma e que seu objetivo seria sempre o de fazer e buscar o bem para todos. Todavia, não é difícil encontrarmos pessoas que exercem a liderança manipulando, enganando e traindo seus amigos e até mesmo os próprios ideais em função de questões obscuras.
(foto: wikipedia)
(foto: wikipedia)
 
A ação de liderar implica numa relação de libertação, na qual o líder faz com que seus liderados se sintam capazes de assumir a sua posição em qualquer momento do processo. O líder deve ser antes de mais nada um conscientizador; um educador, antes de tudo. No processo de conscientização, o líder não deve manipular e nem prescrever suas ações aos demais, pois dessa forma ele acaba agindo de maneira contrária ao processo pedagógico. Podemos dizer que é através desse processo que se liberta as pessoas; daí a importância dada às escolas como um dos lugares em que isso ocorre, pois a verdadeira educação deve estimular o espírito crítico e a disciplina intelectual, já que exige que as pessoas não sejam
passivas diante do mundo; aprender a posicionar-se diante do mundo e no mundo, além de pensar como o discurso (na teoria) se materializa na prática.
 
A educação é fundamental em uma sociedade, pois através dela os indivíduos se tornam livres e autônomos, não vivendo sobre o julgamento de outros. Pensar uma sociedade em que os líderes são necessários significa pensar um lugar em que a educação falhou, pois não foi suficiente para fazer dos adultos seres livres, capazes de pensar por conta própria. Por outro lado, se em algum momento essa sociedade necessitou de líderes, os líderes precisam tratar a massa ou a população como capacitada e prepará-la para caminhar com seus próprios pés. O líder não deve ser visto como salvador, sentindo-se educador do povo, pois dessa forma se distanciará das pessoas, não construindo um diálogo entre educandos e educadores, fator importante no processo pedagógico.
 
Os educadores reais, em diálogo com o povo, precisam cultivar uma educação crítica, na qual não há educadores e alunos, mas sim mulheres e homens fazendo parte de um processo no qual todos aprendem com todos, objetivando a libertação. Se entendermos as ações entre governantes e governados, professores e alunos dessa maneira, a educação se fará de forma radical, estimulando o desenvolvimento dos seres humanos e promovendo um verdadeiro processo de libertação do povo. Quem sabe, no futuro, talvez assim, não precisaremos mais de líderes e eles perderão sua importância.
 
Artigo do Flávio Clementino, Professor de Percurso Educacional

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